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Segunda-feira, 20 de maio de 2019

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Delegado geral defende fechamento de unidades e diz que Claudinei mudou posição por política

Da Redação - Fabiana Mendes

16 Mar 2019 - 11:58

Foto: Assessoria

Delegado geral da Polícia Judiciaria Civil de Mato Grosso, Mário Dermeval.

Delegado geral da Polícia Judiciaria Civil de Mato Grosso, Mário Dermeval.

O delegado geral da Polícia Judiciaria Civil de Mato Grosso, Mário Dermeval Aravechia, defendeu o fechamento das 16 delegacias no interior e afirmou que a única solução seria a realização de um concurso público. Durante audiência pública na Assembleia Legislativa (ALMT), na manhã desta sexta-feira (15), para discutir o assunto, ele afirmou que o lado politico não é levado em consideração e citou ainda que o deputado delegado Claudinei (PSL), defendia o fechamento das unidades quando atuava na segurança pública, mas agora que é deputado mudou de posição.

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O governo bateu o martelo e definiu que as delegacias de Mato Grosso terão as atividades suspensas devido à falta de efetivo. As unidades policiais estão localizadas em municípios que não são comarcas (não tem juiz, promotor e defensor público), e apresentam baixo índice de produtividade e registros de ocorrências, conforme explicação do Executivo.
 
Para o delegado geral, a única solução viável seria a realização de um concurso público para investigadores e escrivães. Porém, da elaboração de um certame até o chamamento dos aprovados, poderia demorar cerca de dois anos. O último concurso aconteceu em 2013.
 
“Infelizmente não há outra opção. Se o problema fosse financeiro, sentaríamos com os prefeitos, trabalharíamos para elaboração de um termo de cooperação. Não há intenção nenhuma da polícia em suspender o funcionamento das unidades, o problema é que não tem gente. Por mais que os municípios, por exemplo, desponham servidores municipais, eles não são policiais. E o policial trabalhando sozinho em uma unidade não investiga, e a função da Polícia Civil não é de policiamento ostensivo, é de investigação, inquérito”, relatou.
 
Mário Dermeval explicou que o “lado político” não foi levado em consideração para que a decisão fosse tomada. Segundo ele, a polícia trabalha dentro de critérios estritamente técnicos. “Pois não há politica que resolva essa situação neste momento, infelizmente”, lamentou. “Eu entendo os posicionamentos dos deputados, eles são políticos, tem que defender o seu eleitorado. O doutor Claudinei era delegado até cerca de um ano e meio atrás, e ele solicitava o fechamento das unidades, agora ele é deputado, né ”, acrescentou.
 
O pesselista foi responsável pela administração de 14 unidades do polo regional Rondonópolis, de acordo com as Regiões Integradas de Segurança Pública (RISP). Claudinei atuou por 15 anos na Polícia Judiciária Civil e trabalhou 14 deles na região Sul do Estado. Atuou nos municípios de Juscimeira, Jaciara e depois foi lotado em Rondonópolis na Divisão de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), Delegacia de Roubos e Furtos (Derf), Delegacia do Adolescente e por último estava na coordenação da 1ª Delegacia de Polícia.

O delegado Claudinei, que vê o fechamento das delegacias como preocupante, afirmou entender o relatório da Segurança do Estado de Segurança Pública (Sesp), mas acrescentou que irá buscar alternativas com o governador, Polícia Civil e o sindicato, para tentar amenizar o impacto da decisão. 

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“É uma situação preocupante, principalmente para a população, moradores dessas cidades. Dependendo da localização vão sofrer muito com a distancia de mais de 100 quilômetros, estradas de terra, até chegar em uma delegacia mais próxima”, disse. “Vamos sair daqui e tentar agendar com o governador do Estado, chamar a própria direção da Polícia Judiciária Civil, o sindicato, para estarem junto conosco, para conversar com o governador, ver uma alternativa, uma solução rápida”.

Questionado sobre a fala do diretor geral, o delegado Claudiney explicou ao Olhar Direto que quando atuava na delegacia de São José do Povo, defendeu o fechamento da mesma, por problemas de estrutura. A unidade apresentava uma rachadura que colocava o imóvel em risco de desabamento. “O estado alegava que não tinha como reformar a delegacia, não tinha recursos, não era nem questão de efetivo. Desde a época só um investigador e um servidor cedido pelo município. Já que o estado não tinha dinheiro, eu até me manifestei na época para fechar a delegacia. Eu concordei que como não tinha reformar e tinha o perigo de desabamento, eu tinha que concordar, não tinha outra opção”, relatou. Na ocasião, o prefeito, com auxílio dos vereadores conseguiram reformar a unidade, que acabou não sendo fechada.
 
“Hoje a gente tem outra visão. Eu como deputado estadual sou até cobrado pelos prefeitos. Na regional de Rondonópolis, [as delegacias de] Tesouro, São José do Povo e Ponte Branca irão fechar. Todos esses municípios me ajudaram como [delegado] regional, investiram nas delegacias, ajudaram na reforma, cederam servidores para ajudar no trabalho interno. Hoje é normal que eles venham cobrar a gente como deputado estadual um apoio para que não fechem as delegacias. Hoje a gente tem a visão deputado estadual, a gente tem que olhar o estado todo e vê o que é melhor para a população", ponderou. 
 

 

5 comentários

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  • Lucas
    17 Mar 2019 às 15:03

    Concurso para Delegado de Polícia já foi finalizado desde o ano passado, com mais de 200 aprovados esperando nomeação. Ninguém fala nada sobre isso! É um absurdo. Ao invés do Governador chamar os aprovados, ele prefere fechar delegacias. Acorda população do Mato Grosso!

  • NOE MONTEIRO DE BARROS
    17 Mar 2019 às 05:39

    Os municípios do Vale do Cabaçal são três: Salto do Céu, Rio Branco e Lambari D Oeste, a Comarca que atende as demandas do Vale do Cabaçal é a Comarca de Rio Branco, as delegacias de Salto do Céu e Lambari D Oeste foram desativadas por apresentarem baixa demandas pois, as demandas apresentadas por S. do Céu e L. D Oeste são absolvidas pela Delegacia da Comarca de Rio Branco. de R. Branco a S. do Céu são 13 km, de R. Branco a L. D Oeste são 9 km. Entende-se que o fechamento das delegacias de L. D Oeste e S. do Céu não inviabilizou, não causou nenhum transtorno pois, as demandas destes municípios são baixas, sendo absolvidas tranquilamente pela delegacia da comarca de Rio Branco.

  • Andre
    16 Mar 2019 às 22:14

    Eu queria conhecer um homem de verdade nesse país, vivemos numa sociedade dissimulada e egoista, esse delegado só defende o q lhe convém e pensando em si próprio, RAPAZ, independente ou não se as delegacias são produtivas, isso NÃO INTERESSA, a polícia civil é o ESTADO PRESENTE, tem q permanecer oras

  • bobo cheira cheira
    16 Mar 2019 às 14:30

    Acontece que o Diretor Geral não conhece a realidade dessas cidades tal qual ela se mostra. Segurança publica é obrigação do Estado e não importa se o cidadão mora no campo ou na cidade, se a cidade é de porte pequena, média ou grande pouco importa a obrigação constitucional não pode ser relegada a lata de lixo, pois deixando de cumpri-la o Gestor Público está praticando um crime e deve ser punido. Por que não dispensar todo esse aparato que serve às autoridades? O que se vê é a vontade firme e decidida de por ferro na pobreza, nos mais fracos.

  • Ze
    16 Mar 2019 às 12:17

    E a populaçao que vai levar ferro.

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