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Segunda-feira, 20 de maio de 2019

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Delegado afirma que falta vocação para novos policiais e que muitos temem confrontos

Da Redação - Wesley Santiago

21 Jul 2018 - 15:42

Foto: Olhar Direto

Delegado afirma que falta vocação para novos policiais e que muitos temem confrontos
O diretor da Academia da Polícia Civil de Mato Grosso, delegado Carlos Fernando da Cunha Costa, afirmou – em entrevista exclusiva ao Olhar Direto – que falta vocação para os novos policiais que ingressam no órgão. Além disto, acrescentou que muitos destes novatos temem um confronto, mas ressaltou: “Nós trabalhamos para despertar a vocação, é como celibato, uma missão”.

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“Antes, as pessoas que entravam na polícia eram mais rústicas. Geralmente, o cara que ia ser policial era simples, um caminhoneiro, pedreiro. De certa forma, estas pessoas tinham uma vocação maior para usar uma arma, andar em mata fechada, caminhar 40 quilômetros, fazer bolha no pé e não reclamar”, explicou o delegado, responsável por formar novos policiais e pelos cursos da Polícia Civil.
 
Cunha ainda acrescenta que, agora, quem entra na polícia tem uma escolaridade mais avançada: “Para muita gente é o primeiro emprego. Estas pessoas são as que nós temos maior dificuldade de formar nelas o espirito guerreiro do policial. Muitas mulheres quando chegam no estande para dar um tiro, demonstram temor”.
 
“Nosso treinamento visa reformular o individuo para que ele tenha mais garra, agressividade, que você desperte nele uma vocação policial. Muitos entram achando que vão ser meros servidores públicos. Você tem que estar muitas vezes disposto a colocar sua vida em risco para servir o público. Quantas vezes tive que sair de madrugada para achar um cativeiro onde uma criança estava sendo mantida refém no meio da mata. Ninguém hesitava, todos estavam dispostos a ir. Hoje, você chega em um grupo de policias e eles dizem que não vão, vão ficar na viatura ou pedem para esperar o dia amanhecer. É preciso formar todos para estar na linha de frente. Ser policial é um celibato, igual ser padre, tem que ter vocação”, afiançou o delegado.
 
Cunha, que entrou na polícia em 1989, afirma que “se eu tivesse que ir hoje para uma situação de risco, arriscar minha vida, não pensaria duas vezes, iria vibrando. Buscamos um treinamento para resgatar o leão no coração de cada um destes jovens. O público que recebemos hoje é mais intelectualizado. Muitos acabam se encontrando, desenvolvem. Temos lutado para isto”.
 
O delegado possui graduação em Direito pela Universidade São Francisco (1996), especialização em Direito Penal e Processual Penal pela Escola Superior do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, em convênio com a Universidade de Cuiabá (2007) e especialização em Prática Pedagógica no Ensino Superior pelo Centro Universitário Cândido Rondon (2011).
 
Além disto, também tem especialização em Gestão de Segurança Pública pelo Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso (2015) e mestrado em Direito Agroambiental pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (2012).
 
Atualmente, é delegado de classe especial na Polícia Civil, onde exerce a função de Diretor da Academia de Polícia, tendo lecionado Direito Penal no Centro Universitário Cândido Rondon, e na Faculdade para o Desenvolvimento do Estado do Pantanal Mato-grossense, em Cuiabá - MT. Tem experiência nas áreas de Direito e Processo Penal, Direito Ambiental e Administrativo Disciplinar.

95 comentários

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  • Ethan Rainer
    28 Jul 2018 às 20:28

    Até parece que a sociedade entende a diferença entre Delegados, Investigadores e Escrivães! Quando a população chega na delegacia ela quer ser atendida e pra ela tanto faz se é Delegado, Investigador, ou Escrivão. Eles não dão a mínima. A Ineficiência da Investigação Criminal no Brasil: O Nosso Constituinte Originário de 1988. Nunca imaginaria que a Segurança Publica Brasileira chegaria a beira do abismo como se encontra hoje. São dezenas de pessoas mortas todos os dias no Brasil. Matam-se mais de que qualquer Guerra já existente. E o que é pior noticia passada todos os dias e nada muda? Ora a quem devemos atribuir esse fracasso institucional da atividade policial no Brasil. Muitos Governantes por desconhecimento de uma Policia Moderno, culpa sempre o Poder Judiciário. Fato que discordo totalmente a Policia Brasileira em especial as Policias Civis dos entes federados não fazem Investigação Criminal e sim "papel" que muitas vezes não leva a resultado nenhum . Um exemplo claro é o Inquérito Policial por incrível que parece existentes apenas no Brasil. Como se ter um Policia Brasileira Moderna se o Inquérito Policial não permite, uma vez que ele centraliza a Investigação a figura do Delegado de Policia, ora existente apenas no Brasil. E o que é pior a imprensa brasileira comporta

  • Tiago
    24 Jul 2018 às 08:10

    Quanta besteira comparar os policiais de antigamente com os de agora, pois , antes não tinha tanta lei protegendo bandido podia fazer o que queria e como queria com os pebas que estava tudo resolvido. Se fosse hoje em dia esses policiais que se dizem raiz estavam todos presos sem assistência nenhuma porque os direitos dos manos tomou conta da sociedade. É fácil falar difícil e fazer !!!!

  • RENATO
    23 Jul 2018 às 15:46

    E os delegados? kkkk. Quem vive uma delegacia sabe como as coisas realmente funcionam. Gente ruim em todo o lugar, em toda a profissão, tem delegado ruim e delegado bom. Um agente público pra dar entrevista deveria pensar um pouquinho mais em suas palavras, e guardar seu critério pessoal para si.

  • Juliano
    23 Jul 2018 às 15:27

    O erro dessa situação começa no edital e na aplicação da prova objetiva, porque não focam na carreira. Geralmente quem passa é o concurseiro de que estudo básico para todos os cargos. Esses concurseiros procuram custo X benefício. Não há comprometimento e nem sonho em serem polícias. Exemplo disso que o certame para os cargos de Agente e Escrivão da Polícia Federal.

  • Pedro Alcantara
    23 Jul 2018 às 14:07

    O Delegado está coberto de razão, todavia, esquece de mencionar que 95% dos chefes de departamento no Brasil, também não têm vocação policial, sabe apenas emitir ordem sem ter a experiência policial para tanto. A imensa maioria também estão em busca de estabilidade e o trabalho, ou seja falta vocação. Fenômeno esse que está ocorrendo com a exigência de nível superior para os demais cargos, que fique claro que não sou contra tal exigência, isso porque depois que a polícia começou a exigir escolaridade superior, a corrupção na polícia diminuiu sobremaneira, todavia subsiste a entrada de policiais sem o espírito policial. A solução no meu ponto de vista, seria entrada pela base (carreira única), ou seja patrulhamento (policial de rua) nível superior, mas sem a necessidade de ser bacharel em direito, tal qual ocorre em 99% dos países do mundo. Nesta perspectiva, o patrulheiro iria ascendendo, com experiência profissional adquirida e meritocracia até chegar a ser chefe de polícia (ciclo completo). Assim eliminaríamos os concurseiros, ou você acha mesmo que um bacharel em direito iria patrulhar ruas, passar noite e noites claro? Obviamente que não. Caso contrário a nossa polícia, a cada dia ficará menos combativa. Muda Brasil #carreiraúnicaeciclocompletodepolicajá

  • 007 JAMES BOND
    23 Jul 2018 às 13:49

    SER POLICIA É PRA CABRA MACHO, SE NAO TIVER O PERFIL VAI FAZER OUTRA COISA CURSO DE CORTE COSTURA.

  • ROBERTO
    23 Jul 2018 às 13:47

    Nao seria o caso de escolaridade. Ou nivel superior nem se trata de investigador escrivao ou delegado . Se esta no sangue na veia ser policial independe sua formação. E sim no que vc quer e acredita. Ser policial e pura vocacao academia nao forma ninguém.

  • O que é isso companheiro?
    23 Jul 2018 às 12:11

    Idem para delegados também dr, se sobrou 3 ou 4 delegados saco roxo nesse estado é muito, e certeza que o sr não está incluso nesse seleto grupo.

  • curimbatá
    23 Jul 2018 às 11:56

    se for mencionar o psicológico do BOPE...nem se fala. parecem todos perturbados, cara feia...acho que é falta do RGA ou tanta caveira.

  • Ana Paula
    23 Jul 2018 às 11:30

    Sou policial civil e também afirmo que a grande maioria dos delegados não tem vocação. Também são seus primeiros empregos, a maioria continua sendo concurseiro, não sabem formalizar Ordens de Serviço, são prepotentes e não aceitam sugestões. E quem sofre com isso? A sociedade.

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