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‘Corte’ no sistema S defendido por ministro causaria redução de R$25 milhões no orçamento do Sesc MT

Da Redação - Isabela Mercuri

24 Mar 2019 - 11:11

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Carlos Alberto Rissato, diretor regional do Sesc MT

Carlos Alberto Rissato, diretor regional do Sesc MT

Em dezembro de 2018, o atual ministro da economia, Paulo Guedes, afirmou, em um almoço com empresários e políticos na sede da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), no Rio de Janeiro, que o Sistema S precisava “se adequar à austeridade do próximo governo”, e defendeu o que chamou de ‘corte de gastos’, afirmando ser necessário ‘passar a faca’. Com três meses de governo, o tal corte ainda não foi feito. Mesmo assim, a diretoria regional do Sesc de Mato Grosso mudou algumas políticas para se preparar para a redução no orçamento, que seria de cerca de R$25 milhões.

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O Sesc, assim como as outras entidades do Sistema S, não recebe dinheiro diretamente do governo. “Nosso recurso não vem do governo, mas sim do empresário do comércio. De tudo o que é recolhido em cima da folha de pagamento das empresas do comércio, um percentual passa por órgãos do governo e reverte para o Sesc, onde a gente tem nosso ‘compulsório’. Mas esse dinheiro sai do empresário do comércio. Não existe nenhuma participação do governo. Ele simplesmente trafega por diversos ministérios e retorna”, explica Carlos Alberto Rissato, diretor regional do Sesc MT.

Segundo Carlos, o ‘corte’ defendido é, na realidade, uma desoneração na folha de pagamento. Atualmente, o empresário paga 1,5% sobre a folha. “Quando a gente faz essa conta, para reduzir 30%, seria eu reduzir, em cima destes 1,5%, 30%. Ou seja, vamos passar pra 1,05% da folha de pagamento. Todos os estudos e cálculos feitos em cima disso mostraram que vai impactar, em média, em menos de mil reais para as empresas do comércio. Só que, para o Mato Grosso, isso são mais de R$25 milhões que deixam de ir para a área de cultura, de lazer, de assistência, de educação e de saúde, focada no comerciário”.

Rissato assumiu o cargo de diretor regional há cinco meses, e afirma que não é possível esperar os cortes chegarem para começar a agir. Por este motivo, desde então a política do ‘Serviço Social do Comércio’ no estado mudou. “Quando a gente atua numa instituição desse tamanho, com toda uma responsabilidade para com o social, eu não posso ficar esperando coisas acontecerem. A gente tem que ter uma área de planejamento aqui muito atenta a todas as movimentações que podem ou não acontecer”, afirma.

Dentre as mudanças está, por exemplo, ir mais para onde a população está, e fazer eventos para públicos maiores, com o mesmo orçamento de antes, e em menos dias. Outro princípio é se voltar mais para o comerciário, em primeiro lugar, e depois, se ‘sobrar dinheiro’, para a população em geral. “A gente está revendo uma série de ações, já iniciamos alguns projetos novos, principalmente saindo de dentro de casa e indo pra onde a população está. Porque se eu tiver que trabalhar com redução de recursos, mais ainda eu tenho que ir de encontro à população, e fazer o social para este nosso público, que é cada vez mais carente, já que o próprio governo não consegue fazer a parte que teoricamente lhe caberia”.

Apesar das ‘ameaças’, as desonerações ainda não aconteceram. De acordo com Rissato, existem diversas propostas que visam solucionar o problema de outras formas. “Existe uma proposta do próprio Sesc, a nível de departamento nacional, que já está em estudo nas esferas governamentais, para trabalhar de outra forma, fazendo até muito mais pelo social sem que se mexa nesse recurso, o redirecionando para outras áreas. Mas desde o início, quando essa possibilidade [de desoneração] começou a ser aventada, nós já fizemos um reestudo interno nosso, porque caso isso aconteça, eu não posso deixar que a minha população mais prioritária seja impactada”.

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