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Vídeo mostra instrutor praticando tiro com pessoas ao lado de alvos durante curso; professor nega ilegalidade

Da Redação - Wesley Santiago

10 Jul 2017 - 12:45

Foto: Reprodução

 Vídeo  mostra instrutor praticando tiro com pessoas ao lado de alvos durante curso; professor nega ilegalidade
Um vídeo que circula pelas redes sociais mostra o atirador Fernando Raphael Olivera, presidente da Federação de Tiro de Mato Grosso e Policial Militar, praticando tiro com pessoas ao lado de alvos, em um clube de tiro, localizado em Cuiabá. O fato aconteceu durante um curso que ele ministrava, voltado para sobrevivência.

A associação Atiradores Desportivos do Brasil (ADB) repudiou veementemente as ações dizendo que colocaram “seriamente em risco suas vidas e integridade física”. Em entrevista exclusiva ao Olhar Direto, Fernando explicou que tudo "faz parte de um curso de sobrevivência e foi feito dentro da legalidade, não tendo relação alguma com a prática desportiva". Além disto, a munição utilizada era preparada e não letal: "O máximo que podia acontecer era ficar com um vermelho no corpo, como se fosse tiro de paintball", garante.

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Nas imagens, é possível ver diversas pessoas sendo colocadas ao lado de alvos, enquanto tiros são efetuados. Em um dos vídeos, Fernando realiza disparos a uma distância considerável e o fato é comemorado por todos. À reportagem, ele explicou que "é um curso que nada tem a ver com atiradores. É de sobrevivência urbana, destinado a qualquer um que queira ter uma arma".



"Durante o curso fazemos uma demonstração para os alunos, onde os profissionais demonstram como funciona. Para os atiradores de tiro prático e esportivo, onde as regras são muito rígidas, ele entende aquilo como um absurdo. Aquilo que está no vídeo não tem nada a ver com esporte é um curso de defesa", completa.

"Este vídeo só tomou uma conotação maior porque estão questionando a técnica utilizada. Friso novamente, não tem nada a ver com o esporte, é para proteção. Tudo foi feito em uma espaço adequado, como manda o Exército. Toda as nossas armas utilizadas estavam regularizadas e são legais. Talvez tenha tomado esta proporção por conta do desconhecimento de alguns sobre isto", acrescenta.

Fernando argumenta ainda que diversas pessoas participavam do curso, inclusive policiais: "Não colocamos ninguém em risco, não existe ilegalidade na ação. Os disparos foram com munições de parafina misturada com outro material para deixar o projétil um pouco mais duro, que derrete. Não falamos para os alunos para não virar brincadeira durante o curso. Claro que ela perfura o alvo, que é de papel, mas se atingir qualquer pessoa, o máximo que vai ficar é vermelho, como se fosse um tiro de paintball",



O instrutor acrescenta que o curso é dado há três anos em Cuiabá e também ministrado em diversas cidades do país. "Sou policial militar, instrutor de tiro, faço isso há 14 anos. Os outros que estavam comigo me auxiliando também tem uma experiência e um currículo inquestionáveis. Não tinha nenhum amador fazendo isto. Para ter a ideia do bem que algo assim faz, tiveram pessoas que depois de realizar o curso, disseram que não iam mais comprar uma arma porque não teriam capacidade para tê-las. Ensinamos sobre procedimentos, técnica, abordagem. Tanto é que nenhuma autoridade me procurou, nem o Exército, pois sabem que não foi feito nada de ilegal".

A Atiradores Desportivos do Brasil (ADB) emitiu uma nota e disse considerar tais atos “descabidos, irresponsáveis e de completo desrespeito às normas básicas e procedimentos de segurança em estandes de tiro e no trato com armas de fogo de toda a natureza. Afirmamos que tais insanidades ferem os princípios pelos quais incansavelmente trabalhamos e não refretem a realidade e a seriedade com que é tratado o tema ‘Armamento e Tiro’ em todos os clubes de tiro espalhados pelo território nacional”.
 
Por fim, ainda pedem que as autoridades competentes apurem os fatos com brevidade e de maneira severa “de forma que tais acontecimentos não se repitam e não venham a desabonar a prática do tiro em nosso país. Igualmente, reafirmamos o nosso compromisso na manutenção do ambiente salutar dos estandes de tiro e no desenvolvimento da prática saudável e segura do tiro, em todas as suas vertentes”.

"Coloquei meus telefones em todos os grupos do país. Procuramos quem foi que emitiu esta nota, porque ela não está assinada. Infelizmente, as pessoas não estão preparadas, não entendo porque tomou esta proporção. Muita gente se esconde através das redes sociais para criticar sem saber. Consultei presidentes das federações nacionais e nenhum me questionou quanto a isto", disse o instrutor sobre a nota.

Experiência no curso

A reportagem do Olhar Direto conversou ainda com a servidora pública, Tabata de Almeida, que participou do curso de sobrevivência ministrado por Fernando. “Sou atiradora desportiva, não tem muito tempo. Meu marido é atirador também. Sempre fui muito valente e tem uma portaria nova que o Exército permite que eu ande com uma arma dentro do meu carro até o estande. Cuiabá está muito violenta, por isso decidi fazer o curso. Comecei a ficar com medo, vulnerável e soube do curso de sobrevivência urbana. Pesquisei o currículo do Fernando, ele teve curso em Israel. O Exército fala que eu posso andar com a arma, mas não dá os procedimentos. Eu atirar em um alvo de papel é uma coisa, tem várias regras de segurança, mas me defender é outra coisa, totalmente fora da realidade. 

"Mato Grosso tem muito estupro de mulheres, é muito fácil acontecer algo comigo, quero saber me defender, posicionar, onde olhar. Eu adorei o curso, me levaram ao máximo de adrenalina. Aquele vídeo que está rodando é uma injustiça, porque o instrutor que atirou, no meu exercício, ele ficou do lado do alvo. Eu dei mais de 100 tiros durante a manhã para fazer o exercício de túnel de visão. Eu ralei muito para concluir. Você tem que saber onde atirar e onde não atirar. Temos enfrentamento com munição de airsoft. Estão polemizando algo que nem sabem do que estão falando. Para quem acha que é valente e pode andar armado, ele traz à realidade", explicou a servidora pública.

Por fim, Tabata diz que "o ladrão não vai pedir com licença e por favor, vai me xingar, ofender, fazer o que quiser. Sou um alvo em potencial, eles vão atrás de quem tem arma. Estão querendo marginalizar o curso, infelizmente acontece esses exageros das redes sociais. Eu também sou árbitra de tiro desportivo, que cuida da segurança do esporte. O curso não tem nada a ver com o esporte. Eles dizem que 95% das situações de risco podem ser evitadas.Todos os instrutores são extremamente capacitados".

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