Olhar Direto

Notícias / Cidades

Presidente aponta sobrecarga em trabalho de delegados: "Temos jovens afastados por problemas psicológicos"

Da Redação - Wesley Santiago

01 Set 2019 - 08:11

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Presidente do Sindepo, Maria Alice Amorim

Presidente do Sindepo, Maria Alice Amorim

A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de Mato Grosso (Sindepo), Maria Alice Barros Martins Amorim, apontou que a sobrecarga no trabalho dos delegados, que tem de lidar com um Estado de tamanho continental, como é Mato Grosso, tem causado afastamentos por problemas psicológicos. O fato é tratado de perto pela representante da categoria. “Não posso querer que o delegado seja o super-homem”, disse ela.

Leia mais:
Sindicato tenta TAC para nomeação de mais aprovados em concurso para delegados e luta por horas extras
 
Segundo a delegada, a quantidade de delegadas em Mato Grosso é muito inferior a necessária para atender as demandas existentes. Maria Alice explica que os profissionais trabalham em sobrejornada, mesmo sem ter uma dotação orçamentária para o pagamento de horas extras.
 
“Isso traz um desgaste muito grande. O delegado não tem tempo de se desligar da unidade. Na Capital ou interior, a sobrecarga está muito grande. A capacidade física e mental é abalada. Temos delegados jovens que estão afastados em razão de problemas psicológicos, em decorrência do alto grau de estresse que enfrentam e a alta demanda”, disse Maria Alice.
 
Segundo a presidente, existem delegados que acumulam até quatro unidades, o que torna impossível que a autoridade esteja em todos os lugares ao mesmo tempo. “Isso traz uma insegurança muito grande. Não consegue acompanhar a execução de todos os trabalhos e atender a sociedade como gostaria. Acaba se desgastando tanto que fica doente. São jovens profissionais que poderiam estar colaborando, mas estão doentes, afastados por causa da sobrecarga”.
 
Sendo assim, o delegado acaba sendo obrigado a otimizar o trabalho e priorizar as investigações em que há o emprego da violência, grave ameaça, crimes de maior potencial ofensivo.
 
“Temos um Estado continental. Existem municípios muito grandes, outros de difícil acesso. Isso potencializa se você colocar a quantidade de veículos e profissionais. A área para cobrir é muito grande. No interior, os profissionais formam um corpo e buscam atender a sociedade. Dado a dificuldade, unem as forças e por isso se consegue atender todos a contento. Por mais que o índice de elucidação de crimes seja menor que 50%, acaba trazendo um retorno. Existe a sensação de segurança. Por isso houve tantos questionamentos em relação ao fechamento de unidades, porque ela em si diminui o temor”, acrescentou Maria Alice. 
 
Por fim, a presidente diz que não pode querer que o delegado seja um super-homem. “Tem que ser tratado com o cuidado necessário. Buscamos melhores condições, reconhecimento. Por vezes, conversamos com profissionais antigos que falam que na época delas era pior. Porém, as coisas mudaram. Precisa se modernizar. Isso compreende reconhecer direitos. O delegado é o Estado, mas não pode resolver os problemas de logística, meios do Executivo. Fará o seu papel com honra, mas tem que ser respeitado como ser humano”.
 
Morte de delegado
 
O delegado da Polícia Civil Israel Pirangi Santos, de 40 anos, que era titular da Delegacia de Diamantino, unidade da Regional de Nova Mutum, foi encontrado morto em um apartamento na cidade de São Paulo, na madrugada do dia 28 de agosto. O corpo estava em avançado estado de decomposição.
 
Segundo informações da PJC, ele foi para São Paulo no dia 21 de agosto, para retorno de uma consulta médica, referente a tratamento de saúde que passava. Ao lado de seu corpo foi encontrada uma carta pedindo privacidade e respeito à situação.
 
Sem notícias desde o último domingo (26), policiais de Diamantino pediram ajuda à Polícia Civil do 78 Distrito Policial de SP, que esteve em seu apartamento, constando a morte nesta madrugada.
 
Israel Pirangi Santos era natural de Brasília, no Distrito Federal, e delegado da Polícia Civil de Mato Grosso desde 13 de janeiro de 2014, quando tomou posse no cargo. Ele atuou como delegado nas cidades de Alta Floresta, Guarantã do Norte, Nova Monte Verde, Peixoto de Azevedo. Por último, estava na lotado em Diamantino desde junho de 2018. 
 
O delegado era solteiro, deixou pai, mãe e três irmãos, que moram em Brasília (DF).

33 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Olhar Direto. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Olhar Direto poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • gladson CPA
    02 Set 2019 às 10:15

    Quanto mi mi mi. Quem tem pressão é médico de UPA, gari, policial na rua.

  • Paulo
    02 Set 2019 às 08:55

    Tonny só estou vendo mi mi mi e choro dos delegados não dos IPCs E EPCS.

  • Policial Militar (PRAÇA PMMT)
    02 Set 2019 às 04:51

    ???!!!! Imagina 1 POLICIAL MILITAR????? "Si" é pura verdade ( si ) nós tivéssemos ASSOCIAÇÃO que fizessem alguma coisa por nós... OU DEPUTADO que fosse humi.. Mas o que foi ELEITO subiu pra CABEÇA..

  • João
    01 Set 2019 às 21:34

    Bando de fracassados na vida que não tiveram competência para passar em um concurso de delegado criticando o cargo. Isso nao me assusta, esses comentários mostram o tipo de pessoas que vocês e são e por isso nunca fizeram e nem irão fazer nada de relevante na vida. Só reclamar e tacar pedra. Segue o fluxo.

  • Sônia
    01 Set 2019 às 21:22

    Realmente há escassez de servidores na PJC, em todas as carreiras. A resolução do problema não passa por transformar agentes e escrivães em delegados. O concurso é aberto para todos. Só fazer a prova, mostrar competência e ser nomeado. Cada função tem a sua importância. Imagina se os enfermeiros resolverem atender como médicos? Fim dos tempos.

  • Maria Vitória
    01 Set 2019 às 21:16

    Invejosos! Invejosos! Hahahahaha

  • Ana Júlia
    01 Set 2019 às 21:16

    A injeva mata! Querem uma profissão bem remunerada? Não tem segredo: trabalho e estudo. Simples assim!

  • Ana Júlia
    01 Set 2019 às 21:14

    Só vejo comentários invejosos! Conselho aos desocupados de internet: sua vida bosta não vai mudar por destilar veneno contra os outros. Querem um posição bem remunerada? trabalhem e

  • Mario
    01 Set 2019 às 20:18

    Fiquei realmente comovido com a vida dura que o delegado leva. Trabalhar sem hora extra. Triste demais. Trabalhar a noite deve ser sofrível tbm.

  • MT mais transparente
    01 Set 2019 às 17:22

    Infelizmente ao ingressar no serviço público e importante saber os pós e contras, mas se comparar a vida de professor, gari, soldado. Talvez a melhor situação seria retorno imediato de todos os delegados CEDIDOS e lotados na área administrativa. Senhor governador tem fazer intervenção imediata a área de segurança criança uma unidade de acompanhamento psicossocial e retorno imediato de todos os servidores CEDIDOS a executar sua função profissional .

Sitevip Internet