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Eleitos de MT pretendem fazer ‘cruzada’ em prol da volta dos eleitores às urnas e debater política

Da Redação - Ronaldo Pacheco

14 Out 2014 - 09:27

Foto: Terra

Eleitos de MT pretendem fazer ‘cruzada’ em prol da volta dos eleitores às urnas e debater política
Um dado geralmente ignorado por quem vence as eleições passou a fazer parte da discussão do cotidiano político, depois do pleito deste ano, em Mato Grosso: o alto índice de abstenções, além de votos nulos e brancos. De governantes a sociólogos, todos entenderam o recado das urnas, mas cada um interpreta à sua maneira e aponta a própria solução para o problema. Homens públicos e estudiosos tentam compreender corretamente o fenômeno chamado descrença.
 
“O recado dos eleitores foi claro e objetivo: não aprovam mais o tipo de gestão pública e de política que há anos vigora em Mato Grosso e no Brasil”, argumentou o secretário geral do PSB, deputado estadual eleito Oscar Bezerra, em visita à redação do Olhar Direto. Ele acredita que o eleitor só vai voltar a acreditar que vale a pena ir à cabine indevassável se enxergar ética na política.
 
“É certo que a insatisfação da população com a política ficou explícita nesta eleição. Temos de pegar isso como base para que haja uma retomada da vontade de votar”, pontuou o deputado federal e senador eleito Wellington Fagundes, presidente regional do PR. Vitorioso em oito das nove eleições das quais participou como candidato, Fagundes admitiu que desde a eleição de 1998, quando Dante de Oliveira foi reeleito governador, não via tamanho desinteresse da sociedade.
 
O  presidente do PMDB, deputado federal Carlos Bezerra, entende que a própria forma de diálogo dos homens públicos com os eleitores deve ser melhorada. “Antigamente, grandes comícios davam o tom das campanhas. Hoje é tudo eletrônico e talvez tenhamos de melhorar a forma de interagir com os cidadãos que vão às urnas”, definiu Bezerra, o mais experiente em atividade no Centro-Oeste.
 
Abstenções, brancos e nulos superaram 36% em Mato Grosso. O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE) registrou que 501.407 pessoas não compareceram para votar: 22,91% do eleitorado, do total de 2,18 milhões aptos a comparecer às urnas.  Votos brancos somaram  91,34 mil, enquanto os nulos foram 139,23 mil sufrágios.
 
Historicamente, a média abstenção em Mato Grosso sempre ficou abaixo dos 20%, mas desta vez superou a nacional até mesmo a média nacional,  que foi de 19,39%.
 
No entanto, entre votos brancos e nulos a maior média foi nas eleições de 1994, com 28,91% juntos, quando Dante de Oliveira foi eleito pela primeira vez governador com mais de 70% dos votos.
 
O professor Marcus Vinícius de Souza citou as mobilizações de junho do ano passado como demonstração clara de insatisfação da população com a política e com os políticos. Porém, ao invés de protestar nas urnas, muitas pessoas preferiram justificar a ausência. Ele lembra que o voto é facultativo nos casos de menores de 18 anos e maiores de 70. E, em Mato Grosso, como no restante do país, os dois grupos correspondem a uma boa parte deste eleitorado que deixou de ir às urnas no último domingo.
 
Mas o problema real é o alto índice de insatisfação dos cidadãos com a política. “Existe clara dificuldade em separar os bons dos maus políticos. A maioria pensa que todos são iguais”, pontuou Marcos Vinícius. Ele firma que se criou no senso comum de que políticos são corruptos e houve um distanciamento da campanha e, depois, das urnas.
 
Sobre os votos brancos e nulos, existe  a  confusão provocada pelo excesso de teclas na urna eletrônica. Os eleitores votam para deputado estadual, deputado federal, senador, governador e, enfim, presidente da República. Na prática, são cinco eleições distintas.  e que na hora de votar as pessoas erram o número do candidato, o que provoca a anulação do voto.

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