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Segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

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Advogados pedem que dono da Consignum vire réu na Sodoma 2

Da Redação - Paulo Victor Fanaia Teixeira

19 Ago 2016 - 09:28

Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

Willians Mischur chegando à sede da Defaz

Willians Mischur chegando à sede da Defaz

O Ministério Público Estadual (MPE) deverá manifestar nos autos da ação penal oriunda da “Operação Sodoma 2” se inclui ou não o dono da Consignum, Willians Paulo Mischur, no banco dos réus. O empresário chegou a ser preso e teve seu nome envolvido no esquema de fraudes, entretanto, firmou acordo de delação premiada e posteriormente foi considerado vítima de extorsão. Ele foi ouvido na última quarta-feira (17) pela Justiça. Para o advogado Bruno Alegria, que atua em defesa do médico filho de Silval Barbosa, Rodrigo Barbosa, a ocasião foi marcada por uma confissão involuntária de que o empresário sabia que estaria assinando um contrato de compra de terras que tinha por objetivo realizar lavagem de R$ 13 milhões. Razão pela qual e outros advogados solicitaram a manifestação. 

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O recurso foi assinado pelo advogado Victor Alípio Borges, que atua em defesa do ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa, Silvio César Corrêa Araújo e por Valber Melo, que atua em defesa do ex-governador. “Ele confessou que aquele contrato foi usado como mote para escamotear a origem ilícita do dinheiro, ou seja, é lavagem e isso ele confessou hoje”, disse Victor Borges em sua manifestação à juíza da Sétima Vara Criminal, Selma Rosane Arruda.

“A gente pediu (manifestação do MPE), pois gera certo desconforto...Ora, estamos vendo um indivíduo que confessa em audiência que agiu compactuando com a lavagem de dinheiro e está aqui na qualidade de vítima, sem nenhum ônus sobre isso, então a gente pede para o Ministério Público, enquanto fiscal da lei, defensor de tudo isso, para que ele manifeste no sentido de incluir Willians Mischur na qualidade de réu na lavagem de dinheiro, afinal de contas ele confessou claramente que o tempo todo sabia do que se tratava. E o mais importante, na audiência ele não disse, pelo contrário, deixou bem claro, ele não foi coagido, como se pensava, a assinar esse contrato com César Zílio”, explica o advogado Bruno Alegria.

A solicitação da manifestação foi incluída aos autos pela magistrada e ainda deverá ser feita pelo órgão ministerial.

Entenda o Caso:

Na fase 2 da “Operação Sodoma”, deflagrada no dia 11 de março de 2016, foi descoberta a lavagem de R$ 13 milhões na aquisição de um terreno na Avenida Beira Rio, próxima a casa de shows Musiva, que teria sido quitado com cheques provenientes de propina pagas por empresas (beneficiados com incentivos fiscais) ao Poder Executivo.

A compra foi feita, segundo o Ministério Público Estadual, pelo ex-secretário de Administração César Zilio, que teria usado o pai falecido e um arquiteto como “laranjas” na transação.

Foram denunciados pela Sodoma: O ex-governador, Silva da Cunha Barbosa; o ex-prefeito de Várzea Grande, Wallace dos Santos Guimarães; os ex-secretários de Estado, Marcel de Cursi, Pedro Jamil Nadaf, José Jesus Nunes Cordeiro, César Roberto Zílio e Pedro Elias Domingues; o filho do ex-governador, Rodrigo da Cunha Barbosa; o ex-deputado estadual José Geraldo Riva; Silvio Cezar Correa Araújo, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, Karla Cecília de Oliveira, Tiago Vieira de Souza, Fábio Drumond Formiga, Bruno Sampaio Saldanha, Antonio Roni de Liz e Evandro Gustavo Pontes da Silva.

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