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Estudo fornece pistas sobre a vida e a morte dos primeiros animais da Terra

Jornal da Ciência

15 Ago 2014 - 14:00

Estudo fornece pistas sobre a vida e a morte dos primeiros animais da Terra
Os primeiros organismos na Terra eram unicelulares, semelhantes ao que conhecemos como arqueas modernas.

Mas com o quê os primeiros animais se pareciam? Os primeiros 'proto-animais’ eram conhecidos como rangeomorfos (organismos multicelulares) e viveram durante o período Ediacarano, mas não se sabe muito sobre como eles viviam.

Um novo estudo foi capaz de reconstruir esses animais primitivos, proporcionando uma nova visão sobre essas criaturas. A pesquisa foi liderada por Jennifer Hoyal Cuthill da Universidade de Cambridge, com o trabalho publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências.

Embora a vida multicelular tenha aparecido centenas de milhares de anos antes, rangeomorfos viveram entre 635 e 541 milhões de anos atrás e a maior parte era incrivelmente pequena. Rangeomorfos se pareciam muito com samambaias, com ramos fractais ao longo de seus corpos. Eles eram muito variáveis em tamanhos, indo de 10 centímetros a 2 metros.

Houve um tempo em que não se sabia ao certo se os rangeomorfos eram realmente animais, ou plantas. Através de muito estudo e debate, foi constatado que se tratavam de animais. Seus corpos macios deixaram marcas fossilizadas em rochas, mas os cientistas não conseguiam muitas pistas sobre o seu crescimento, alimentação e hábitos reprodutivos. No entanto, a equipe de Hoyal Cuthill foi capaz de usar essas marcas para desenvolver desenhos em 3D e estudar seus hábitos de vida.

"Sabemos que rangeomorfos viveram também no fundo do oceano, pois obtinham sua energia através da fotossíntese, como as plantas fazem", disse Hoyal Cuthill em um comunicado de imprensa. "O mais provável é que eles absorviam nutrientes diretamente da água do mar através da superfície do seu corpo. Seria difícil, no mundo moderno, esses animais sobreviverem apenas de nutrientes dissolvidos”, explica.

Os corpos ramificadas de rangeomorfos aumentavam a quantidade de área superficial exposta à água do mar, permitindo-lhes absorver nutrientes, carbono e oxigênio. Como aquilo representava a pequena extensão da vida animal no momento, eles não competiam por recursos, e foram capazes de florescer por mais de 100.000 anos.

No entanto, as coisas rapidamente decaíram para os rangeomorfos no início da Explosão Cambriana, há cerca de 542 milhões de anos. Ao longo de um período de cerca de 30 milhões de anos (relativamente lento, em termos evolutivos), uma série de alterações no ambiente e nos organismos provocaram o surgimento explosivo da diversificação da vida. Com tantas espécies novas lutando para sobreviver, foi uma corrida armamentista evolucionária extrema.

Os animais que desenvolveram formas mais sofisticadas de alimentação, incluindo comer outros animais, foram habilmente capazes de superar a concorrência dos rangeomorfos que estavam imóveis e não tinham mecanismos de defesa. Eventualmente, eles foram levados à extinção. Ainda assim, uma existência de 94 milhões de anos não é nada desprezível.

"Quando o período Cambriano começou, estes exemplos da Era Ediacarana não podiam mais sobreviver. E nada parecido com eles foi visto de novo", concluiu Hoyal Cuthill.

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