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Após vencer o câncer, Sachetti se diz pronto para novo desafio: de cabelo branco, mas com muita energia

Da Redação - Érika Oliveira

25 Ago 2018 - 15:10

Foto: Rogério Florentino Pereira/ OD

Após vencer o câncer, Sachetti se diz pronto para novo desafio: de cabelo branco, mas com muita energia
Os últimos quatro anos da vida do deputado federal Adilton Sachetti (PRB) foram marcados por uma longa luta contra o câncer. A doença, que lhe acometeu em fevereiro do ano passado, vitimou sua esposa, Rose Sachetti, dois meses depois. Um ano após esse período conturbado, o parlamentar decidiu batalhar por uma candidatura ao Senado. E enfrentou resistências, mas garante que está pronto para este novo desafio: “desafios novos é que me atraem, minha missão na Câmara já estava encerrada”, disse, em entrevista exclusiva ao Olhar Direto.

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“Quero fazer com que as pessoas percebam que tem um velhinho de cabelo branco com muita energia ainda, muita vontade de trabalhar por esse Estado, e que quer ser senador”, disse o candidato, que foi um dos mais cortejados na pré-campanha deste ano, mas por pouco não desistiu do pleito em função das dificuldades em coligar.  

Sachetti confirmou a candidatura ao lado de Wellington Fagundes (PR) na semana das convenções partidárias, após exaustivas conversas com o grupo de Mauro Mendes (DEM), que acabou optando por coligar com Carlos Fávaro (PSD).

O deputado chegou a receber convites para ser vice-governador na chapa de Pedro Taques (PSDB), mas recusou a aliança com o tucano, de quem já havia se distanciado desde as últimas eleições. “Não foi para querer ser autoritário, é que eu acho que estou pronto para servir o Estado de outra maneira”, justificou.

Aos 62 anos de idade e quase 15 de vida pública, o ex-prefeito de Rondonópolis garante que não representa a “velha política” e promete uma campanha “sem falsas promessas, mas com discussões sobre o que pode ser feito”.



Veja a íntegra da entrevista:

OD - Durante o período de pré-campanha o senhor adotou uma postura que foi tida por alguns como autoritária, ao dizer que se não fosse candidato ao Senado não seria candidato a nada. Por que desse posicionamento?

Sachetti - Eu trabalhei para ser candidato a senador. Eu não construí nada para ser deputado ou vice-governador. Eu me preparei para isso, se não desse, eu não tenho a intenção de ser carreirista político, desafios novos é que me atraem e o Senado me atraia. Não foi para querer ser autoritário, é porque a minha missão na Câmara já estava encerrada. Eu acho que eu estou pronto para servir o Estado de outra maneira.

OD - O senhor negou formar aliança com o Taques, mesmo tendo sido bastante cortejado por ele. Naquele momento de articulações o senhor viu um Pedro Taques isolado? Como o senhor avalia essa debandada de aliados?

Sachetti - Eu nunca deixei de conversar com o Pedro Taques. Eu me afastei dele politicamente, mas nunca deixei de conversar com ele, nem de tecer criticas. Todas as criticas que eu fiz publicamente, primeiro as fiz pessoalmente a ele. Então criou uma expectativa por conta de uma reunião que eu fiz com ele, mas foi uma reunião que não era para arranjo de nada. Mas eu conversei com todas as forças políticas, não botei obstáculo a nenhum. Claro que as pessoas se afastaram do Pedro, ele adotou uma maneira diferente de fazer política que não atendeu aos anseios daqueles que ajudaram a construir a caminhada para qual ele foi vitorioso. Muita gente ficou contrariada, ele teve problemas por causa disso. Ele poderia ter tido uma administração muito mais fácil se tivesse tido a classe política o apoiando, se tivesse convergido todos os pensamentos. Não precisava conceber nada para fazer aquilo que ele acreditava, mas ele decidiu excluir as pessoas achando que com isso poderia tocar o Governo sozinho. Isso afastou todo mundo dele.



OD - No dia do lançamento da candidatura do Wellington, o senhor disse em seu discurso que ele tinha capacidade de colocar pessoas com pensamentos antagônicos no mesmo palanque. Falando do seu perfil, em quais pontos o senhor e o Wellington divergem?

Sachetti - Eu e o Wellington, pessoalmente, somamos muito. Tanto é que lá atrás quando fui candidato a prefeito em Rondonópolis seu filho foi meu vice. Nós nunca fomos próximos nas decisões políticas e na campanha, desde o início eu trabalhei na construção com outro grupo e ele sabia disso, mas ele me recebeu sem nenhuma cobrança, muito pelo contrário, me deu toda a condição para ser candidato na chapa dele. Ele conseguiu juntar esquerda e direita, usando aquilo que a gente tem que usar sempre: a soma das minorias. Ele procura conversar, procura ouvir a todos. E não adianta a gente pensar que o Brasil vai se dividir em dois, é um povo só, apesar das ideias divergentes. Nós vamos fazer essa campanha respeitando cada um.

OD - Temos visto um embate quase que pessoal entre o Pedro Taques e o Mauro Mendes. Como o senhor avalia esse conflito entre os dois? Teme que o Wellington perca protagonismo na campanha por conta disso?

Sachetti - Acho que o Wellington vai colocar as propostas dele e a sociedade está cansada de ver gritaria, ataques pessoais, de os extremos se atacarem. Eu acho que as pessoas querem saber daquilo que poder ser feito no Estado, daquilo que pode mudar a vida das pessoas, a campanha política é para isso. E o que não dá para ser feito também tem que ser dito na campanha. Nós vamos discutir os caminhos que serão melhores para melhorarmos o nosso Estado, para que as pessoas possam ter oportunidades, para que não dependam de programas públicos, para que possam empreender, enfim, políticas públicas nesse sentido. Ficar discutindo um contra o outro não engrandece o debate.

OD - Outro assunto bastante comentado nos últimos dias foi a declaração de bens dos candidatos. Se analisarmos o patrimônio do senhor quando disputou a Prefeitura de Rondonópolis, em 2008, seus bens somavam cerca de R$ 7 milhões a mais do que atualmente. O que “empobreceu” o senhor?

Sachetti - Logo depois que eu disputei a Prefeitura de Rondonópolis nossa família teve problemas. Poucas pessoas sabem disso, mas nós tivemos uma safra frustrada de algodão, e nós tivemos que vender parte do patrimônio para honrar nossos compromissos. Mas honramos tudo, não deixamos contas para trás, por isso meu patrimônio diminuiu. Eu tive que pagar prejuízo de duas safras seguidas de algodão. Se na época existisse recuperação judicial, porque não tinha, eu teria pedido.

OD - O senhor mesmo já admitiu que por questões pessoais, envolvendo o falecimento da sua esposa por exemplo, o senhor não conseguiu ser um parlamentar tão atuante como pretendia nos últimos anos. Nesse sentido, quais ações o senhor não conseguiu realizar e que pretende tocar agora, caso eleito, lá no Senado?

Sachetti - A minha presença aqui no Estado, queria ter estado mais próximo das pessoas. No início do meu mandato, por volta do quarto mês, foi diagnosticada a doença da Rose, e isso nos tirou toda a mobilidade. Nossa vida era o hospital em São Paulo, a Câmara dos Deputados em Brasília e vinha aqui para Mato Grosso apenas um dia, ver as demandas que tinham no escritório e já voltar para a rotina lá fora. Então, isso me frustrou naquilo que eu queria ter feito enquanto deputado. Eu não deixei de fazer a defesa dos interesses do Estado, em toda as votações importantes eu estive lá. Um exemplo, claro, é a questão das hidrovias que existe um decreto legislativo de minha autoria para discutir a viabilidade das hidrovias do Paraguai, do Teles Pires e do Tapajós. Isso está lá parado, se eu pudesse ter me dedicado integralmente a Câmara eu teria tocado esse projeto. Nesse meio tempo eu também tive problema de saúde, eu tirei a minha próstata, estava com câncer – graças a Deus em fase inicial e estou totalmente curado -, então tudo isso tirou de mim um pouco a capacidade que eu acho que eu tinha, eu acho que poderia ter sido mais produtivo.

OD - Em algum momento o senhor pensou em desistir da vida pública?

Sachetti - Não. Esse Estado me deu tudo que eu tenho. Eu vim para cá em busca de um sonho e acho que o realizei. Eu trabalhei, eu abri propriedade, abri lavoura, fiz cidades, e isso faz a gente avaliar que pode contribuir na área pública também. Fui prefeito de Rondonópolis procurando levar conceitos diferentes de gestão, na época talvez incompreendido, mas depois eu acho que as pessoas reconheceram a minha intenção, tanto que fui eleito deputado depois com 50% dos votos. Eu quero retribuir ao carinho que o Estado me deu, dedico parte do meu tempo a isso, sem ganhar dinheiro para isso. É até fácil ver pela minha declaração de patrimônio, é sinal que a vida pública não remunera e não dá para mim os recursos que eu recebo. O salário de parlamentar paga o meu dia a dia, mas não me traz retorno financeiro. Mas a minha contrapartida é com a sociedade, que me deu a oportunidade de fazer a minha vida aqui.

OD - A gente sabe que um dos setores que mais agrega voto em Mato Grosso é o agronegócio, que este ano no que diz respeito à disputa ao Senado está bastante dividido. Qual deve ser a estratégia de campanha do senhor para mostrar aos produtores que o senhor é quem melhor os representa?

Sachetti - Um senador não pode pensar apenas em uma bandeira, ele tem que defender o Estado e do povo que vive nesse Estado. O agronegócio faz parte desse Estado, faz parte da minha vida, então por consequência eu irei defendê-lo. É claro que não vou jogar contra o agronegócio, mas eu quero trabalhar por todo o Estado. Conhecendo Mato Grosso como eu conheço, conhecendo a gestão, eu sei que posso fazer um trabalho que traga resultados para a população, por isso eu estou candidato. Mas eu acho que todos defendem o agronegócio, ninguém vai deixar de defendê-lo. Pode ser que a pessoa não tenha conhecimento de causa, mas vai defender. As pessoas vão saber distinguir, mas aí é questão do eleitor. Nós iremos passar a nossa mensagem dizendo quem nós somos.



OD - O senhor foi diretor da extinta Agecopa quando a autarquia foi pensada pelo ex-governador Blairo Maggi, que era um defensor da implantação do BRT em Cuiabá. Então o senhor conhece esse problema do VLT desde a origem. Na sua opinião, qual é a solução para o problema do VLT?

Sachetti - Esse foi um erro grave que foi cometido. Na época em que eu estava na presidência eu não abri nenhuma conversa sobre VLT, não havia sequer estudo para a implantação, que alicerçasse a viabilidade técnica e econômica desse modal. Havia estudos, desde quando Roberto França era prefeito, para a construção de um BRT em Cuiabá. Quando eu assumi a Agecopa nós demos sequencia a esses estudos, contratamos o BRT, R$ 430 milhões foram contratados – originalmente era R$ 280 milhões, depois por interferência política criou-se uma segunda linha. Para minha surpresa, logo depois que eu saí da Agecopa começou-se a falar de VLT e poucos dias depois já estavam fazendo um RDC (Regime de Contratação Diferenciada) para contratar o VLT, sem nenhum estudo. E ta aí o problema agora. Mas com honestidade, eu não parei para fazer uma avaliação precisa sobre como isso pode ser resolvido. Na minha opinião modesta, sem estudos, eu faria um trecho para analisar a viabilidade. Porque teoricamente ele é um sistema de transporte extraordinário, mas precisa ver os custos, saber se o Estado vai ter condições de bancar. O Pedro Taques se perdeu nesse negócio. Quando a coisa começa mal feita, fica até difícil para quem assume saber que ação toma. Foi tudo muito mal versado. Mas o Estado está interferindo no sitio urbanos da cidade sem ter a anuência do prefeito. Quer dizer, o Taques com essa maneira dele de tocar o seu pensamento, a sua visão de gestão, também se perdeu na historia do VLT. Eu acho que faltou decisão.  Ele ficou com medo, preocupado em fazer auditoria, nada trouxe resultado, ou seja, ele só andou ao redor do toco.

OD - A Assessoria de imprensa do senhor nos encaminhou um material sobre o empenho de emendas do senhor para as entidades filantrópicas, uma delas a Santa Casa de Rondonópolis, que vem reiteradas vezes suspendendo atendimento alegando justamente falta de recursos. Na avaliação do senhor, por que essa verba não está chegando lá na ponta? Pretende tomar alguma medida, caso eleito, para reverter este quadro?

Sachetti - O dinheiro está chegando. Aí tu tem que perguntar para a Santa Casa qual é o problema lá, a minha parte eu fiz. Mas não vão ser as nossas emendas que vão resolver essas questões. Quando eu me dispus a apoiar as entidades filantrópicas é porque eu sei que algumas doenças, como a que levou a minha esposa, só são tratadas por eles. Eu sei o que é ter o câncer dentro da sua casa. Mas questões de gestão, de recurso, se o Estado pagou ou não pagou, são questões políticas. A Saúde precisa ser rediscutida. Não dá para prometer saúde plena na condição que o Brasil vive. Não dá para chegar aqui condenando a entidade ou mesmo condenando o Estado, por uma coisa que tem que ser muito mais aprofundada. Eu sei que na época eleitoral muita gente aparece para dizer: eu resolvo. E aí ele ganha o voto. Mas com toda honestidade não é um problema fácil de se resolver.

OD – Passada toda a celeuma envolvendo a definição da sua candidatura, quais os próximos passos a partir de agora?

Sachetti - Vamos apresentar o nosso programa, nossos projetos, nossa forma de ver a política. Quero fazer com que as pessoas percebam que tem um velhinho de cabelo branco com muita energia ainda, muita vontade de trabalhar por esse Estado, e que quer ser senador. Não vou prometer o que não posso, vou falar das dificuldades que existem na política, mas vamos trabalhar para mudar as coisas.

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