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Quinta-feira, 19 de maio de 2022

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Após festa, governo de Sarkozy tem de lidar com o "relançamento"

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, compareceu nesta terça-feira à festa do 14 de Julho, quando se comemora a queda da Bastilha, simbolizando o início da Revolução Francesa (1989-1799). Ao mesmo tempo, jovens protestavam na periferia de Paris, e apareceram outros sinais de oposição pelo país.

Agora, os fogos de artifício devem ser substituídos pelas discussões sobre o plano de rélance (relançamento), uma injeção de recursos na economia decidida pelo governo ante à expectativa de crescimento negativo em 2009. O plano funciona de uma forma comparável ao PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) --a bandeira da ministra-chefe da Casa Civil do Brasil e pré-candidata à Presidência, Dilma Rousseff.

Diversos projetos, propostos até mesmo pela oposição ao presidente, receberam esta "injeção" de ânimo da Presidência para enfrentarem os efeitos da crise.

Segundo o economista Jacques Attali, o plano pode ser uma armadilha para o governo francês. Ele estende a análise para as políticas de combate à crise anunciadas pelo governo de Barack Obama nos Estados Unidos.

"O problema é que esta crise tem na origem um problema de insolvência e dívidas maiores do que se podia pagar. Continuar emprestando pode atenuar os efeitos da crise agora, mas pode agravar o problema no futuro", disse o economista, que foi conselheiro especial da Presidência francesa de 1981 a 1991, além de fundador e primeiro presidente do Banco Europeu.

Em suas iniciativas de combate à crise, o governo francês também anunciou que iria emprestar dinheiro. Até agora, as críticas à iniciativa parecem não ter afetado o governo de Sarkozy, em um sinal de que a oposição ao presidente está bastante fraca.

A ideia de que uma crise maior pode se originar de um processo para combater a atual também parece plausível para o economista francês Paul Jorion. "Sim, parece razoável", disse o estudioso, que trabalhou por nove anos no setor bancário nos Estados Unidos e publicou "Investing in a Post-Enron World" ("investindo em um mundo pós-Enron", em tradução livre) sobre as repercussões da falência da companhia Enron.

Por outro lado, o professor de finanças Harald Hau, da escola de comércio Insead, se mostra mais de acordo com a política de governo e cético quanto à possibilidade de uma crise vinda da atual crise.

Seja qual for o resultado, Sarkozy conseguiu nos últimos meses realizar uma estratégia de governo na qual mostra ação contra a crise econômica e também uma reforma política, já que no último mês o primeiro-ministro, François Fillon, renovou seu gabinete.

Agora, resta ver se as mudanças econômicas e políticas serão suficientes para conter a insatisfação na periferia, a alta dos preços (que ganha destaque nesta semana, por exemplo, na capa da revista "Marianne" [dado sobre a revista]) e as polêmicas relativas à imigração e à integração dos imigrantes.
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