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Após rompimento

Assessoria jurídica de Taques "monitora" pronunciamentos de Selma Arruda no Facebook

Da Redação - Érika Oliveira

04 Set 2018 - 11:21

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Assessoria jurídica de Taques
Agora oficialmente sem tempo para fazer propaganda na TV e no rádio, a juíza aposentada Selma Arruda (PSL) já avisou que vai investir cada vez mais nas chamadas “lives” através das redes sociais. A ferramenta já vem sendo utilizada pela candidata ao Senado desde quando estava aliada a Pedro Taques e Nilson Leitão, ambos do PSDB, e foram justamente esses vídeos que deram início a crise dentro da coligação, que resultou na saída de Selma. Com declarações cada vez mais polêmicas que incluem chamar seus ex-aliados de “corruptos”, Selma passou de “trunfo” da chapa a alvo da assessoria jurídica dos tucanos.

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O governador Pedro Taques declarou que não assistiu aos vídeos mais recentes de Selma, e sustentou que isso é assunto para seus advogados. “A bíblia diz que existem dois caminhos: um caminho mais largo e um caminho mais estreito. Eu estou percorrendo o caminho mais estreito, que é mais difícil. Mas eu tenho certeza que chegaremos a bom termo lá na frente. (...) Eu não vi o vídeo, não posso comentar de ouvir dizer. A minha assessoria jurídica vai ouvir e vai decidir”, declarou o governador Pedro Taques, ao ser questionado sobre as declarações de Selma Arruda.

Na noite da última segunda-feira (03), a candidata fez mais uma live em seu Facebook explicando aos seus eleitores porque saiu da coligação ‘Segue em Frente Mato Grosso’, encabeçada por Pedro Taques e que tem como candidatos ao Senado além dela o deputado federal Nilson Leitão.

Na semana passada, em coletiva de imprensa que também foi transmitida em suas redes sociais, Selma afirmou que além das questões envolvendo a distribuição de tempo de TV entre ela e Leitão, estaria declarando “independência” dos tucanos em razão das delações de Alan Malouf e Permínio Pinto, homologadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Na último vídeo que gravou, a juíza aposentada pesou ainda mais o tom. “Eu vou mostrar aqui só uma pontinha do que eu descobri, que para mim são indícios muito fortes do envolvimento dessas pessoas [Taques e Leitão] com aquele esquema da Seduc, da operação Rêmora”, disse Selma, apresentando um ‘dossiê’ que mostra Permínio Pinto como ex-assessor de Nilson Leitão. A candidata assevera, ainda, que o ex-secretário foi nomeado na Seduc “com a missão de colher para si e para seu chefe dinheiro de propina para pagamento de Caixa 2”.

A assessoria jurídica de Taques é coordenada pelo advogado José Antônio Rosa, que classificou Selma como “adversária” da coligação, apesar de a juíza aposentada legalmente ainda fazer parte dela. Os advogados estão acompanhando todos os pronunciamentos da candidata e avaliam se cabe acioná-la judicialmente.

“A coligação só se forma com um objetivo comum, que é de levar a propaganda dos candidatos para a população. Então a partir do momento que ela declara que não vai fazer campanha nem com o governador e nem com o candidato a senador, e além disso fala mal dos dois, como no vídeo em que ela os chama de delatados, então esta posição dela, como ela está colocando, ela tinha que ter saído da coligação, como ela não saiu os partidos decidiram que não tem nenhuma participação dela em nada mais”.

Delações

Nos últimos dias, o jornal Folha de S. Paulo revelou que o ministro Marco Aurélio, do STF, homologou os acordos de colaboração premiada do empresário Alan Malouf e do ex-secretário de Educação Permínio Pinto, ambos envolvidos no esquema de fraude em contratos da Seduc para beneficiar empreiteiras em troca de propina para quitar dívidas da campanha eleitoral de 2014.

Tanto Malouf quanto Permínio Pinto afirmam em suas delações que Pedro Taques tinha total conhecimento do esquema. O ex-secretário de Educação teria, ainda, entregue mensagens de WhatsApp aos investigadores, em que o governador aparece pedindo para que ele facilitasse licitações, com o objetivo de beneficiar os seus credores.

Conforme as declarações de Permínio, Alan Malouf e o ex-chefe da Casa Civil e primo do governador, Paulo Taques, seriam responsáveis para que juntos com os demais secretários "encontrassem uma forma de captar recursos para quitar dívidas de campanha deixadas para trás". O governador nega todas as acusações.

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