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Quarta-feira, 25 de maio de 2022

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Desde "O Clone", número de turistas brasileiros em Marrocos deu um salto

Foto: Guilherme Tosetto/Folhapress

Mesquita Koutobia, em Marrakech

Mesquita Koutobia, em Marrakech

Marrocos é todo encruzilhada. Árabe e, também, berbere e africano. Muçulmano e judeu. Liberal e devoto. Árido e litorâneo. O país recebeu 8,3 milhões de turistas em 2009, o dobro do Brasil.

Casablanca é a locomotiva econômica e industrial. Uma megalópole caótica e cinzenta, entremeada por ilhas de luxo. "Casá", como é chamada, tem a melhor noite da África do Norte. A cidade em nada lembra o filme "Casablanca" (1942), de Michael Curtiz, que, aliás, não teve uma cena sequer rodada ali.

Rabat, sede do poder e residência do rei, é uma capital de monumentos grandiosos. Antiga capital, Fez manteve intacto o labirinto de ruelas da cidade velha --e foi tombada pela Unesco.

Marrakech é a joia da coroa que, apesar de desfigurada pela infraestrutura turística, guarda traços inconfundíveis --casas ocre, palmeiras onipresentes e avenidas, tendo os montes Atlas como tela de fundo.

FAMA COM A NOVELA

Os clichês e distorções da novela "O Clone", em 2002, soaram ofensivos para a maioria dos marroquinos radicados no Brasil.

Mas a ficção de Glória Perez foi fundamental para reaproximar os brasileiros de Marrocos, que andava meio sem apelo por aqui desde os anos 80.

No país falsamente retratado pela Globo, marroquinos colecionavam mulheres, membros do sexo feminino estavam relegados à insignificância social e chibatadas eram distribuídas a esmo.

Às favas o rigor documentário! Importa que as imagens e cenários emplacaram no imaginário brasileiro, e Marrocos voltou a ser pop.

Praticamente todas as TVs brasileiras pegaram carona no sucesso da novela e fizeram programas especiais sobre o país, que retornou às capas de revistas de turismo.

Desde "O Clone", o número de turistas brasileiros em Marrocos deu um salto. De algumas centenas por ano no final dos anos 90, chegou a 16 mil no ano passado, o que já representa um terço do contingente que vai para a Holanda --que tem voo direto e diário para o Brasil.

A Royal Air Maroc cogita reativar em 2011 a linha Casablanca-Rio, suspensa desde 1992. A meta dos marroquinos é ter, por baixo, cem mil brasileiros por ano no país.

Num contexto em que os brasileiros estão viajando mais e diversificando destinos, Marrocos enfrenta concorrentes de peso --Turquia, Grécia, Egito etc.

Nessa disputa, uma das principais armas do país é a diversidade de ofertas.

SURFE

Há os roteiros clássicos. Passeio de jipe no mar de areia de Merzouga. Andar de dromedário pelas ruas de Marrakech. Sítios e monumentos refletindo a herança cultural milenar das muitas civilizações que passaram pelo norte da África.

Sem esquecer do artesanato requintadíssimo e da culinária que os franceses consideram a única cuja sofisticação se compara a deles.

Tudo isso com a certeza de estar num país seguro, onde o álcool é tolerado para estrangeiros e as mulheres não são obrigadas a cobrir a cabeça nem os ombros --muitas o fazem, por vontade própria.

As opções menos óbvias também valem muito a pena. Marrocos é, por exemplo, terra de esqui. O "must" para muitos europeus é passar um final de semana em Michlifen ou Oukaimeden, as duas maiores estações de esportes de inverno do país.

Além disso, Marrocos é, quem diria, paradeiro de surfista e de pesca em alto-mar. O que enche os marroquinos de orgulho também é o fato de o país ter se inserido no circuito do alto luxo.

Marrakech, onde a designer e socialite Adriana Bittencourt fixou residência, tem dois dos hotéis mais suntuosos do mundo.

O Mamounia, que acaba de ser reformado, encantou Winston Churchill, Oscar Wilde, Catherine Deneuve e Brad Pitt.

Já o recém-inaugurado Royal Mansour foi construído sob ordens do rei Mohamed 6º com a recomendação de ser o mais belo retrato da arte marroquina de construir e decorar.
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