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Terça-feira, 22 de setembro de 2020

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Amigas há 78 anos, centenárias se emocionam durante o reencontro

Da Redação - Lucas Bólico

01 Nov 2011 - 16:17

Foto: Lucas Bólico/OD

Dona Zilza (esquerda) em reencontro com Nympha (direita).

Dona Zilza (esquerda) em reencontro com Nympha (direita).

Amigas há nada menos que 78 anos, as matriarcas de duas tradicionais famílias de Mato Grosso tiveram um encontro emocionante, na tarde da última sexta-feira (28), em Cuiabá. Nympha Escolástica da Silva e Hermínia Infantino Coutinho não se viam desde 2005. Nympha completa 100 anos no dia primeiro de novembro e dona Hermínia – é melhor chamá-la de Zilza, avisam os filhos logo de cara – completará 93 no início do próximo ano.

“Somos irmãs”, disse dona Nympha entre um abraço e outro. Nem precisava falar. O afeto era visível. Entre sorrisos, toques, abraços e beijos, de vez em quando ambas se desligavam do papo que reinava na sala da casa dos Coutinho e adentravam em uma conversa paralela. Um papo só delas. Dona Zilza falava baixinho, como lhe é característico, e Nympha respondia conforme seu ouvido cansado havia permitido escutar. O importante é que se entendiam.

Zilza e Nympha apesar da afinidade são bem diferentes. A primeira, por exemplo, não segurou o choro ao cantar uma música religiosa para a amiga. A segunda não segurou a língua na hora de soltar suas piadas com pitadas de malícia. A mente de dona Nympha era a mais ligeira daquela sala. Rápida no gatilho, respondia qualquer ‘provocação’ com um verso maroto. A amiga se desmanchava em um riso gostoso e sincero.

Quando se conheceram, Nympha tinha 22 anos e Zilza 14. O encontro foi por conta de um curso de costura que ambas faziam aqui em Cuiabá. Nympha veio de Santo Antônio de Leverger para aprender o ofício e acabou amiga de Zilza. Apesar de o contato entre ambas não ser diário, a amizade perdura.

De um lado, Zilza deu a luz a 10 filhos, todos batizados com a inicial Z. Segundo Zildinete, uma das filhas, o motivo é mais que óbvio: “ela gosta da letra”. Já Nympha, pariu cinco. “Todos vivos”, comemora Edna Lara, um dos herdeiros de Nympha.



O número de netos e bisnetos desafia a memória de ambas, que são viúvas e vivem aos cuidados dos filhos, cada uma ao seu modo. “Eu virei um bebê”, diz Zilza, que guerreiramente sobreviveu a derrames e trombose. Já Nympha se vira sozinha, toma conta de suas coisas e tranca tudo com sua chave. “Não mexo nas coisas dos outros, pra não mexerem nas minhas”, argumenta espirituosa. E não toma remédio. “Antes, o remédio que eu tomava era Bavária. E pra não dizer que não tenho nada, disse pro médico: ‘tenho cinco filhos’”. Dona Zilza cai na gargalhada.

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