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Quinta-feira, 04 de junho de 2020

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Suicídio de enfermeira acende alerta sobre índices de depressão na categoria e condições de trabalho

Da Redação - Isabela Mercuri

24 Mar 2019 - 11:10

Foto: Reprodução / Facebook

Anna Angélica Dorileo

Anna Angélica Dorileo

O suicídio da enfermeira Anna Angélica Dorileo, no último sábado (23), acendeu um debate sobre os altos índices de depressão entre profissionais da área. O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren/MT) publicou, na manhã deste domingo (24), nota de pesar, e grande parte dos comentários eram de pessoas cobrando fiscalizações e estudos psicológicos sobre os profissionais.

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“Acho que já passou da hora do Coren do Cofen, realizarem fiscalizações, estudos psicológicos e agirem para prevenir!!!!! Já está virando rotina isso, praticamente uma epidemia. Quantos mais vão precisar morrer???”, questionou uma mulher na publicação. “É uma pena que o Coren só lembre das pessoas quando acontece essa fatalidade!”, afirmou outro colega de trabalho. 

Em janeiro de 2019, em Campo Grande, um caso semelhante aconteceu e trouxe o debate à tona. A enfermeira Janaína Silva e Souza, de 39 anos, foi encontrada morta e à época o Conselho Federal de Enfermagem publicou uma notícia chamando atenção para o caso. O presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Mato Grosso do Sul (Coren-MS), Sebastião Duarte, afirmou que o ocorrido com Janaína não é um caso isolado. “A profissão lida com pacientes em situação de dor e sofrimento, de morte, e isso abala também o emocional do profissional. Motivo pelo qual a gente tem pedido carga horária mais justa”.

A carga horária é um dos pontos de queixa da categoria. Um Projeto de Lei que visa diminuir a jornada de trabalho de 44 para 30 horas semanais aguarda desde 1999 para ser votado no Congresso Nacional. Os profissionais também lutam para estabelecer um piso salarial.

Rosa Godoy, presidente da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN), também afirmou, à época do ocorrido com Janaína, que os profissionais de enfermagem ficam ao lado dos pacientes a maior parte do tempo, atentos às necessidades deles, mas a profissão não é valorizada, principalmente quando comparada à medicina. “Os profissionais em geral sabem a hora que entram, mas não sabem a hora que saem. Se o plantão tiver apertado e o colega seguinte atrasou, ou não veio por outra questão, não é incomum dobrar o plantão. Por conta também dos baixos salários, muitas vezes, para sobreviver, o profissional tem que ter dois ou três empregos”, disse. 

Seis meses antes, em junho de 2018, a ‘Ordem dos Enfermeiros’ fez um alerta ao Ministério da Saúde sobre os altos casos de suicídio. Só naquele primeiro semestre, quatro profissionais da área já haviam tirado a própria vida.

Um estudo publicado pela Universidade do Minho em 2016 mostrou que um em cada cinco enfermeiros de Portugal apresentavam exaustão física e emocional, o chamado ‘burnout’, o que mostra que o problema não é específico do Brasil.

Em Mato Grosso do Sul, os profissionais chegaram a organizar um protesto no domingo, dia 27 de janeiro, na Praça do Rádio, pedindo melhores condições de trabalho. Neste domingo (24), os profissionais de Mato Grosso demonstraram a revolta por meio dos comentários na Nota de Pesar do Coren/MT.

“A enfermagem está doente, mas ninguém vê, porque não interessa as instituições! Somos substituíveis! Quando gritamos 30 horas já, é por esses motivos! Precisamos de 2 ou 3 serviços pra sustentar a família, porque entre atrasos de salário um cobre o outro! Piso salarial defasado; Sem compreensão, sem válvulas de escape, porque também existem os problemas pessoais! Trabalhamos com amor, respeito, técnica e ciência, mais falta o reconhecimento da empresa. Agora não teremos mais seguridade na empresa, porque querem prestadores! Lugares insalubres, não querem pagar insalubridade, e centro cirúrgico de 12h. Não concordo, pois é corrido, você não bebe água, não senta, e agora a empresa se quiser, estipula qual seu tempo de repouso! É pra acabar! Deixa uma consulta passar sem cobrar, o médico come seu fígado! Então, comparação: podemos ficar com salário baixo, sem reajuste, ter 3 empregos e sorrir! Certo, eu escolhi, mas Conselho, cobrar é bom, e vigiar? Faz uma merda pra ver, se não caem matando! Oro por vocês, profissionais que se enganjam nessa profissão! Deus abençoe e proteja, porque somos meros instrumentos...”, indignou-se um internauta ao responder a nota de pesar do conselho. 

Leia abaixo a nota de pesar do Coren-MT:

NOTA DE PESAR

O Coren-MT vem a público demonstrar seu pesar pelo falecimento da enfermeira Anna Angélica Dorileo, ocorrido neste sábado (23). Ela atuava no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá. 

O Coren-MT estende suas condolências à família enlutada e a todos os colegas profissionais de enfermagem pela perda de mais uma grande profissional.

135 comentários

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  • alcione
    25 Out 2019 às 04:34

    o coren so sabe cobrar anuidade. nao da respaudo nenhun ak profissional. e lametavel isso que aconteceu

  • Eliane de Oliveira Ribeiro
    28 Jul 2019 às 22:10

    Realmente somos profissionais sem voz pelos nossos orgãos competentes como Coren , Cofen Aben , pois trabalhamos sem um teto salàrial , sem uma fiscalização descente que nos ampare. Temos uma sobrecrga de trabalho colocando em risco nossas tarefas e pacientes e a nós proprios ficando vulneraveis a acidentes de trabalho , levando para casa uma exaustão física e psicologica . Lamento muito que só é visivél em momento de tràgedia. Quando vamos ser visiveis e valorizados com todo o Respeito que merecemos. Um dia em meu trabalho um médico me disse apos a visita ao seu paciente na CTI , vc é a cereja do meu bolo, pq se vc não cuidar e ser responsavel podera estragar contaminando ou não usar as tecnicas corretas , ai se se foi a minha maravilhosa cirurgia. Depois da saida do plantão refleti da parceiria que somos em um bem comum.

  • Maria Gorete Marques
    25 Jul 2019 às 20:08

    Infelizmente estamos nos acostumando com essa situação, ninguém faz nada pra ajudar essa classe que e MT sofrida, tem cobrança de tanto dos familiares como das instituições que além de pagar mal exige dos funcionários que trabalham sem mínima condição falta de TD,até qd meu Deus vamos ver isso acontecer de braços cruzados!!!! Meus sentimentos a família dessa jovem que teve um fim trágico,que Deus possa acolher ela de braços aberto!!!??

  • Rosemeire Capuzzo Martins
    10 Jun 2019 às 10:18

    Realmente estamos doentes. Uma profissão como a nossa e tão desvalorizada pelo nosso empregador que nos adoece. Uma carga horária pesada e um mísero salário que não supre as nossas necessidades. Fazemos nosso trabalho com muito amor e dignidade. Porém não somo vistos, não somos reconhecidos... "Na verdade somos meramente substituído" Lamentável um conselho como nosso não cuidar dos profissionais como merecemos ?????????? ESTAMOS MUITO DOENTES ????????????

  • Rose
    05 Jun 2019 às 14:54

    Minha filha tbm aconteceu isso no dia 20 de março de 2019 ??????no hospital da PUC de Campinas - São Paulo Estamos inconsoláveis e queremos providências urgente

  • Cássia Cardoso
    05 Jun 2019 às 11:24

    Absurdo.....que haja mais supervisão do COREN em relação às necessidades dos enfermeiros (as)...afinal eles têm que estar bem física,emocional,mental e espiritualmente para cuidar de outras pessoas.... Têm que ser assegurados pelo órgão..afinal precisamos muito deles... Até parto agora eles terão q fazer...e os médicos farão o que?.... Muitos são frios...insensíveis... Que haja verdadeiramente respeito por esses profissionais da saúde...diminuir a carga horária já ajudaria e mt....e tbm em relação ao salário....mts fazem o trabalho dos médicos e recebem uma miséria.... ACORDA POVO.....MUDA BRASIL..

  • Neusa Moreira
    04 Jun 2019 às 19:32

    Muito triste!! Nós da enfermagem estamos exaustos ,boa temos que trabalhar em dois, devido baixo salário e sem contar que não somos valorizados, trabalhamos as vezes sobre pressão psicológica tanto da população, qto de certas pessoas que gostam de tocar terror na enfermagem, sendo que somos nós que tocamos os hospitais. Quero ver quem guenta tocar uma medicação com poucos funcionários, onde enxugamos gelo, pois o público está cada dia mais cheio. Tá na hora do Coren dar um basta e dizer chega". Cobram nossas anuidades e não consegue resolver essa questão da carga horária e nosso piso salarial.

  • ruth
    03 Jun 2019 às 14:05

    sou aposentada por invalidez sou técnico em enfermagem instrumentador cirúrgico , vivo esse drama de depressão e panico , área da saúde ñ somos valorizados , só o que temos é cobranças e stress de médicos,diretoria cobrando mais do que aquentamos fazer tudo é a enfermagem que faz dentro de um hospital quem recupera e levanta o paciente é a enfermagem .ganhamos pouco e valorização nenhuma ....

  • Edileuza Marinho de Lima
    02 Jun 2019 às 20:52

    É muita cobrança salários injusto eu sou tec de Enfermagem e vivo este dtama

  • Taline
    01 Jun 2019 às 21:07

    Sou técnica em enfermagem na minha cidade,trabalho a dez anos no hospital de minha cidade,vejo que não temos nenhum reconhecimento no que fazemos,parece estarmos ali apenas pra cumprir horário,mais na verdade estamos ali pra cuidar de vidas,e transmitir amor e carinho para aqueles que precisam. Na verdade precisamos mais de reconhecimento e não de cobrança.

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