Olhar Direto

Segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Notícias / Política MT

Jayme afirma que possibilidade de intervenção na UFMT é "babaquice" e quem perde é o estudante

Da Redação - Wesley Santiago

19 Jul 2019 - 18:18

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Jayme afirma que possibilidade de intervenção na UFMT é
O senador Jayme Campos (DEM) afirmou que a possibilidade de intervenção na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), após o corte de energia ocorrido na unidade na terça-feira (16), é uma “babaquice”. Segundo ele, esta questão não pode ser politizada. Isso porque quem acabará perdendo com isto serão apenas os estudantes. Vale lembrar que o ministro da Educação, Abraham Weintraub acusou a reitora Myrian Serra de ter feito uma má administração da instituição.

Leia mais:
Deputado Medeiros pede afastamento da reitora e auditoria nas finanças da UFMT
 
“O que consta, é que a União, não tem repassado os recursos para nossa universidade. Haja vista que agora liberou R$ 4,5 milhões, após o corte de energia. Isso seria para que? Custeio, obras, folha de pagamento? Dizer que vai mandar apurar? Imagina. Acha que se a nossa reitora, o corpo administrativo, tivesse recurso no caixa não pagaria?”, disse o senador.
 
Jayme ainda acrescentou que a questão não pode ser politizada. “Dizer que isto é coisa política, só porque [a reitora] foi nomeada no governo da Dilma [Roussef]? Não é verdade. Ela é professora. Isso não leva a lugar nenhum, não é louvável, nem saudável”.
 
“Só quem perde é o estudante, que com a falta de luz não pode frequentar a sala de aula. É algo que não podemos levar para o campo político. Nossa reitora tem responsabilidade. Isso não tem fundamento. Essa questão de intervenção é uma babaquice”, finalizou.
 
O corte no fornecimento da energia elétrica nos cinco campi que compõem a Universidade (Cuiabá, Várzea Grande, Araguaia, Rondonópolis e Sinop), além da Base de Pesquisa do Pantanal e Casa do Estudante, ocorreu por volta das 10 horas da manhã de terça-feira (16). Os alunos se desesperaram e correram contra o tempo para salvar os animais e pesquisas nos laboratórios. No entanto, no Laboratório de Biociências, por exemplo, várias espécies de peixes usadas em pesquisa morreram. Por volta das 17 horas, o fornecimento foi restabelecido.
 
O MEC, em nota, pontuou que Weintraub tomará as medidas cabíveis tanto administrativas como judiciais para a responsabilização dos envolvidos pela má gestão na UFMT. “O ministro tomou conhecimento da situação na última quinta-feira (11) quando chamou a reitora ao Ministério e autorizou o repasse de R$ 4,5 milhões para que a reitoria da UFMT, nomeada há três anos, quitasse a dívida das contas de luz com a concessionária de Mato Grosso”, diz trecho da nota.
 
No entanto, o posicionamento da UFMT diz que a liberação só ocorreu após o corte, quando imediatamente um responsável se dirigiu até à Energisa para demonstrar o pagamento da fatura pendente. Com isso, a Energisa comprometeu-se a efetuar a religação da energia elétrica, o que ocorreu no final da tarde.
 
Por meio de um vídeo publicado no Twitter do deputado federal, José Medeiros (Podemos), Abraham Weintraub disse que a reitora Myrian Serra havia sido indicada pela ex-presidente petista Dilma Rousseff. A professora assumiu a gestão em 2016 e deve permanecer até 2020.
 
Entretanto, ela teve a preferência da comunidade universitária, em consulta informal realizada, em abril do mesmo ano, pelas entidades representativas de professores, técnicos administrativos e estudantes, para assumir a Reitoria. Em junho, o Colégio Eleitoral Especial indicou a professora como primeira da lista tríplice encaminhada ao MEC.
 
O ministro disse ainda que ficou sabendo da dívida na semana passada, quando, segundo ele, houve a liberação de R$ 4,5 milhões. Conforme noticiado pelo Olhar Direto, no dia cinco, ou seja, há duas semanas, Myrian teria se encontrado com Weintraub. O encontro, além de discutir as contas da instituição, teria como objetivo pedir dinheiro para o pagamento da energia elétrica que poderia ser cortada no mesmo dia, conforme prazo dado pela Concessionária Energisa.

Pedido de Medeiros

O deputado federal José Medeiros (Pode) enviou um ofício ao Ministério da Educação (MEC) para que seja realizada uma auditoria na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), tendo em vista as recentes acusações do titular da Pasta, Abraham Weintraub, de ingerência por parte da reitora Myrian Serra. O parlamentar solicitou também o afastamento da reitora até que as investigações estejam concluídas.

“A solicitação tem como base as recentes notícias veiculadas na mídia acerca do corte de luz nos cinco campis da Universidade, nas quais a reitora, a senhora Myrian Thereza Serra, culpa o contingenciamento do Governo pela falta de recursos para o pagamento da conta de luz. Contudo, V. Exª esclareceu que o MEC liberou R$ 4,5 milhões, na última sexta-feira (12/07/19) para o pagamento do débito da Universidade que somava R$ 1,8 milhão e que eram débitos anteriores ao anúncio do contingenciamento. Tais informações indicam que a gestão da atual reitora apresenta problemas, pois não se pode admitir que uma Universidade fique sem luz por culpa da reitoria. Por esta razão, mostra-se necessária a realização de uma auditoria na UFMT”, escreveu Medeiros, no documento endereçado ao ministro Weintraub.

Nesta quarta-feira (17), um dia após o “apagão” na Universidade, a reitora concedeu coletiva de imprensa e esclareceu que a dívida com a Energisa não havia sido paga em função da “burocracia bancária”, que impede transações acima de R$ 1 milhão/dia. Além disso, garantiu que o Ministério da Educação já estava ciente da situação.
 
Entenda
 
A unidade sofre com o corte de orçamento desde 2014, quando houve a redução da verba de custeio, relacionada às obras e equipamentos do câmpus. No entanto, em março deste ano, o Governo Federal anunciou o bloqueio de 30% na educação superior, que representa R$ 34 milhões para a Universidade.

Ao Olhar Direto, Medeiros disse que defende a intervenção, mas não tem interesse nenhum de indicar uma pessoa ou atuar nos trabalhos. "Este era o meu trabalho como deputado, fazer este pedido ao ministro, que concordou".
 
Em entrevista ao Olhar Direto, Myrian Serra adiantou que a UFMT poderia ficar sem os serviços básicos como água e luz, caso o bloqueio não fosse revisto em até 60 dias, situação que não aconteceu.
 
Em maio, Myrian chegou a participar de uma audiência em Brasília, com o ministro da Educação, para debater os impactos do corte no orçamento universitário e outras questões referentes à pasta. Na ocasião, estiveram presente a bancada de deputados federais e senadores de Mato Grosso, além de outros representantes de instituições públicas de ensino superior do estado.
 
No dia 28 de junho, a UFMT informou que foi notificada pela empresa Energisa quanto à possibilidade de interrupção na prestação de serviços por falta de pagamento, mas que, em negociações, conseguiu o adiamento do prazo para a sexta-feira daquela semana.
 
A UFMT oferece 113 cursos de graduação, sendo 108 presenciais e cinco na modalidade a distância (EaD), em 33 cidades mato-grossenses. São cinco Campus e 28 pólos de EaD. Na pós-graduação, são 66 programas de mestrado e doutorado. A instituição atende 25.435 mil estudantes, distribuídos em todas as regiões de Mato Grosso.

22 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Olhar Direto. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Olhar Direto poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • Herold
    21 Jul 2019 às 15:18

    A verdade é que estava previsto uma intervenção mesmo, mais por questão política, não por ma administração. Por se tratar de uma gestora nomeada ainda no governo passado, o atual presidente tem dito que quer despetelizar o Brasil. Senador Jaime tem razão.

  • favius milicianus
    21 Jul 2019 às 07:41

    acho que agora temos a certeza que governo Bolsonaro é resenha da esquizofrênia. o cara corta verba das instituições de ensino, depois vem dizer que há má gestão? é piada ou delírio de perseguição ao dizer que a culpa é da gestora nomeada ainda no governo Dilma. esse Medeiros é um imbecil, zurra mais alto que o próprio ministro, pior é imaginar que esses energumenos tem apoio de evangélicos.... antes o atraso era o agro, agora vemos que a religião no estado é tóxica, e, nessa guerrinha ideológica quem perde é o ensino, a pesquisa e a extensão, é a comunidade que de alguma forma tinha algum proveito com as atividades da universidade.

  • Rocha
    21 Jul 2019 às 07:22

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Rocha
    21 Jul 2019 às 07:21

    Claudica sou pós graduado também e sou seguidor do mestre Bolsonaro...nosso presidente.

  • Vilmar Afonso Morais Becker Ju
    21 Jul 2019 às 00:01

    Triste realidade, o corte de verbas prejudicou e muito. Uma hora a bomba ia estourar e lógico culparam a gestora de má administração. O salário do senador deve estar em dias.

  • DELCIO JANKE
    20 Jul 2019 às 19:35

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Michele
    20 Jul 2019 às 18:11

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • FELIPE
    20 Jul 2019 às 07:46

    Parabéns ao nosso presidente, todos os órgãos públicos, entidades publicas, etc, tem que prestar conta SIM, inclusive as verbas indenizatorias dos DEPUTADOS E SENADOS ETC. A pergunta e Simples cade o Dinheiro destinado para a UFMT? Quantos meses sem pagar a conta? deixar cortar para tornar publico??

  • Degas
    20 Jul 2019 às 07:43

    Os seguidores do presidiário é que são espertos.Aliás,muito espertos quando se trata de verba pública.

  • Igor
    20 Jul 2019 às 02:20

    Parabéns senador por seu posicionamento, tem toda razão!

Sitevip Internet