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Indígenas entregam ao MPF relatório condenando construção de hidrelétricas no Vale do Juruena

Da Redação - Paulo Victor Fanaia Teixeira

30 Jul 2016 - 10:45

Foto: Rogério Florentino Pereira/OD

Ilustração

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Um relatório elaborado por indígenas de sete etnias que ocupam o Vale do Juruena condena e prevê desastres socioambientais na construção das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) previstas para a região. O estudo foi recebido na última quinta-feira (28) pela Sexta Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (MPF), órgão responsável por atuar em questões sobre indígenas e comunidades tradicionais.

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O temor dos indígenas é que a instalação das PCHs possa impactar negativamente e alterar o modo de vida das comunidades que dependem dos rios. Segundo o relatório, estão previstas 102 hidrelétricas para a região, sendo que 43 delas podem inviabilizar a sobrevivência das comunidades.

Um dos líderes da etnia Enewene Nawê aponta a diminuição dos peixes no rio que corta a comunidade como um dos graves problemas ambientais causados pela instalação das hidrelétricas. Com a dieta alimentar baseada no consumo de peixes, a etnia vê sua sobrevivência ameaçada. “A construção de usinas do topo PCHs, próximas de terras indígenas, impede a subida de peixes que diminuem e somem; traz a seca e morte dos rios”, consta do documento.

Na via oposta, os indígenas apresentam projetos de solução, entre eles a elaboração de um estudo integrado da bacia composta pelos rios Juruena, Teles Pires e Tapajós, além da reavaliação dos impactos socioambientais dos empreendimentos já construídos na região.

O relatório é resultado de debate realizado pelas etnias em junho deste ano, na aldeia Iru'u, na Terra Indígena Menkü, que reuniu representantes das etnias Myky, Manaoki, Enawenenê Nawê, Apiaká, Kayabi, Munduruku e Negarotê.

O MPF prometeu avaliar o relatório para tomar providências que considerar cabíveis. O documento também foi protocolizado na Procuradoria da República em Mato Grosso. Participaram da reunião o membro da Sexta Câmara de Coordenação, subprocurador-geral da República Antônio Carlos Bigonha e o secretário-executivo Gustavo Alcântara.

6 comentários

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  • Ali Zanu Kreci
    01 Ago 2016 às 09:21

    Prezado El Cid, sua afirmação é incorreta quando você externa que a FUNAI banca as despesas dos indígenas. Sugiro que o senhor busque informações mais detalhadas pra sair por ai falando inverdades

  • marco
    01 Ago 2016 às 09:00

    Indio não quer terra não, eles querem camionetes e internet, eles só querem saber de rolo, atrapalhando o desenvolvimento.

  • El Cid
    01 Ago 2016 às 08:48

    Conversa fiada, índios comem carne de vaca, d porco, frango e tudo mais que a FUNAI lhe fornece gratuitamente. Todas as malocas tem geradores de energia, funcionando dia e noite sem nenhum custo para eles. Além de tratores, camionetas Hilux e muita coisa que brancos não têm, mas através dos impostos que pagamos, os indios são providos.

  • CURIMBATÁ
    01 Ago 2016 às 02:36

    SE CONSTRUÍRAM AS PCHS É PORQUE FOI LIBERADO A LICENÇA, NÃO? ENTÃO COM A PALAVRA A SAUDOSA SEMA. ESSE ÓRGÃO É PROTEGER O MEIO AMBIENTE OU O BOLSO DE ALGUNS?

  • totó
    30 Jul 2016 às 18:15

    O que é sagrado para os índios,tem que ser respeitado por nós. Os peixes as cachoeiras os poços e as corredeiras,tem significado nas fases de vida dos índios,portanto,hidrelétricas jamais vai ser incorporado pelos índios como santuário sagrado.

  • cidadão
    30 Jul 2016 às 11:23

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