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Quarta-feira, 05 de agosto de 2020

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‘Corte’ no sistema S defendido por ministro causaria redução de R$25 milhões no orçamento do Sesc MT

Da Redação - Isabela Mercuri

24 Mar 2019 - 11:11

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Carlos Alberto Rissato, diretor regional do Sesc MT

Carlos Alberto Rissato, diretor regional do Sesc MT

Em dezembro de 2018, o atual ministro da economia, Paulo Guedes, afirmou, em um almoço com empresários e políticos na sede da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), no Rio de Janeiro, que o Sistema S precisava “se adequar à austeridade do próximo governo”, e defendeu o que chamou de ‘corte de gastos’, afirmando ser necessário ‘passar a faca’. Com três meses de governo, o tal corte ainda não foi feito. Mesmo assim, a diretoria regional do Sesc de Mato Grosso mudou algumas políticas para se preparar para a redução no orçamento, que seria de cerca de R$25 milhões.

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O Sesc, assim como as outras entidades do Sistema S, não recebe dinheiro diretamente do governo. “Nosso recurso não vem do governo, mas sim do empresário do comércio. De tudo o que é recolhido em cima da folha de pagamento das empresas do comércio, um percentual passa por órgãos do governo e reverte para o Sesc, onde a gente tem nosso ‘compulsório’. Mas esse dinheiro sai do empresário do comércio. Não existe nenhuma participação do governo. Ele simplesmente trafega por diversos ministérios e retorna”, explica Carlos Alberto Rissato, diretor regional do Sesc MT.

Segundo Carlos, o ‘corte’ defendido é, na realidade, uma desoneração na folha de pagamento. Atualmente, o empresário paga 1,5% sobre a folha. “Quando a gente faz essa conta, para reduzir 30%, seria eu reduzir, em cima destes 1,5%, 30%. Ou seja, vamos passar pra 1,05% da folha de pagamento. Todos os estudos e cálculos feitos em cima disso mostraram que vai impactar, em média, em menos de mil reais para as empresas do comércio. Só que, para o Mato Grosso, isso são mais de R$25 milhões que deixam de ir para a área de cultura, de lazer, de assistência, de educação e de saúde, focada no comerciário”.

Rissato assumiu o cargo de diretor regional há cinco meses, e afirma que não é possível esperar os cortes chegarem para começar a agir. Por este motivo, desde então a política do ‘Serviço Social do Comércio’ no estado mudou. “Quando a gente atua numa instituição desse tamanho, com toda uma responsabilidade para com o social, eu não posso ficar esperando coisas acontecerem. A gente tem que ter uma área de planejamento aqui muito atenta a todas as movimentações que podem ou não acontecer”, afirma.

Dentre as mudanças está, por exemplo, ir mais para onde a população está, e fazer eventos para públicos maiores, com o mesmo orçamento de antes, e em menos dias. Outro princípio é se voltar mais para o comerciário, em primeiro lugar, e depois, se ‘sobrar dinheiro’, para a população em geral. “A gente está revendo uma série de ações, já iniciamos alguns projetos novos, principalmente saindo de dentro de casa e indo pra onde a população está. Porque se eu tiver que trabalhar com redução de recursos, mais ainda eu tenho que ir de encontro à população, e fazer o social para este nosso público, que é cada vez mais carente, já que o próprio governo não consegue fazer a parte que teoricamente lhe caberia”.

Apesar das ‘ameaças’, as desonerações ainda não aconteceram. De acordo com Rissato, existem diversas propostas que visam solucionar o problema de outras formas. “Existe uma proposta do próprio Sesc, a nível de departamento nacional, que já está em estudo nas esferas governamentais, para trabalhar de outra forma, fazendo até muito mais pelo social sem que se mexa nesse recurso, o redirecionando para outras áreas. Mas desde o início, quando essa possibilidade [de desoneração] começou a ser aventada, nós já fizemos um reestudo interno nosso, porque caso isso aconteça, eu não posso deixar que a minha população mais prioritária seja impactada”.

13 comentários

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  • Amanda
    27 Fev 2020 às 18:04

    é uma porta aberta (bem aberta) para farra com o dinheiro público, além de cabide de emprego (vide diretorias e mais diretorias). O povo está farto, e nada é de graça para a população e associado.

  • Cidinha
    25 Mar 2019 às 09:15

    Essa jabuticaba bilionária estará com os dias contados ?

  • RAFAEL CESAR
    25 Mar 2019 às 06:32

    So Obras extravagantes e prédios absurdamente caros para nada, ex: Fientec Porto tem uma estruturs descomunal para praticamente nenhum uso nao obstsnte essa obra o Sistema S ests fazendo outra imensa na Av Getulio Vargas ate a Rua 24 de outubro outra coisa descolada da realidade, é o reflexo de uma instituição que definitivamente nao sabe o Valor que o dinheiro tem, pois vem facil do Governo Federal

  • Abdias
    25 Mar 2019 às 00:37

    Essa torneira está aberta há muito tempo, há maneira de aplicar melhor esse recurso se ele realmente for captado.

  • silvio lopes de moraes
    24 Mar 2019 às 20:37

    S de sanguessuga do dinheiro publico,tem que cortar sim,no Senai e Sesi voce tem que pagar pra fazer um curso,então são empresas privadas .

  • Antonio dhã
    24 Mar 2019 às 16:32

    Que papinho mais manso ein!? Contribuições do sistema S são TRIBUTOS. Pode falar o que quiser, mas são tributos. Não adianta defender menores tributos e querer proteger o seu... sem essa conversinha

  • Agnaldo
    24 Mar 2019 às 16:14

    Assim como a contribuição sindical deixou de ser descontado direto da folha de pagamento, o site encargos sociais destinado ao Sistema S também. Na verdade não é a empresa que paga, 4% do total dos salários é contabilizado como custo do mesmo, assim como férias, FGTS, 13 salário, INSS, tanto que na contabilidade do patrão se um funcionário tem um salário de 1.000,00 na verdade custa 2.000,00, ou seja, quem banca a entidade dos patrões são os empregados, que não recebe nada de volta. Nem 5% dos trabalhadores têm acesso as migalhas de serviços que se oferece nas luxuosas construções do Sistema S, aqui em Cuiabá nem na avenida Paulista em São Paulo. Tudo custo muito caro lá. Pelo fim dos encargos do Sistema S, ele deve ser incorporado ao salário, ou destinado a saúde, por exemplo.

  • Priscila
    24 Mar 2019 às 14:50

    Mamata com dinheiro público.

  • CUIABANO
    24 Mar 2019 às 14:11

    Muitos não tem idéia de como funciona e os benefícios que o sistema "S" traz para a sociedade como um todo. Seus programas eventos como o Multi Ação, Mesa Brasil, Cozinha Brasil, Sesc Ler, beneficiam toda a sociedade não só a clientela Alvo (associados). O Sebrae e o Sest e o Senar tem contribuído muito para o desenvolvimento deste país principalmente das camadas mais carentes da nossa sociedade.

  • Oliveira Filho
    24 Mar 2019 às 12:10

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