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Sociedade de Anestesiologia pede prontuário de esteticista morta após cirurgia e investigação do MP

Da Redação - Wesley Santiago

21 Mai 2018 - 15:00

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto/Reprodução

Sociedade de Anestesiologia pede prontuário de esteticista morta após cirurgia e investigação do MP
A Sociedade Mato-grossense de Anestesiologia (Soma) pediu que o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM/MT) e o Ministério Público Estadual (MPE) investiguem o caso da esteticista Edléia Daniele Ferreira Lira, morta após uma cirurgia no Hospital Militar, em Cuiabá. Segundo o secretário da Soma, Felipe Audi Bernardino, o prontuário médico da paciente já foi solicitado, para tentar descobrir quem era o anestesista responsável no procedimento. Por fim, ainda criticou o programa ‘Plástica Para Todos’. “É uma massificação, sem o cuidado com o paciente. Vieram de fora e mancharam o nome dos nossos profissionais”.

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“Até o momento, não nos foi passado e confirmado quem era o anestesista do caso. Isso é muito estranho. Todos sabem quem foi o cirurgião. A família não soube nos dizer e isto causa estranheza. Estas pessoas fizeram um projeto de massificação de atendimento médico, que vai contra o código de ética médico e a ideologia de uma boa prática da profissão”, comentou o secretário ao Olhar Direto.
 
Felipe Audi ainda acrescenta que já solicitou ao CRM e ao MP que acompanhe o processo. Além disto, a Soma pediu acesso ao prontuário médico da esteticista. “É um fato muito grave e que merece a total clareza. A população precisa saber diferenciar quem está cuidando da saúde do paciente e quem está preocupado com o dinheiro. Este projeto só se preocupa com a remuneração. Faltou uma consulta pré-anestésica, acompanhamento pós-cirurgia. Pulou-se várias etapas fundamentais para a segurança”.
 
“São indivíduos que vieram de fora e mancharam o nome dos profissionais que estão aqui há anos, atuando e se preocupando com seus pacientes. É uma situação desastrosa. As pessoas precisam e devem desconfiar deste tipo de serviço”, finalizou o secretário.
 
O caso
 
A cuiabana Edléia Daniele Ferreira Lira, de 33 anos, Daniele Bueno nas redes sociais, faleceu neste domingo (13) após ser submetida a um procedimento de cirurgia plástica no Hospital Militar em Cuiabá. Ela foi encaminhada ao Hospital Sotrauma após passar mal e não resistiu. Ela era casada e tinha uma filha pequena.
 
Na última sexta-feira (11), Daniele havia feito uma postagem em um grupo de mamoplastia no Facebook dizendo que iria operar pelo Programa Plástica para Todos.
 
O Programa Plástica para Todos é recente em Cuiabá e sua divulgação acontece em um grupo fechado do Facebook, com mais de 7 mil mulheres. O nome dos médicos da equipe do programa, que realizaram o procedimento, ainda não foram divulgados.
 
Outro lado:
 
O diretor do Hospital Militar de Cuiabá, coronel Kleber Duarte, afirmou que o procedimento correu normalmente e Edléia Daniele Ferreira Lira saiu lúcida da cirurgia. Ela teria passado mal já quando chegou ao apartamento. O laudo da perícia ainda deve apontar a causa da morte.
 
A empresa Plástica para Todos se manifestou sobre o caso. Veja a íntegra da nota.

"Diante das recentes notícias veiculadas, a empresa “Plástica Para Todos”, por meio de seu advogado, vem a público esclarecer e corrigir alguns fatos equivocados, tornados públicos nos últimos dias.
 
- A empresa reconhece que não há palavras que possam aliviar a dor de familiares e amigos da paciente que infelizmente veio a óbito e, por isso, não poupará esforços para o rápido esclarecimento do caso, a fim de confirmar a ocorrência de fatalidade adversa que a vitimou.
 
- A qualidade e a regularidade dos serviços ofertados pela empresa, executados por profissionais habilitados e com registros junto aos Conselhos Regionais de Medicina e à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, são atestadas pelos milhares de procedimentos cirúrgicos já realizados em todo o país, sem que jamais tivesse ocorrido, até então, qualquer evolução de óbito, independentemente de sua causa.
 
- Com base neste histórico, é possível afirmar que o caso envolvendo a paciente, provavelmente, esteja isento de erro de conduta profissional, sendo típico de evoluções imprevisíveis. Mesmo assim, as causas somente poderão ser discutidas após o laudo do exame de necropsia.
 
- A empresa esclarece que os médicos credenciados possuem registro junto ao CRM de origem e local, inclusive quanto à especialidade de cirurgia plástica e ainda, faz-se importante registrar, que este mesmo hospital é frequentemente utilizado para realização de cirurgias por outros profissionais locais, também membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e não vinculados à empresa "Plastica Para Todos".
 
- Vale destacar que a existência de riscos em todos os procedimentos cirúrgicos em geral e suas causas nem sempre estão associadas à ocorrência de erros médicos ou de equipes multidisciplinares de saúde. Por conta disso, não há que se falar, até o momento, em causas de negligência, imperícia ou imprudência da equipe médica, tampouco do hospital onde o procedimento foi realizado, já que 70% (setenta por cento) das cirurgias plásticas realizadas no país ocorrem em unidades sem leitos de terapia intensiva, não sendo, portanto, obrigatório.
 
- A empresa “Plástica Para Todos”, que luta incessantemente para democratizar a especialidade, expressa os mais sinceros votos de confiança, depositados junto às autoridades instituídas e aos órgãos da classe e se mantém à inteira disposição para os esclarecimentos necessários, informando aos nossos clientes que, muito em breve, serão informados sobre a nova unidade hospitalar onde os procedimentos cirúrgicos serão realizados na cidade de Cuiabá".
 

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