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Maluf nega existência de mensalinho e diz que Silval faz acusação para se livrar de condenação

Da Reportagem Local - Jardel P. Arruda / Da Redação - Érika Oliveira

07 Ago 2017 - 11:52

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto

Maluf nega existência de mensalinho e diz que Silval faz acusação para se livrar de condenação
A delação premiada entregue pelo ex-governador Silval Barbosa ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda aguarda para ser homologada, mas já tem provocado frenesi no meio político mato-grossense. Embora não tenha sido citado diretamente, o deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB), que exercia cargo no Legislativo quando os parlamentares supostamente recebiam “mensalinho” para garantir apoio à gestão do peemedebista, afirmou que o ex-governador está tentando “jogar responsabilidade sobre os outros” para se safar de uma eventual condenação na Justiça.

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“Nenhum [indício de ilícito]. Silval, inclusive, ia muito pouco à Assembleia. Talvez tenha alguns acordos políticos, que é diferente de mensalinho. Apoio político é favorecimento em cargos, em emendas parlamentares, mas mensalinho não. É como eu falo, as pessoas estão falando muito para se salvar, para jogar responsabilidade sobre os outros. Vamos ver o que ele tem de provas para apresentar”, rebateu o parlamentar, ao ser questionado se tinha conhecimento do referido esquema.

O acordo de colaboração de Silval foi assinado há cerca de dois meses com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e aguarda homologação do ministro Luiz Fux, do STF. Nele, o ex-governador de Mato Grosso relatou, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, pagamento de "mensalinho" para deputados estaduais que atuaram na sua gestão para lhe garantir apoio.

Como evidência, forneceu vídeos dos parlamentares estaduais recebendo dinheiro em espécie. Envolvidos no acordo afirmaram à reportagem que os valores giravam em torno de R$ 80 mil.

Além de negar a existência do suposto esquema, Maluf defendeu que a Justiça faça uma reavaliação sobre o instituto da delação premiada, pois, em sua opinião, muitos acordos vêm sendo “falseados” para que os verdadeiros responsáveis pelos crimes cometidos obtenham benefícios.

“Acho também que deve haver uma harmonização nessas delações. Muitas delas foram forçadas, muitas foram mal negociadas, muitas foram falseadas para se obter benefícios”, afirmou.

Silval governou Mato Grosso de 2010 a 2014. Ele foi preso em 2015 na operação Sodoma, que investiga crimes de fraudes na concessão de incentivos fiscais do Estado. Desde junho, porém, está em prisão domiciliar. No acordo assinado com a PGR, o ex-governador recebeu multa de R$ 80 milhões. Inicialmente os investigadores solicitaram o valor de R$ 150 milhões.

Silval Barbosa foi o primeiro ex-governador do país a se tornar delator. O advogado que negociou seu acordo, Délio Lins e Silva, é o mesmo que conduz a negociação da delação do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente preso no Paraná.

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