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Segunda-feira, 23 de setembro de 2019

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Em MT, ministro foge de polêmicas e admite que Brasil precisa “dar exemplo” em conservação

Da Redação - Érika Oliveira

22 Ago 2019 - 12:05

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Em MT, ministro foge de polêmicas e admite que Brasil precisa “dar exemplo” em conservação
Depois de um período conturbado, que incluiu declarações polêmicas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e resultou na suspensão de contratos milionários com a Alemanha e a Noruega, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, amenizou o tom de seu discurso e admitiu que o Brasil precisa “continuar dando exemplo” em conservação. A fala ocorreu durante visita a Mato Grosso, nesta quarta-feira (22), após questionamento da imprensa sobre entrevista do ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que considerou a política ambiental do atual Governo perigosa para o agronegócio.

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“O agronegócio brasileiro já é um exemplo de sustentabilidade para o mundo, faz agricultura sustentável com boas práticas, mas nem por isso estamos imunes a criticas. Razão pela qual o Brasil precisa permanentemente manter boas práticas, mostrar que segue regras internacionais, inclusive com relação a mudanças climáticas, acordo de Paris... Aliás, precisamos receber mais recursos em razão do bom trabalho que se faz no país. Há oportunidades muito grandes de pagamentos por serviços ambientais, serviços ecossistêmicos e uma gama enorme de ativos ambientais brasileiros que precisam ser monetizados”, respondeu o ministro.

Salles veio ao Estado para verificar in loco o avanço das queimadas em Mato Grosso. O estado, até o momento, lidera o ranking de queimadas na Amazônia, com aproximadamente 14 mil focos de calor acumulados em todo o ano, segundo levantamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe).

O ministro sobrevoou áreas afetadas ao lado do governador Mauro Mendes (DEM) e da secretária de Meio Ambiente, Mauren Lazaretti, e prometeu empenho do Governo Federal para que o trabalho de combate às queimadas não seja afetado pelo bloqueio de R$ 280 milhões, por parte da Alemanha e da Noruega, ao Fundo Amazônia.

O Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é responsável por captar doações para investimentos não reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, e de promoção da conservação e do uso sustentável das florestas no Bioma Amazônia.

Em Mato Grosso, por exemplo, parte da verba do Fundo – R$ 12,5 milhões – foi utilizada na aquisição de equipamentos e veículos. Além da montagem de todo o batalhão de emergências ambientais, dois aviões já foram comprados com o dinheiro e mais um estava previsto para ser adquirido nos próximos meses, além de mais carros para deslocamento de pessoal e equipamentos de resgate e combate ao fogo.

O ministro afirmou que analisa um pedido do Corpo de Bombeiros mato-grossense para que o Governo Federal incremente os recursos para a compra de equipamentos no Estado. Além disso, disse que as regras do Fundo Amazônia estão em negociação.

“Nós precisamos continuar dando o exemplo. Nossa Amazônia tem área equivalente a 48 países da Europa, portanto é uma área grande e de difícil fiscalização. Mas nós temos, cada vez, que ter mais técnica, mais tecnologia. Nesse sentido quero enaltecer o que está sendo feito aqui no Estado, no sistema de monitoramento de alta resolução, que vai ajudar muito no combate às ilegalidades, que seja de combate ao desmatamento ou ao fogo”, pontuou Ricardo Salles.

2 comentários

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  • MARIA TAQUARA
    22 Ago 2019 às 14:28

    Exato, até pq na Amazônia que é o bioma que tem maior quantidade de Unidades de conservação, o percentual esta entre 25 e 30%, ou seja, entre 70 e 75% das áreas são particulares.... No Pantanal o percentual de áreas de conservação não chega a 5%, cerca de 95% são propriedades particulares. É impossível que as UCs possam contribuir em quantidade para as queimadas, por mais estas também não estejam isentas da ocorrência de fogo. Tô ficando cansada de ficar explicando b-a-bá para bolsominion!

  • Nelson
    22 Ago 2019 às 13:40

    O principal exemplo que Mato Grosso poderia dar é a proibição da queimada como ferramenta de conversão de áreas para a agricultura. Tem que deixar de emitir autorizações para queima mesmo que seja controlada. É melhor os fazendeiros aproveitarem a lenha das derrubadas para os secadores e enterrar os resíduos deixando incorporar ao solo.

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