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Segunda-feira, 14 de outubro de 2019

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Sem chuvas, comportas da usina do Manso podem ser abertas; 83% da vazão atual sai da reserva do lago

Da Redação - Wesley Santiago

18 Set 2019 - 14:22

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Sem chuvas, comportas da usina do Manso podem ser abertas; 83% da vazão atual sai da reserva do lago
A falta de chuva em Cuiabá e grande parte de Mato Grosso levou a uma reunião emergencial entre o Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande, a Águas Cuiabá e Furnas, responsável pela Usina Hidroelétrica (UHE) do Manso, localizada em Chapada dos Guimarães. Em pauta estava a possibilidade da abertura das comportas do local, devido ao baixo nível dos rios para captação de água. Um estudo deverá ser realizado, mas a decisão caberá à Agência Nacional de Águas. Atualmente, 83% da vazão está sendo provida pelo volume armazenado no lago.

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A reunião entre as partes aconteceu na última segunda-feira (16), segundo a Águas Cuiabá. O objetivo foi analisar possibilidades operacionais em caso de prolongamento da estiagem e medidas para evitar um racionamento em Cuiabá e Várzea Grande. Entre os pedidos está a abertura das comportas da Usina do Manso, para aumentar o nível dos rios.
 
Porém, Furnas explicou ao Olhar Direto que cabe à Agência Nacional de Águas (ANA) definir e fiscalizar as condições de operação de reservatórios, visando a garantir o uso múltiplo dos recursos hídricos.
 
“No caso de reservatórios de aproveitamentos hidrelétricos, a definição será efetuada em articulação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – NOS”, diz trecho de nota da Furnas. Antes, porém, é necessário estudo de impacto ambiental e de geração de energia.

A situação que poderá ser enfrentada por Cuiabá e Várzea Grande se assemelha ao que vivenciou São Paulo com o Sistema Cantareira, onde as bombas não conseguiam puxar água devido ao baixo nível de água. 
 
A Usina de Manso tem liberado uma vazão constante de cerca de 120 m3/s desde maio de 2018.  Furnas esclarece que a afluência ao reservatório de Manso (vazão de entrada de água no reservatório) se encontra em torno de 20 m3/s. Isso quer dizer que, cerca de 100m3/s (83%) estão sendo providos pelo volume armazenado.

 
Cuiabá completa nesta quarta-feira (18) 127 dias sem chuva. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o último registro ocorreu no dia 14 de maio. O calor não deve dar trégua, já que segundo o 9º Distrito de Meteorologia, não há previsão de precipitação para os próximos dias.
 
Recorde de calor
 
Pelo segundo dia consecutivo, na terça-feira (17), Cuiabá registrou 42,3ºC. É a segunda vez que os termômetros da capital mato-grossense atingem essa temperatura nos últimos 108 anos.
 
O recorde de calor histórico anterior em Cuiabá era de 42,2°C em 6 de outubro de 1940. Esta é a maior medição desde 1911, quando tiveram início as medições.
 
No dia em que Cuiabá registrou a maior temperatura dos últimos 108 anos, com 42,3ºC, o chão do Centro da cidade chegou a marcar mais de 60ºC. Isso é o que mostra vídeo feito pelo empresário Cesar Laércio Albring, feito na última segunda-feira (16), utilizando um termômetro apontado para o cimento da sua calçada.

Usina de Manso

A Usina Hidrelétrica (UHE) de Manso tem uma tecnologia de ponta que permite que ela seja controla de até três cidades diferentes. Além disto, existe um sistema automatizado para evitar qualquer tipo de falhas que coloque em risco a operação do local. Em caso de falha tecnológica, todo o sistema da barragem pode ser controlado através de uma sala, por uma única pessoa.

Em caso de um possível incêndio no gerador da usina, existe um sistema que aplica CO² na sala, que é uma câmara fechada. Sendo assim, ele retira o oxigênio do ar e, consequentemente, apaga o fogo, já que não pode ser jogado água dentro da máquina. No transformador, que está em um sistema isolado, existe outro sistema contra incêndio, onde é jogada água pressurizada. Tudo isto é feito de forma automática, mas também pode ser feito manualmente.



Além disto, existe um sistema nas comportas da usina, que faz com que elas desçam automaticamente em caso de qualquer tipo de problema. Segundo Furnas, empresa responsável pelo local, isso é feito para garantir a total segurança da operação e, principalmente, dos funcionários que trabalham na barragem.

A barragem atua também como uma espécie de ‘defesa’ para os rios. Isso porque evita que as cidades sofram com enchentes. Sem a usina de Manso, é provável que Cuiabá e outros municípios sofressem com as chuvas em períodos intensos.

4 comentários

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  • alexandre
    19 Set 2019 às 08:14

    mas tem consumo ? lembrando que energia elétrica está pela hora da morte de caro, e não se armazena..

  • Cleber
    19 Set 2019 às 08:00

    Concordo com a abertura parcial das comportas do manso, abrindo aos poucos, durante 7 dias, para aumentar o volume das águas do Coxipó e Cuiabá-MT.

  • FERNANDO ALVES DA SILVA
    19 Set 2019 às 07:45

    esse lisandro efodastico em parabens

  • Lisandro Peixoto Filho
    18 Set 2019 às 16:42

    Não caso de abrir comportas, e sim aumentar geração de energia. Fato que aumentaria engolhimente de água da montante (barragem) pelas turbinas, refletindo maior volume de água no leito do Rio Cuiabá. Com isto a usina aumentaria produção e faturamento, atendendo aumento necessário ao volume para capitação de água do Rio Cuiabá.

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