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Professores “bloqueiam” entrada da Seduc em protesto; sindicato estima 98% de adesão à greve

Da Redação - Thaís Fávaro/ Da Reportagem Local - José Lucas Salvani

27 Mai 2019 - 16:34

Foto: Rogério Florentino/ Olhar Direto

Professores “bloqueiam” entrada da Seduc em protesto; sindicato estima 98% de adesão à greve
O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) realiza ato com os profissionais da educação em frente à Secretária de Educação do Estado (Seduc), na tarde desta segunda-feira (27). Cerca de 500 manifestantes “bloquearam” a entrada do órgão em protesto pela garantia dos direitos como a Lei da Dobra e melhores condições de trabalho. A greve da rede estadual de ensino teve inicio nesta segunda-feira (27) com a adesão de 98%, de acordo como Sintep. Cerca de 392 mil alunos estão sem aula.

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O presidente do Sintep/MT, Valdeir Pereira, reafirma a importância da manifestação para dar um “recado” ao governo do Estado. “O ato é o início da greve aqui. Como teve ato na maioria dos municípios do Estado de Mato Grosso, aqui em Cuiabá também não poderia ser diferente para dar o recado ao governo que nós estamos em greve por tempo indeterminado e que não aceitamos retiradas de direitos”, afirma.



Valdir garantiu ainda pelo menos mais dois atos em favor da educação. “A orientação é para que as nossas subsedes estejam sempre mobilizadas em todos os municípios que estão em greve em frente as acessórias pedagógicas, as praças e no próximo dia 30 estaremos junto com os estudantes e no dia 6 [de junho] em uma mobilização geral em todo o Estado".



A assessoria de comunicação do Sintep/MT afirmou que a adesão da greve chega a 98% em alguns municípios. “Nos grandes municípios como Sinop, Várzea Grande, Cuiabá e Rondonópolis a média é 90% das escolas fechadas, sem aula. Em Cáceres por exemplo, temos 98% de adesão, mas tem alguns que realmente não aderiram. A gente não tem esse número dos que aderiram, mas é o começo. Agora eles vão começar a trabalhar inclusive nas escolas, conscientizando os professores porque se houver ganho vai ser para todo mundo”, diz.


 
O professor e diretor de uma escola no bairro Pedra 90, Robson Pereira, de 47 anos, afirma a importância do ato como inicio de uma manifestação maior. “Importante e simbólico. A Seduc representa o órgão gestor de educação no Estado e está diretamente vinculado ao governo do Estado. Então é o ponta é inicial de uma mobilização maior e muito simbólica para nós”, diz.
 
A professora e da diretoria subsede do Sintep, Sheila Cristina de Toledo, fala sobre a união dos profissionais na adesão a greve e afirma que a escola não é feita somente pelos professores, que a luta pelos direitos beneficiará todos os profissionais envolvidos no ensino. “Os vigilantes, os agentes de pátio, eles são servidores tanto quanto os professores, eles fazem parte da equipe porque uma escola não funciona só com professores, a escola funciona com a pessoa que abre o portão, com quem limpa a escola, com quem faz o café, com quem faz a merenda dos alunos, a escola funciona com a equipe toda, se um é prejudicado, todos são prejudicados, a sua mão não funciona sozinha, o braço tem que movimentar a sua mão. A escola é formada por todos os servidores que são servidores do ensino, da educação pública, então esse coletivo unido fortalece a luta, porque o aumento salarial ou a perca de direitos não é só dos professores, é de toda a classe então eu vejo todo mundo unido porque a luta é uma só”, diz.



O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) acredita que a união dos profissionais é essencial para a conquista dos direitos e que servirá de exemplo para que outras classes trabalhadoras tenham coragem para lutar por melhorias. “Hoje iniciando a greve por tempo indeterminado, mantenham a luta, mantenham a resistência, vocês serão a linha de frente, a vanguarda que estimulará outras categorias do Estado que estão engasgadas com esse governo desde o mês de janeiro, a também realizarem assembleias, deflagrarem movimentos com a coragem e com a justiça das reivindicações que vocês estão apresentando.

Impasse com o governo

Segundo a Secretaria de Gestão, quanto as pautas apresentadas existem impeditivos legais como a Emenda Constitucional 81/2017 (PEC dos Gastos), que instituiu o Regime de Recuperação Fiscal, a Lei 614/2019 que estabeleceu normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e a Lei Federal 101/2000 (LRF), que define em 49% da Receita Corrente Líquida o limite com gastos de pessoal.

O último relatório emitido pela Secretaria de Fazenda, do 3º quadrimestre de 2018, aponta que o Estado gastou 57,89% da RCL com despesa de pessoal. Além disso, o Estado passa por uma de suas piores crises financeiras com um déficit acumulado na ordem de R$ 3,5 bilhões.

Em recente entrevista, o governador Mauro Mendes (DEM), declarou que o valor pago aos profissionais de educação no Estado é o terceiro melhor no país, mas no ranking nacional que avalia o desempenho entre as demais unidades federativas, o Estado está na 21ª colocação. Segundo o governador, os dados são incompatíveis.

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