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Domingo, 14 de agosto de 2022

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advogada e professora

Militante pelo direito das mulheres disputará cadeira na Câmara Federal por MT

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Militante pelo direito das mulheres disputará cadeira na Câmara Federal por MT
A professora, advogada e doutoranda em ciências jurídicas e ciências sociais, Ana Emília Iponema Brasil Sotero, já há muitos anos vem lutando pela defesa dos direitos das mulheres e dos negros. Buscando dar vez e voz às políticas sociais, agora ela pleiteia uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília, nas eleições deste ano. A militante defende que somente através da política será possível trazer mudanças reais à sociedade.
 
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A gaúcha Ana Emília Sotero mora em Cuiabá desde 1994. Aqui estudou direito e fez carreira profissional. Há mais de 20 anos em Mato Grosso, ela já possui cidadania cuiabana, cacerense, pontes-lacerdense e vila-riquense. Sua história na luta pelos direitos das mulheres começou há mais de dez anos.
 
“Eu milito na defesa dos direitos das mulheres desde 2003 e faço parte do fórum estadual das mulheres negras, então esta é a minha bandeira. Desde 2006 eu trabalho na questão do enfrentamento da violência doméstica à mulher, e todos os temas relacionados à defesa dos direitos das mulheres, esta é a minha missão. Pretendo dar vez e voz às políticas sociais”.
 
A professora está terminando doutorado nesta área. Como já atuou como superintendente estadual de políticas para as mulheres, Ana Emília diz que possui experiência com a causa.

“De 2010 a 2015 tive o prazer de implantar políticas públicas para as mulheres em Mato Grosso, fui a primeira gestora estadual de políticas para as mulheres. Naquela oportunidade trabalhei com as mulheres em situação de prisão, trabalhei com as mulheres indígenas, trabalhei com as mulheres negras, trabalhei com as prostitutas, trabalhei com as mulheres vítimas de violência doméstica e foi um trabalho fantástico. Nós não temos a noção de como é a vida delas, como é a realidade do dia a dia delas, e trabalhando com estas mulheres eu pude rever os meus conceitos  e me despindo dos pré-conceitos”.

Desde a mudança do último governo, ela avalia que houve um retrocesso com relação à políticas públicas.

“Infelizmente nós tivemos, não só em políticas para as mulheres este retrocesso, mas tivemos na igualdade racial, dos direitos humanos. E nós não vemos uma luta ou esforço para que isso seja retomado, pelo contrário, você lê e assiste exatamente a retirada dos direitos conquistados, principalmente pelas mulheres. É uma luta antiga, incessante, e é um legado que a gente pretende deixar”.

Ela afirma que a discussão sobre políticas para a defesa dos direitos das mulheres é recente.Ela teme que todo o sacrifício alcançado e todos os avanços conquistados sejam perdidos.

“A política para as mulheres é uma discussão nova, e embora a militância feminista seja uma luta já antiga, teve visibilidade aqui a partir de 2003 com a criação do Conselho Estadual de Direitos da Mulher, que tomou força a partir de 2006 com a criação da Lei Maria da Penha. Ou seja, 12 anos depois, tudo o que se conquistou no decorrer neste período, a gente viu ter um retrocesso, e a custa de milhares de vidas de mulheres brasileiras. Se nós chegamos onde chegamos é porque tiveram muitas mulheres que abriram esta estrada para que a gente pudesse estar aqui hoje discutindo políticas para as mulheres”.

Para as eleições deste ano, Ana Emília espera que haja uma mudança no perfil dos nossos representantes políticos. Ela reforça que há pouca representatividade feminina no meio político e que nossos políticos não refletem a diversidade do nosso povo.
 
“No congresso nacional, eu posso enfatizar que a questão da participação feminina, embora sejamos mais de 50% da população brasileira, estamos somente 9,9% representadas. Então a participação da mulher na política está extremamente tímida e escassa. Na questão de políticas para as mulheres, na política social em geral, nós tivemos um enorme retrocesso. Nós precisamos ter no congresso nacional a representatividade da diversidade brasileira”.

Ela defende que haja mais união entre as mulheres e que mais candidatas mulheres sejam eleitas, para defender os direitos das outras.

“Precisamos ter mulheres no parlamento, mas para que isso aconteça, nós precisamos de mulheres que fortaleçam mulheres, mulheres que se unam em prol de mulheres. Eu estive, em 2016, candidata a vereadora por Cuiabá e eu senti esta grande necessidade da união das mulheres em prol das mulheres, e eu venho conversando isso nas minhas palestras, nos meus cursos, porque enquanto nós mulheres não nos unirmos em prol de outras mulheres, independente de partido, mas mulheres que realmente nos representem, que vão responder aos nosso anseios e transformar isto em políticas públicas”.

Com o turbulento cenário político que temos no momento, Ana Emília avalia que o que é necessário, da parte de todos, é mais respeito com as diferenças.

“Hoje em dia nós estamos vivenciando esta disputa de poder e, infelizmente, esta questão do ódio, que está muito arraigado, e eu acho que para tudo isso falta uma palavrinha mágica: respeito. A sua opinião é diferente da minha e vice-versa, mas eu tenho que te respeitar para que eu possa ser respeitada. Eu posso não aceitar sua opinião, mas eu tenho que respeitar. E eu não posso, de maneira alguma, querer fazer com que a minha opinião prevaleça sobre a sua, podemos até chegar em um denominador comum, em um consenso, através do diálogo”.

Por causa do descontentamento de muitos com nossa realidade política, candidatos como Jair Bolsonaro (PSL), que promete uma mudança radical, têm ganhado força. A professora acredita que esta popularidade cresceu justamente por conta da busca da população por soluções rápidas.

“Eu não sei se ele tem tanta força. Eu acho que ele tem este crescimento porque as pessoas estão em busca de uma solução, de um salvador da pátria, que ele se apresenta como tal, ele se apresenta como a solução para todos os problemas do Brasil. As pessoas estão desmotivadas, o povo está desacreditado na política partidária, e ele se apresentou como o novo, como alguma coisa diferente, e a fala dele, a postura dele, vai diretamente de encontro com o que as pessoas esperam de alguém, então por isso eu vejo esse crescimento dele. Não sei até quando ele vai conseguir sustentar toda esta postura de salvador da pátria”.

Apesar deste descontentamento com a política, Ana Emília diz que não é possível trazer mudanças reais à sociedade sem ela.

“As pessoas estão com essa aversão a tudo que envolve política porque elas não têm a informação correta, elas não sabem o que é política. Não existe política pública sem a política partidária. Nós fazemos política todos os dias, a toda hora, inclusive a política da boa vizinhança, por exemplo, então nós vivemos política, nós respiramos política, mas pessoas confundem a política social e pública com a política partidária. As pessoas têm que entender que a política partidária é formada por homens e mulheres que têm defeitos e qualidades, mas não existe a política pública (segurança, saúde, educação, etc) sem a política partidária”.

Para que nosso cenário político mude, ela recomenda que os eleitores prestem mais atenção às propostas e que pesquisem sobre o candidato a quem pretendem dar seu voto.

“As pessoas têm que prestar atenção nas propostas. O povo brasileiro, de uma maneira geral, está mudando, está com outra visão. Aquelas campanhas com baixaria já não cabem mais. O que nós queremos são propostas que tenham consistência e que possam responder aos nosso anseios, às nossas necessidades. Então as pessoas precisam de informação correta, precisa de propostas eficazes e eficientes, precisam conhecer os candidatos”.

Ela se apresenta como uma candidata que poderá fazer a diferença. Seu foco será, principalmente, a defesa dos direitos das mulheres.

“Eu quero levar a mensagem para as mulheres, que temos que fortalecer as mulheres, nos unir com as mulheres, porque se nós queremos a mudança, que ela comece por nós, a partir da nossa união. Vamos colocar novas mulheres, com idéias novas, para que a gente possa alcançar a tão esperada mudança, já que somos 52% da população brasileira, somos mais de 52% do eleitorado de Mato Grosso, então nós fazemos a diferença”.

Sua bandeira também será com relação à educação, já que acredita que ela, de forma integrada, é capaz de mudar o cenário de violência contra a mulher.

“Nós precisamos pensar na educação de forma integrada, família e escola. É assim, senão a gente não chega a lugar nenhum, somente através da educação, da informação, do conhecimento, poderemos mudar a mentalidade e aí sim haverá a conseqüuente mudança de comportamento . Se não mudarmos a educação a partir de casa, nós não vamos chegar a lugar nenhum” .
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