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Quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

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Recuo de Blairo Maggi atinge pelo menos 50 candidaturas e deixa órfãos em outros estados

Da Reportagem Local - Ronaldo Pacheco

27 Fev 2018 - 14:24

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto

Recuo de Blairo Maggi atinge pelo menos 50 candidaturas e deixa órfãos em outros estados
O semblante apreensivo, as mãos suadas e o olhar quase de desespero do deputado estadual Wagner Ramos (PSD) ilustra bem a incredulidade da legião de órfãos deixadas pelo ministro da Agricultura e Pecuária, senador Blairo Maggi (PP), com a sua desistência de disputar a reeleição para o Senado da República por Mato Grosso, em 2018. “Não existe outro igual. Pergunte por aí, para qualquer um. Para mim e meu grupo, vai fazer uma falta inestimável. Sou leal e vou respeitar sua decisão”, disparou Ramos, enquanto enxugava seguidamente o suor da testa e procurava aparecer na foto, ao lado do seu líder.   
  
Assim como Wagner Ramos, muitos são tratados como “órfãos de Maggi”. E alguns são figurões da vida pública mato-grossene, como o ex-prefeito Mauro Mendes, de Cuiabá; o secretário de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura, Neri Geller; os deputados federais Adilton Sachetti e Ezequiel Fonseca; os estaduais Baiano Filho, Oscar Bezerra e Ondanir Bortolini; os vereadores Paulo Araújo, Luís Cláudio Sodré, Diego Guimarães, Vinícius Correa Hugueney e Demilson Nogueira, que nos bastidores passaram a receber o tratamento como “órfãos de Maggi”.  

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A saída do “pai de todos”, como Maggi era chamado em alguns dos mais respeitados ambientes políticos de Mato Grosso, deixa à beira do desamparo dezenas de candidatos a cargos majoritários e proporcionais. O senador José Aparecido Cidinho Santos (PR) projetou em “mais de 50” os diretamente prejudicados com a desistência de Maggi. Ele não quis citar nomes “por questão de respeito aos companheiros”.
  
Já o presidente da Associação Mato-Grossense dos Municípios (AMM), ex-prefeito Neurilan Fraga, tem uma estimativa de que supera facilmente a 80 os candidatos que teriam algum tipo de auxílio de Maggi. Mesmo que fosse uma simples gravação de 30 segundos para o horário eleitoral gratuito do rádio e da TV, pedindo votos para o “candidato tal”, com o “número tal”.
 
“Mato Grosso sai perdendo. E o Brasil, também, porque ele é nome nacional. Ninguém é insubstituível, mas para muitos a perda é mesmo irreparável”, pontuou Neurilan, que possui um bom diálogo com o ministro da Agricultura.
 
Blairo Maggi tem fama de "pão duro", construída desde os tempos em que era o manda-chuva do Grupo André Maggi. Todavia, também, desde 2002, quando disputou e venceu a briga pelo governo estadual, é considerado bom em socorrer a amigos com “estrutura de campanha”. Traduzindo em português de período eleitoral: ajuda os candidatos aliados com combustível, gasolina, material gráfico, marketing e alguns – poucos, é verdade – até com dinheiro.
  
Não é à toa que, na sua despedida, no auditório da AMM, haviam parlamentares, líderes e dirigentes do PP, PSD, PSDB, PTB, DEM, PSB e PPS, entre outros. “Vamos continuar o projeto político-partidário, mas, sem dúvida, a perda é gigantesca e dolorosa. Existia a certeza de o PP conquisar uma cadeira no Senado”, citou o vereador Paulo Araújo.  
 
Fora de Mato Grosso
 
O prestígio do ministro da Agricultura e Pecuária transcendeu às divisas do seu Estado. Muita gente de fora de Mato Grosso também contava com apoio de Blairo Maggi.
 
Pré-candidata a governadora do Paraná, a vice-goverandora Cida Borgethi (PP), chegou a alardear em prosa e verso que teria Maggi e 80% do agronegócio em seu palanque. Ela é esposa do ministro da Saúde, deputado paranaense Ricardo Barros (PP), amigo de Blairo.
 
Dos 16 deputados federais do Pará, pelo menos três possuem fortes ligações com a agropecuária e davam como certo o apoio de Maggi. E, dos 17 deputados de Goiás, cinco imaginavam ter Blairo como um dos colaboradores de maior relevância.
 
A decisão do deputado goiano Roberto Balestra (PP) é contada quase como folclore nos bastidores políticos. Balestra teria recusado convide do senador Ronaldo Caiado (DEM), supostamente com direito a alguma estrutura, para permanecer no Partido Progressista e imaginariamente ter acesso ao eventual apoio ‘estrutural’ de Maggi.
 
É improvável que o compromisso de ajudar amigos financeiramente ou com estrutura durante as campanhas eleitorais tenha influenciado a decisão de Maggi. Contudo, é inegável que pode ter contribuído sim para ele ter ficado de ‘saco cheio’, em especial pela forma como vem via de regra a pressão dos candidatos que buscam o seu apoio. 

12 comentários

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  • JUSTO
    03 Mar 2018 às 13:20

    PARA MIM NÃO IRA FAZER FALTA, VOTEI DUAS VEZES PARA CIDADÃO E ME ARREPENDI, DEIXOU UMA HERANÇA MALDITA PARA MT CHAMADO SILVAL BARBOSA, HOJE A POLITICA MUDOU E POLITICOS ESTA VENDO ISSO E POR ISSO QUE ESSE SENHOR DESISTIU PORQUE ELA ENGANA SOMENTE OTARIOS.

  • Carlos Nunes
    28 Fev 2018 às 14:17

    Cuiabano nato...foi você que não entendeu. Pode deixar que se o Bolsonaro ganhar vai nomear o Blairo Maggi Ministro da Agricultura. Ótimo Ministro da Agricultura...péssimo senador pro povo mais humilde. Pra ser Ministro não precisa ser senador, ou precisa? Claro que não...uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Falando no Bolsonaro, circula na Internet uma pesquisa de intenção de votos, em que o Bolsonaro aparece com mais de 40% de intenção de votos...o Lula aparece na pesquisa, mas já tá lá embaixo... Será que o povo acordou, e descobriu que a Era Lula já passou? O que tinha que fazer, já fez, agora não vai mais fazer nada. Agora é Bolsonaro.

  • cleber
    28 Fev 2018 às 09:06

    vai e nao volta mais pra politica

  • CUIABANO NATO
    28 Fev 2018 às 08:35

    Caro Carlos Nunes! Acredito que vc não entende muita coisa de política. Analise bem o que Blairo significa para Mato Grosso e para o Brasil desde que ingressou na política. Como diz a matéria são mais de 50 possíveis candidatos que são afetados pela sua desistência. Mas pessoalmente acredito que a perca maior não está nessa ausência de apoio a esses pretensos candidatos, mas sim, o que o Brasil vai perder ou deixar de ganhar come ele fora da política. Basta ler um pouco e ver o que ele fez somente como Ministro da Agricultura. Fará muita falta!

  • Nonato
    28 Fev 2018 às 06:53

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Mendão
    28 Fev 2018 às 01:33

    É...depois do que aconteceu com Silval, Dilma,Lula e outros é melhor aposentar da política hein sr. Brairo.

  • Renato
    28 Fev 2018 às 01:19

    Com certeza esses candidatos que supostamemte se dizem órfãos do Blairo Maggi não conhecem a palavra bíblica onde diz: maldito é o homem que confia em outro homem.

  • Belmiro Moreira
    27 Fev 2018 às 21:06

    Carlos Nunes disse tudo

  • Lindomar Freire
    27 Fev 2018 às 19:35

    Ja assisti este filme varias vezes aqui em Mato Grosso, existia os filhos adotivos do Julio Campos, do Dante de Oliveira ,do Lourember do Jonas e agora as viuvas do BLAIRO como Wagner Ramos, Cidinho, Nininho e outros que ficaram muito ricos no seu Governo. Esse e a vida, uns saem outras entram.

  • nonato
    27 Fev 2018 às 18:06

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