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Segunda-feira, 24 de junho de 2019

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STF desmembra investigação da operação Terra Prometida e investiga núcleo político; 33 presos até o momento

Da Redação - Patrícia Neves

28 Nov 2014 - 12:00

Foto: Ilustração/Internet

STF desmembra investigação da operação Terra Prometida e investiga núcleo político; 33 presos até o momento
A investigação da Polícia Federal sobre a venda ilegal de lotes da reforma agrária pode resultar na comprovação da participação de políticos com mandato no esquema que teria movimentado R$ 1 bilhão. Compete ao Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte do país, a investigação de políticos com foro privilegiado. A operação Terra Prometida – desencadeada na quinta-feira, 27, apura a apropriação forçosa  e comércio  de lotes destinados a reforma agrária do Projeto de Assentamento Itanhangá/Tapurah. Trinta e três pessoas estão presas acusadas de participação no esquema, sendo que 24 pessoas estão presas na capital, oito em Sinop e um em Lucas do Rio Verde. 

O juiz, antes de analisar os pedidos formulados pela Polícia Federal e reafirmados pelo Ministério Público Federal (MPF), remeteu a investigação ao STF que devolveu os procedimentos para investigação daqueles que não possuem tal prerrogativa.

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“Diante do surgimento de nome com prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal os autos foram remetidos a essa corte, que os desmembrou e os devolveu a este juízo para analisar as representações em relação às pessoas sem a prerrogativa”. A citação consta do despacho do juiz federal da Comarca de Diamantino, Fábio Henrique de Moraes Fiorenza, que decretou a prisão preventiva de 52 pessoas envolvidas no esquema e determinou ainda o cumprimento de mandados de busca e apreensão, totalizando 227 ordens judiciais.

Até o momento, a Polícia Federal aponta que Milton Geller (ex-prefeito de Tapurah e irmão do ministro da Agricultura, Neri Geller) e Marino Franz, ex-prefeito da cidade de Lucas do Rio Verde, possuem participação detalhada no esquema de comércio de vendas de lotes. Ambos estão presos em Cuiabá. 

Responsável pela investigação, o delegado federal Hércules Ferreira, da Delegacia de Defesa Institucional da Superintendência da Polícia Federal afirmou à imprensa que nome de políticos surgiram durante a investigação, porém, até então, não há confirmação de que estejam envolvidos.

Entenda o esquema

Organizada, a associação criminosa contava com núcleos específicos de atuação, dentre eles servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), sindicalistas, fazendeiros e ‘laranjas’.

Segundo a Polícia Federal, o fazendeiro ou empresário do agronegócio interessa-se por alguns lotes, então aliciava e pressionava os assentados com proposta de compra (na maioria dos casos por valores muito abaixo do mercado). Caso concorde com o negócio, o parceleiro assinava um termo de desistência que era endereçado ao Incra.

A PF aponta que em caso de discordância ele era ameaçado de morte e expulso do lote à força”. Neste caso, o termo de desistência era fraudado e assinatura do posseiro é falsificada. Em seguida, o fazendeiro/empresário apresentava a documentação ao Sindicato Rural de Itanhangá onde ‘acertava’ um preço para regularizar, e apresenta o ‘laranja’ que é incluindo como beneficiário da reforma agrária.

Entretanto, quem já está na posse do lote e o explorando economicamente há tempos é o fazendeiro do agronegócio. A estimativa é de que 80 famílias ligadas ao agronegócio tenham se beneficiado do esquema, que resultou em cerca de R$ 1 bilhão em fraudes com a ‘instalação’ de verdadeiros latifúndios nas áreas destinadas, verdadeiramente, a clientes da reforma agrária.

15 comentários

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  • Armindo sebba Filho
    29 Nov 2014 às 11:32

    Jardim Nova Canaã muita gente foi beneficiada menos o proprietario.

  • Armindo Sebba Filho
    29 Nov 2014 às 11:21

    Não precisa ir no interior aqui na capital em véspera de eleição a uma porção de invasão e venda de lotes não sei para onde vai esse dinheiro o proprietário não vê acor desse dinheiro,as terras que não são vendidas são dadas pelos politicos em troca de voto e o dono da propriedade fica no prejuiso isso para mim e roubo dentro da lei faz-se um decreto e pronto ninguém paga, EX: Jardim Nova Canaã nome sujestivo Terra Prometida ai eu pergunto quem prometeu.

  • catarina
    29 Nov 2014 às 10:30

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  • Ilse
    29 Nov 2014 às 07:44

    Qualquer pessoa lucida e em sã consciência sabe que ninguém enriquece da noite para o dia como aconteceu com o baronato do agronegócio. Tinha que ter algo suspeito por trás disso. Agora que descortinaram o fato, o importante é que a justiça se cumpra de acordo como deve ser nesse caso tão grave.

  • Eleitor
    28 Nov 2014 às 15:17

    Mato Grosso sempre em evidência no cenário nacional pelos piores motivos.

  • agn
    28 Nov 2014 às 15:14

    Por favor MPF, PF e quem mais de direito, comecem a investigar a região de Querência o Assentamento Pingo DÁgua, virou um mar de Soja, "compraram" quase todos os lotes do Assentamento, só Peixe Grande nesse mar

  • tito lampreia
    28 Nov 2014 às 14:49

    O golpe é: Mate o INCRA!!! Coloque assentados sem nenhuma condição de vida!!!! Gov. de Mato Grosso Mata a Empaer!!! Assentados ficam a merce da própria sorte , vem o aproveitador e oferece dinheiro ao pobre coitado,falido!!! Família volta a ser favelado nos grandes centros!!! Essa é a 1ª vez que barões do Agronegócio enfrentam a cadeia!!! Não precisa andar muito, para saber que em cada município de Mt Tem uma Historia igual ou parecida. O sucateamento da Empaer e tbm do INCRA via corte de orçamento orquestrado pelos nosso Deputados é sem duvida o grande culpado!!! Os filhos desse pobres coitados abandonados no assentamentos de 1997 que passavam fome, estão nas periferias das grandes cidades, e você acha que a violencia é gerada por falta de policia, preste atenção: o crime está do outro lado do muro dos grandes condomínios de LUXO!!!

  • Edilson Roberto
    28 Nov 2014 às 13:40

    espero que o MPF obrigue os servidores envolvidos a restituírem as diárias pagas para desenvolver as supostas medições e demais "trabalhos" desenvolvidos nos assentamentos...

  • Querenciano
    28 Nov 2014 às 13:34

    Srs delegados da PF, incluam Querência nesta ivestigação e verão que senão o maior masum dos maiores problemas reside aí.

  • Augusto
    28 Nov 2014 às 13:18

    Atenção equipe de Transição... A SEDRAF emprega 200 servidores... ALERTO que apenas 6 são de carreiras... Compromisso com o ERARIO PÚBLICO somente esses o resto SÃO CABOS ELEITORAIS de deputados... ISSO É UM ABSURDO! 200 cargos comissionados... E tem muito mais nas VINCULADAS : INDEA, INTERMAT e EMPAER. Sr. Pedro Taques EXIJA que todas as informações sejam repassadas a equipe de Transição de VERDADE... Contrato de imoveis, aluguéis de veículos, combustíveis, pagamento de DIÁRIAS, equipamento de TI, termos ADITIVOS sendo assinados. LEMBRE-SE que todos os presidentes e o atual secretario foram indicados pelo PSD desde a época do MAGGI. Nós SERVIDORES DE CARREIRA QUEREMOS E ESPERAMOS MUDANÇAS DESSES GESTORES! Principalmente na SEDRAF e INDEA.

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