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Sábado, 14 de dezembro de 2019

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Maior facção do Rio fatura R$ 1 milhão por semana redistribuindo cocaína a partir da Maré

Luã Marinatto e Marcos Nunes/Extra

27 Nov 2016 - 22:00

Das fronteiras do país para o Complexo da Maré, na Zona Norte, e dali para todo o estado. Investigações da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) apontam que as comunidades Nova Holanda e Parque União transformaram-se no principal entreposto de distribuição de cocaína da maior facção criminosa do Rio. A estimativa é que a operação renda cerca de R$ 1 milhão à quadrilha por semana.

Um quilo de pasta base, antes de entrar no Brasil, é comprado por cerca de R$ 14 mil. Depois de “trabalhado” — o processo de misturar a droga a várias substâncias, feito na própria Maré, em refinarias improvisadas —, são preenchidos até 6.400 pinos, vendidos a R$ 10 cada, rendendo R$ 64 mil. O lucro é de mais de 350%.

Da Nova Holanda e do Parque União, pelas vias expressas no entorno, a cocaína segue para diversas comunidades da capital, da Baixada Fluminense, de São Gonçalo e até do interior. O controle do fluxo e dos pagamentos é minucioso, como mostram anotações de contabilidade apreendidas pela DCOD no último dia 11, durante incursão na Maré. Na ocasião, a especializada estourou uma das refinarias utilizadas pelos traficantes.

Além de centro de redistribuição de drogas, a Maré virou, também, um reduto para bandidos que buscam refúgio. Foi assim com Nicolas Pereira de Jesus, o Fat Family, morto em setembro, que passou uma temporada na Maré após ser resgatado de um hospital. Numa operação para tentar capturar o criminoso, a polícia trocou tiros por oito horas. No último dia 11, mais uma vez diante do poderio bélico do bando, foram quatro.

Alemão e Chapadão

No passado, os principais entrepostos da facção já foram o Alemão e, mais recentemente, o Chapadão. O primeiro teve a operação prejudicada após a instalação da UPP. O segundo, do mesmo modo, perdeu parte da relevância em virtude das constantes incursões policiais.

300 mil pinos

A refinaria encontrada pela DCOD no início do mês fica em um beco próximo à Rua Teixeira Ribeiro, na Nova Holanda. No local, foram apreendidos 30 quilos de maconha, 500 frascos de lança-perfume e 780 sacolés de cocaína, além de 300 mil pinos ainda vazios que seriam usados para embalar a droga.

Adrenalina

Na refinaria, havia ainda centenas de ampolas de adrenalina, que potencializam os efeitos da cocaína. Também é comum misturar a droga a fermento, entre outras substâncias.
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