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Terça-feira, 23 de abril de 2024

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Necessários, mas indesejados: venda de elétricos e híbridos cai nos EUA

Enquanto a oferta de carros elétricos nos Estados Unidos é mais abundante que nunca, suas vendas sofrem pelo baixo preço do petróleo, mas as empresas não cogitam deixar de fabricá-los, tendo em vista a escalada de duras regras ambientais para emissões de poluentes.


O ano de 2015 fechou com um recorde de vendas de carros novos nos Estados Unidos, com 17,47 milhões de unidades. No mesmo período, os emplacamentos de carros elétricos e híbridos recarregáveis caíram de 123.000 para 116.500, o que representa apenas 0,66% do mercado de carros novos.

As vendas de 4x4, SUVs, caminhonetes e outros modelos de alto consumo de gasolina bateram novos recordes - um fenômeno atribuído ao preço do barril de petróleo (US$ 32), que desde 2004 não era tão baixo.

Nos Estados Unidos, onde a gasolina é muito menos tributada, o benefício dos consumidores foi espetacular com relação a 2008, quando o barril era 4 vezes mais caro.

Foi nesse momento que a administração do presidente Barack Obama modificou as normas sobre a eficiência dos veículos.

De 9,41 litros por 100 km em 2009 (cerca de 10,6 km/l), o consumo médio dos modelos comercializados nos Estados Unidos deveria passar para 6,63 litros em 2016 (15,08 km/l). E em 2011 Obama anunciou objetivos ainda mais ambiciosos: 4,3 litros por cada 100 km (23,25 km/l) para 2025.

"O automóvel elétrico nos Estados Unidos receberá um impulso pelas limitações das emissões. Não será por uma demanda espontânea dos consumidores", admite Carlos Ghosn, presidente da Nissan, marca que tem o segundo lugar no mercado de veículos elétricos nos Estados Unidos com o compacto Leaf (17 mil unidades vendidas), atrás da Tesla, que vendeu 24 mil unidades do luxuoso Model S.

Os fabricantes oferecem hoje cerca de 30 modelos "plug-in" (recarregáveis), e um deles, o Volvo XC90, recebeu na segunda-feira (11) o prêmio de 4x4 do ano na América do Norte, no Salão de Detroit. A maioria das empresas preveem fortalecer a produção de seus modelos 100% elétricos.

Sem volta
É o caso da Mercedes-Benz (Daimler), que oferecerá 10 veículos deste tipo em 2017, lembrou seu presidente, Dieter Zetsche. "A distância entre as normas e a demanda dos consumidores é maior que antes, e os preços do petróleo evidentemente desempenham um papel importante", declarou a jornalistas. "Mas estamos no caminho", agregou.

Segundo Ghosn, "se todos os fabricantes estão se orientando hoje a oferecer veículos elétricos, muito depois de nós lançarmos o carro elétrico, é porque veem que não têm outra solução que respeitar os limites em matéria de emissões".

"Acreditamos que a eletrificação faz parte de uma estratégia a longo prazo", opina Mary Barra, a presidente da General Motors, que acaba de apresentar um carro elétrico dotado de uma autonomia de 320 km, o Chevrolet Bolt.

Responsável pelas vendas da BMW, Ian Robertson sublinhou que a Europa e a China estão indo na mesma direção e observou que "por um lado metas rigorosas são necessárias e, por outro, estímulos (do Estado para comprar carros elétricos)".

Na Noruega, esses estímulos permitiram que o carro elétrico represente 17,1% do mercado em 2015. Já na França, esta parte era de apenas 0,9%, embora com um volume 64% superior ao do ano anterior.

Embora a lei americana sobre os veículos "zero emissões" tenham sido canceladas no início do milênio, Robertson disse que estava convencido de que as metas de 2025 "não vão desaparecer", mesmo no caso de um candidato republicano chegar à Casa Branca nas próximas eleições.

"Não acho que seja possível darmos um passo atrás", opinou também Rebecca Lindland, especialista do setor automotor da consultoria Kelley Blue Book (KBB). Segundo ela, para estimular os americanos a comprar carros elétricos, "a única coisa que podemos fazer é taxar ainda mais a gasolina, como na Europa".

Mas seu colega na KBB, Karl Brauer, alerta que "os americanos são grandes defensores do meio ambiente, desde que isso não os afete em nada".
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