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Laudo descarta perfuração de órgãos vitais em caso de esteticista morta durante lipoaspiração

Da Redação - Isabela Mercuri / Da Reportagem local - Fabiana Mendes

12 Jun 2018 - 18:01

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

João Marcos, diretor do IML

João Marcos, diretor do IML

A Perícia Oficial e de Identificação Técnica (Politec) entregou hoje, após vinte dias, o laudo de avaliação dos prontuários do caso da morte da esteticista Edléia Daniele Ferreira Lira, falecida  após uma cirurgia plástica no dia 13 de maio. A conclusão é de que não houve a perfuração de nenhum órgão ou veia vital, mas que ela morreu em decorrência de um choque hemorrágico em função de sangramento, diretamente ligado à lipoaspiração.

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O comunicado foi feito na tarde desta terça-feira (12), em coletiva de imprensa, na Delegacia de Homicídios de Proteção à Pessoa (DHPP). “A função pericial é estabelecer parâmetros de embasamento policial, a gente dá subsídios técnicos pra que o acontecimento seja bem apurado. E nós conseguimos através da análise dos prontuários estabelecer uma lógica de ligação direta entre a lipoaspiração e o evento final que é a morte da vítima”, afirmou o diretor da Politec, João Marcos Rondon.

Segundo o diretor, somente com o laudo não é possível avaliar se houve erro médico ou negligência e, agora, cabe à Polícia, ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina (CRM) fazer esta avaliação. “O atendimento prestado do momento em que houve a primeira parada cardiorrespiratória, segundo o que foi avaliado nos prontuários, foi dentro da regularidade. O fato em si, é que se não tivesse feito a lipoaspiração, não teria vindo a óbito.O laudo se restringe à avaliação específica do corpo, não tem como fazer avaliação do hospital”, completou.

Ainda segundo João Marcos, a hemorragia aconteceu durante o procedimento. “Quando eu falo em hemorragia, eu falo de uma lipoaspiração onde é retirada não só a gordura, mas o sangue sai junto, é inerente ao procedimento”, explica. “Não houve nenhum tipo de perfuração de grandes vasos, nada que sugerisse um vazamento de sangue”. Segundo o diretor, não é possível saber se a quantidade de sangue e gordura retirada foi maior do que o que se deveria.

A delegada Alana Cardoso, que conduz as investigações, afirmou que o trabalho está começando e, “Como se trata de um  evento bastante específico, técnico, nós precisávamos primeiramente do monitoramento do IML, da Politec pra que nós tivéssemos o start, o início do trabalho de investigação. É o nosso marco de responsabilização no campo criminal, e agora nós começamos efetivamente a investigação”, afirmou.

A partir de agora, a linha de investigação será para identificar os autores, os indivíduos responsáveis pela consequência que foi identificada no trabalho da perícia. “Nós assumimos as providências iniciais de juntar documentos, porque como se trata de um evento extremamente técnico, no inicio da investigação é análise de documentação pertinente ao caso, para a partir daí definirmos quais oitivas são necessárias”.

A delegada ainda afirmou que serão feitas análises e estudos antes de serem realizadas as oitivas, que o inquérito já está instaurado, e que será feito contato com toda a equipe médica e as pessoas que presenciaram os procedimentos feitos pós-cirurgia.

O caso
 
A cuiabana Edléia Daniele Ferreira Lira, de 33 anos, Daniele Bueno nas redes sociais, faleceu no dia 13 de maio, após ser submetida a um procedimento de cirurgia plástica no Hospital Militar em Cuiabá. Ela foi encaminhada ao Hospital Sotrauma após passar mal e não resistiu. Ela era casada e tinha uma filha pequena.
 
No dia 11 de maio, Daniele havia feito uma postagem em um grupo de mamoplastia no Facebook dizendo que iria operar pelo Programa Plástica para Todos. O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), afirmou que os médicos que operaram a vítima não possuíam registro de especialidade no Estado.

A esposa de Daniele, Simone, a acompanhou no dia do incidente. Ela contou depois, no boletim de ocorrências, que, já no quarto, sua esposa apresentou sangramento nas costas e dedos esbranquiçados. Ela ainda disse que teve que esperar por uma hora até que um médico chegasse e teve que deixar um cheque caução no valor de R$ 17,5 mil para que Daniele fosse transferida.
 
O Programa Plástica para Todos é recente em Cuiabá e sua divulgação acontece em um grupo fechado do Facebook, com mais de 7 mil mulheres. 

5 comentários

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  • Areal
    13 Jun 2018 às 11:14

    Fernanda, você vai me decupar , mas tem um carro todo arrebatado , um morto com múltiplas fraturas , uma bêbada ao volante e os peritos dizem que o carro esta a 30km/h em uma avenida? ai minha cara , não se trata de falta de equipamentos modernos , etc ...esses caras estão de sacanagem e agindo com interesses que vai além dos nossos entendimentos .....ou realmenteo eles são acima de tudo péssimos profissionais , no linguajar curto e grosso , são um bando de incompetentes mesmo

  • Fernanda
    13 Jun 2018 às 10:05

    Não estou aqui pra falar mal da POLITEC, mais os pessoal que trabalham la merecem mais respeito pois eles fazem sim de tudo, o que falta é equipamento adequado, moderno, espaço, ar condicionado, o lugar onde eles estão esta precário, antes de falar mal do profissional.. vão lá verificar o estado da POLITEC, não sou servidora publica, sou uma pessoa que perdi minha avó de 95 anos morte natural e precisou ir nesse lugar... eu assustei .... mas mesmo assim nos atenderam ... e saimos com o lauda em mãos... Tiro o chapéu para os funcionários da POLITEC.

  • Sampaio
    13 Jun 2018 às 09:38

    " Depois do caso da Médica e o Verdureiro , Se eu fosse parente dessa vitima solicitaria pericia em outro lugar essa POLITEC tá desacreditada , Esse laudo é furado...

  • fernando
    13 Jun 2018 às 09:37

    PESSOAS JOVENS NÃO COSTUMAM IR AO MÉDICO PELO SIMPLES FATOS DE SEREM JOVENS. DE REPENTE O PACIENTE POSSUI ALGUMA DOENÇA CARDIOLÓGICA E NEM SABE. SE NÃO FIZER EXAMES PRÉ-CIRÚRGICOS, A PROBABILIDADE DE NÃO VOLTAR DE UMA ANESTESIA GERAL, É GRANDE.

  • Areal
    13 Jun 2018 às 01:04

    LAMENTO MAS COMO CIDADÃO PERDI TOTALMENTE O RESPEITO PELA INSTITUIÇÃO DA POLITEC...ESTOU VENDO INFELIZMENTE QUE QUANDO HÁ INTERESSES OBSCUROS ELES AGEM SEM DÓ OU PIEDADE

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