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Quinta-feira, 21 de novembro de 2019

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"Reforma do Ensino Médio pode limitar acesso ao conhecimento"; MT terá 12 escolas-piloto

Da Redação - José Lucas Salvani

20 Out 2019 - 16:06

Foto: Junior Silgueiro/Seduc-MT

A Reforma do Ensino Médio, proposta durante o Governo Michel Temer, pode limitar o acesso ao conhecimento, aponta Gilmar Soares, dirigente da subsede de Varzea Grande do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT). Para ele, a reforma “elimina a base do conhecimento que os estudantes tanto necessitam para sua formação humana e profissional”. No estado, 12 escolas serão as primeiras a adotar o novo modelo.

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Por meio da reforma, a carga horária passará de 800 horas anuais para mil, além de ter uma nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que promete trazer uma flexibilização curricular, e os itinerários formativos, que estão divididos em Linguagens (Português, Inglês, Artes e Educação Física), Ciências da Natureza (Biologia, Física e Química) e Ciências Humanas e Sociais (História, Geografia, Sociologia e Filosofia) e Formação Técnica e Profissional.

As redes de ensino no Brasil terão autonomia para escolher tais itinerários, sendo dois por município. Tal escolha será feita tendo como base uma consulta prévia na comunidade escolar visando suprir suas necessidades educacionais. Até a próxima quarta-feira (23), o Documento de Referência Curricular de Mato Grosso (DRC-MT) está disponível para consulta pública.

“A lei diz dois [itinerários] por município. Só que as redes têm autonomia para fazer suas projeções. Então, dentro da autonomia dessas redes, em Cuiabá, por exemplo, seria inviável ter só dois itinerários formativos. Isso a gente tem a consciência. Então isso será debatido e discutido e traçado esse perfil de arquitetura”, explica Isaltino Barbosa, coordenador do Ensino Médio, da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT).

Para Gilmar Soares é possível que nas cidades onde se há uma única escola pública com Ensino Médio seja gerado uma limitação ao conhecimento. “Aquela juventude [da cidade com uma única escola] não terá acesso ao conhecimento, a não ser que os pais tenham dinheiro para pagar a iniciativa privada ou mudar para outro município”, explica.
 

De acordo com a Lei nº 13.415, de 2017, que  alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a BNCC inclui estudos e práticas de educação física, arte, sociologia e filosofia durante o ensino médio, mas somente lingua portuguesa e matemática serão obrigatórias durante os três anos. Nas comunidades indígenas, se mantem assegurado o uso da lingua materna. A lingua inglesa também se tornou obrigatória.

O dirigente acredita que a diferença de ensino e acesso ao conhecimento entre os estudantes de escolas públicas e privadas ficará maior. Essa reforma, para ele, é só mais um mecanismo para favorecer ainda mais os empresários. As reformas - Previdência, Trabalhista e outras que ainda nem se iniciaram -, segundo ele, estão sendo feitas para tirar da população aquilo que já foi conquistado.

“Nós temos um patamar de conquistas da população e o que se quer hoje para favorecer esses empresários é tirar essa plataforma de conquistas e direitos assegurados. Nesse sentido que a Reforma do Ensino Médio é extremamente prejudicial. Ela vai tirar a base de formação dos estudantes. Vai criar uma condição de defasagem muito maior que se tem hoje entre os estudantes da escola pública e os estudantes da escola privada”, explica.

O coordenador do Ensino Médio assume que especificamente o itinerário profissionalizante é um “gargalo” não só para o estado de Mato Grosso, mas para os demais estados. Alguns estados, de acordo com Isaltino, estão caminhando melhor neste tipo de itinerário, mas outros não, o que dificulta o processo de oferta aos alunos.

Os estudantes Ana Claudia Almeida e Cauã Nascimento, do primeiro ano do Ensino Médio, temem que com a reforma diversos problemas antigos enfrentados pelos alunos deixem de ser resolvidos, como a falta de orçamento para diversas unidades educacionais. É preciso resolver os problemas iniciais, eles defendem, para depois propor um novo modelo de ensino.
 

Como será implementado 

A implementação do Novo Ensino Médio acontecerá por etapas, conforme aponta seu Guia de Implementação, até 2022. Será necessário, inicialmente, diagnosticar as capacidades da rede, assim como ouvir professores, estudantes e sociedade para o processo de “(re)elaboração” dos currículos e implementação da nova arquitetura.

Feita a nova elaboração dos currículos, que devem contemplar as diretrizes definidas pela BNCC e diferentes itinerários formativos, o Novo Ensino Médio deve ser implementado de forma progressiva com projetos-piloto a fim de fazer ajustes necessários para suprir as necessidades de cada comunidade escolar. 

Em Mato Grosso, o Novo Ensino Médio será implementado em 12 escolas-piloto,  sendo oito em Cuiabá, duas em Várzea Grande, uma em Nobres e outra em Acorizal. Deste total, sete são escolas de Ensino Médio Integral (EMTI). As 12 unidades educacionais já estão se preparando para a implementação. Veja abaixo quais são:

Cuiabá
Escola Estadual André Avelino
Escola Estadual Dione Augusta Silva Souza
Escola Estadual Cleinia Rosalina Souza (EMTI)
Escola Estadual João Panarotto (EMTI)
Escola Estadual Nilo Povoas (EMTI)
Escola Estadual Professor Rafael Rueda (EMTI)
Escola Estadual Antônio Epaminondas (EMTI)
Escola Estadual José de Mesquita (EMTI)
 
Várzea Grande
Escola Estadual Irene Gomes de Campos
Escola Estadual Honório Rodrigues Amorim (EMTI)
 
Nobres
Escola Estadual Nilo Póvoas
 
Acorizal
Escola Estadual Pio Machado
 

13 comentários

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  • Walter
    22 Out 2019 às 11:35

    Se a CUT tá reclamando é porque é bom...

  • Maria
    21 Out 2019 às 12:04

    E Matemática? Não íntegra BNCC?

  • ???
    21 Out 2019 às 09:42

    Esse cara tem que voltar e refazer o ensino médio primeiro para sentir a sensação de ter 800 hrs anuais e competir com estudantes do ensino particular que tem mais uma carga horaria maior , o que esse sim é um divisor de aguas desigual nos vestibulares, quer vir com essa falacia de que o aumento de 800 para 1000 prejudica o ensino, adolescente tem que estudar mais horas sim, ensino profissionalizante melhor ainda, melhor os jovens mais tempo dentro de sala de aula do que na rua fazendo merda e depois usando desculpa de que não teve oportunidade na vida.

  • Mulher ma
    21 Out 2019 às 08:09

    Tem que modificar esse ensino medio sim. Se o basico nao tem atencao devida imagina o medio. Tem que tbem adotar escola sem partido ja. Chega da esquerda usar a educacao pra doutrinar .

  • Isaias Ramos
    21 Out 2019 às 07:58

    Como sempre, eles, os vermelhos, sabem de tudo. Se acham os donos da verdade. Quando alguém tenta melhorar a educação, eles estão por aí, de plantão. Contra tudo e todos. É de dar nojo.

  • Alguém
    21 Out 2019 às 02:00

    Esse sindicalista de meia tigela esquece que quem paga o salário dele é o governo e o governo só consegue fazer isso de os empresários explorados pagarem em dia seus impostos, e n sei DE ONDE ele tirou "empresários" de uma ideia educacional... Passou de 800 para 1000 horas e ele n gostou, o ensino amplificará o conhecimento, coisa que SINDICALISTA e a ESQUERDA não querem, pois, quanto mais ignorantes de cabeça vazia melhor pra eles implantarem suas ideologias furadas que só servem pra explorar o pobre enquanto eles vivem como bons classes media-alta, cheio de ferias, viagens, melhores restaurantes e com seus filhos nas melhores escolas e faculdades particulares!

  • Glauber
    20 Out 2019 às 22:54

    Quem fala de doutrinação não entra em uma escola a anos. Fica preso nessa conversa fiada, ruminando pelos cantos. As escolas perderam a função quando os pais abandonaram a educação de seus filhos. Hoje tratam a escola como depósito de crianças. Não fazem mais parte da vida escolar dos filhos, só vão na escola em época de matrícula e olhe lá. Não sabem com quem os filhos andam, fazem, sonham e quais.medos.eles tem. A sociedade falhou com seus filhos. Aí.arrumam desculpa esfarrapada de doutrinação ideológica, pra esconder o seu fracasso. Essa molecada abandonada só quer saber de celular, free fire. Mal sabem fazer regra de 3. Os pais não cobram em casa, não sabem impor limites. Assumam seus erros e não tentem justificar.

  • Leal
    20 Out 2019 às 20:39

    Concordo com o Kraemer!!!Papinho mais furado desse senhor aí!!!Até parece que nesses 16 anos de PT nosso nível de ensino não caiu nas profundezas da doutrinação e do desrespeito ao professor que SÓ QUISER ENSINAR o conteúdo de sua matéria .Caímos EM TODOS os rankings mundiais que medem conhecimento e o bonitão aí vem falar de um currículo que nem foi implementado !!!De certo a pátria educadora da Dilma é um marco na educação pública...Aaaaahhhhh , ,nos poupe!!!

  • silvio lopes de moraes
    20 Out 2019 às 20:12

    Os professores petistas é lógico vão protestar sobra qualquer coisa que coloque eles para trabalhar,por esses a educação é um fracasso total.O QUE TEM A ENSINAR UM LULAMINION?

  • Carlos
    20 Out 2019 às 19:46

    Se o Sindicato diz que vai ser ruim é porque é bom. Pode colocar a lei pra derreter.