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Mendes critica "hipocrisia ambiental" e diz que índios querem que asfalto corte terra Xavante

Da Redação - Érika Oliveira

24 Ago 2019 - 14:32

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Mendes critica
O governador Mauro Mendes (DEM) voltou a defender a retomada do traçado original da BR-158, no trecho que atravessa Mato Grosso e corta a reserva indígena Marãiwatsédé, do povo Xavante. O chefe do Executivo mato-grossense criticou o que chamou de “hipocrisia ambiental”, afirmou que eventuais impactos ambientais podem ser dirimidos a partir de compensações e garantiu que “os índios querem o asfalto”.

A retomada do traçado vai contra acordo firmado entre a Funai, o Ibama e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), durante governos anteriores.

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“O ministro Tarcisio disse textualmente que irá persistir na BR passando por dentro da terra indígena. Eu, particularmente, concordo muito com ele. Porque os índios querem o asfalto e nós somos um país com várias pessoas morrendo por falta de remédio, com fome, não podemos gastar R$ 600 milhões pra fazer um desvio, quando lá podemos fazer uma estrada asfaltada em cima de uma de terra que já existe há décadas. Nós temos aí dezenas de terras indígenas cortadas por asfalto e isso não trouxe nenhum problema a essas comunidades. Se tiver algum impacto eles podem ser devidamente estudados, mitigados e criar mecanismos de compensação. Nós temos que parar com essa hipocrisia ambiental. Tem muita gente falando de meio ambiente, algumas ong’s, sem nunca ter feito ação concreta de preservação. Nós sabemos que muitas são sérias e algumas realmente colaboram, mas muitas estão defendendo interesses que não são os brasileiros”, sustentou o governador.

A BR-158 tem início no estado do Pará e vai até o Rio Grande do Sul, próxima à fronteira do Brasil com o Uruguai. Em Mato Grosso, a rodovia corta a região nordeste do estado, passando pelas cidades de Vila Rica, Confresa, Porto Alegre do Norte, Ribeirão Cascalheira, Água Boa, Nova Xavantina e Barra do Garças.

A área em Mato Grosso, que já foi alvo de disputa no passado, tem uma extensão de mais de 165 mil hectares e hoje está registrada em nome da União. Em 2013 o Governo Federal deu posse plena da terra aos Xavantes de Marãiwatsédé.

Um novo traçado, denominado “Contorno Leste”, foi determinado pela Justiça e, de acordo com o senador Wellington Fagundes (PR), a obra está licitada e com as devidas licenças ambientais emitidas.

O “Contorno Leste”, no entanto, sofre resistência por parte de produtores e empresários, que alegam aumento no custo do frete, uma vez que a região em questão é rota de escoamento da produção do Estado e a mudança do traçado original aumentaria o trecho em 90km. As obras naquela região estão paradas há quase 10 anos.
 

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