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Sexta-feira, 23 de agosto de 2019

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Reitora diz que foi surpreendida com corte e que dinheiro do MEC não estava disponível

Da Redação - Wesley Santiago/Da Reportagem Local - Fabiana Mendes

17 Jul 2019 - 17:13

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Reitora diz que foi surpreendida com corte e que dinheiro do MEC não estava disponível
A reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Myrian Serra, disse - nesta quarta-feira (17), durante entrevista coletiva - que foi surpreendida com a decisão da Energisa de cortar a energia nos campis da instituição, na última terça-feira (16). Segundo ela, havia uma reunião agendada para tratar sobre o pagamento. Além disto, pontuou que os R$ 4,5 milhões encaminhados pelo Ministério da Educação (MEC) não estavam disponíveis para fazer o pagamento, já que o repasse foi feito como uma espécie de ‘cheque’.

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“Quero destacar para todos que a UFMT foi surpreendida por este corte de energia no dia de ontem. Tinha uma agenda amanhã na Energisa para falar sobre isto. Na sexta, a empresa ligou para nós dizendo que teríamos uma agenda. Tentei negociar se seria possível na quinta, já que estava em viagem. Considerando isto, disseram que na quinta conversaríamos sobre o corte”, explicou.
 
A reitora comentou que foi uma surpresa drástica e que estava em Sinop quando os cortes começaram. Todo o corte aconteceu em praticamente uma hora em todo o Estado. Myrian conta ainda que recebeu uma ligação da diretoria do Sesc Pantanal, relatando que estava sem energia elétrica.
 
“Nosso único servidor estava fazendo resistência, para evitar que a energia fosse cortada. A questão acabou minimizada porque não tínhamos pesquisadores internacionais e nem nacionais no local”, contou a reitora.
 
Myrian ainda revelou que, na sexta-feira, o governo descentralizou R$ 4,5 milhões e que o recurso chegou na forma de limite de empenho. “Isso é a mesma coisa que passar um cheque. Não é o dinheiro no banco para pagar. Ontem, com a questão do corte, técnicos do MEC entraram em contato comigo. Eu estava indisponível. Conseguiram falar com outra pessoa da gestão e relatamos que fomos surpreendidos”.
 
“Perguntaram o que precisávamos. Dissemos que era de R$ 1,8 milhão para pagar a fatura, que era R$ 1,5 milhão de conta do mês e o restante de divida. Só assim, liberaram pagamento ontem no início da tarde. Como o valor é muito alto, não conseguimos pagar ontem. Isso porque o Banco do Brasil só aceita até R$ 1 milhão”, acrescentou.
 
A equipe da UFMT então levou o comprovante de empenho até a Energisa, que aceitou religar a energia no prazo de uma hora. Segundo a reitora, foi uma ação bastante difícil e complexa. Ela pontua ainda que ninguém estava preparado para o que aconteceu, já que todos foram supreendidos.
 
“Não estávamos preparados, conversamos com a equipe para saber como vai ser daqui para frente. Hoje, não há qualquer dinheiro disponível para pagarmos fornecedores da UFMT. Efetivamente, os recursos não estão disponíveis no banco”, finalizou.

Entenda

O corte no fornecimento da energia elétrica nos cinco campi que compõem a Universidade (Cuiabá, Várzea Grande, Araguaia, Rondonópolis e Sinop), além da Base de Pesquisa do Pantanal e Casa do Estudante, ocorreu por volta das 10 horas da manhã de terça-feira (16). Os alunos se desesperaram e correram contra o tempo para salvar os animais e pesquisas nos laboratórios. No entanto, no Laboratório de Biociências, por exemplo, várias espécies de peixes usadas em pesquisa morreram. Por volta das 17 horas, o fornecimento foi restabelecido.

O MEC, em nota, pontuou que Weintraub tomará as medidas cabíveis tanto administrativas como judiciais para a responsabilização dos envolvidos pela má gestão na UFMT. “O ministro tomou conhecimento da situação na última quinta-feira (11) quando chamou a reitora ao Ministério e autorizou o repasse de R$ 4,5 milhões para que a reitoria da UFMT, nomeada há três anos, quitasse a dívida das contas de luz com a concessionária de Mato Grosso”, diz trecho da nota.

No entanto, o posicionamento da UFMT diz que a liberação só ocorreu após o corte, quando imediatamente um responsável se dirigiu até à Energisa para demonstrar o pagamento da fatura pendente. Com isso, a Energisa comprometeu-se a efetuar a religação da energia elétrica, o que ocorreu no final da tarde.

A unidade sofre com o corte de orçamento desde 2014, quando houve a redução da verba de custeio, relacionada às obras e equipamentos do câmpus. No entanto, em março deste ano, o Governo Federal anunciou o bloqueio de 30% na educação superior, que representa R$ 34 milhões para a Universidade.
 
Em entrevista ao Olhar Direto, Myrian Serra adiantou que a UFMT poderia ficar sem os serviços básicos como água e luz, caso o bloqueio não fosse revisto em até 60 dias, situação que não aconteceu.
 
Em maio, Myrian chegou a participar de uma audiência em Brasília, com o ministro da Educação, para debater os impactos do corte no orçamento universitário e outras questões referentes à pasta. Na ocasião, estiveram presente a bancada de deputados federais e senadores de Mato Grosso, além de outros representantes de instituições públicas de ensino superior do estado.

No dia 28 de junho, a UFMT informou que foi notificada pela empresa Energisa quanto à possibilidade de interrupção na prestação de serviços por falta de pagamento, mas que, em negociações, conseguiu o adiamento do prazo para a sexta-feira daquela semana. 
 
A UFMT oferece 113 cursos de graduação, sendo 108 presenciais e cinco na modalidade a distância (EaD), em 33 cidades mato-grossenses. São cinco Campus e 28 pólos de EaD. Na pós-graduação, são 66 programas de mestrado e doutorado. A instituição atende 25.435 mil estudantes, distribuídos em todas as regiões de Mato Grosso.

39 comentários

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  • Gringo
    18 Jul 2019 às 18:27

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  • Tainá
    18 Jul 2019 às 13:47

    Comentários nojentos! Ela foi surpreendida pois já tinha uma reunião para entrar em um acordo, não era esperado mesmo o corte. Adoram apontar os outros como pseudo intelectuais, mas nem ler uma matéria direito sabem. O Brasil está perdido mesmo na mão desse governo e dessas pessoas que os colocaram lá. As Universidades Federais sempre foi respeitada, são as maiores formadoras de profissionais no Brasil, um centro de conhecimento, mas agora está sendo alvo desse movimento anti-iluminista, que rejeita o conhecimento. Só sinto tristeza!

  • Wagner Cordeiro
    18 Jul 2019 às 11:20

    Seis meses sem pagar as tarifas e foi surpreendida com o corte???Pede para sair.Esta comprovado que não leva jeito para gerir.

  • jose ricardo
    18 Jul 2019 às 11:14

    Pega um petista pseudo intelectual "Zé Teoria" de frases prontas e coloca para tomar conta de duas tartarugas. Uma foge e a outra morre de fome. Criaram uma caixa preta dentro das academias, onde os incompetentes se protegem. Ali ninguém auditava, ninguém controlava, ninguém fiscalizava. Era um poço sem fundo. Um sumidouro de dinheiro publico, sem gestão profissional, apenas com prioridades ideológicas. E aí "leva susto, fica surpresa" quando deixa de pagar a luz e tem cortado o fornecimento de energia? No mundo de verdade é assim querida. Todo mundo tem orçamento e tem que trabalhar dentro dele. Até na economia doméstica é assim. Mas essa turminha de colar de índio que está instalada nas repartições publicas acha que responsabilidade fiscal é coisa de burguês e que o balaio de dinheiro publico não tem fundo. Agora a casa vai começar a cair. Ou aprendem a administrar de forma profissional, igual as universidades particulares ou vão quebrar. Cansei de ver meu dinheiro de imposto ser administrado por incompetentes.

  • Júlio César
    18 Jul 2019 às 11:05

    Tomara que Bolsonaro privatize essas universidades federais. Ensino superior deve ser pago.

  • observo
    18 Jul 2019 às 10:54

    Essas gestao é péssima...noa sabe administrar recursos...tinha que fazer uma auditoria

  • ad
    18 Jul 2019 às 10:39

    Ela ja esta falando de 19 milhoes de divida da UFMT, auditoria neles agora caboua mamata de sugar dinheiro do povo

  • Jose
    18 Jul 2019 às 09:48

    A título de informação, a Reitora foi eleita pela comunidade acadêmica e posteriormente nomeada pelo então Presidente Michel Temer! Inadmissível termos Ministro, Deputado e, como se não bastasse, Presidente da Republica espalhando fake news!

  • VERDADES
    18 Jul 2019 às 09:37

    A MAIS PURA FALTA DE COMPETÊNCIA POR PARTE DA REITORIA. FORAM SURPREENDIDOS KKKKKK CONVERSA PRA BOI DORMIR. INCOMPETÊNCIA PURA!

  • Dr.STF
    18 Jul 2019 às 08:59

    Olha o tanto de balangandã de índio pendurado no pescoço , será que a incompetente é Petista /Prelazia/Comunista , pode prestar atenção em quem usa essas porcarias de côco nos dedos , pescoço , orelha é tudo Comunista .

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