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Mães desempregadas se desesperam em reintegração de posse em residencial de Cuiabá

Da Redação - Fabiana Mendes/Da Reportagem Local - Isabela Mercuri

06 Nov 2019 - 11:53

Foto: Olhar Direto

Mães desempregadas se desesperam em reintegração de posse em residencial de Cuiabá
Sem emprego, com filhos e sem ter para onde ir, moradoras do residencial Jonas Pinheiro III, na região do CPA, em Cuiabá, estão desesperadas com a reintegração de posse que começou por volta das 6 horas da manhã desta quarta-feira (6). Elas ocupam algumas casas há quase dois anos e após deixar o lugar, não sabem para onde devem ir. 

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Antes de se mudar para o residencial, Sandra Soares, 20 anos, morava nos fundos da casa da sogra. Com dois filhos, um de cinco e outro de sete anos, ela disse foi pega de surpresa. O único lugar que tem para ir é a casa da irmã. Entretanto, a residência não cabe seus móveis. "Difícil demais, pegou a gente despercebido. Hoje é dia seis, quase ninguém recebeu, como paga aluguel sem dinheiro?", questionou a auxiliar de cozinha, que faltou o trabalho e teme ser demitida. "Minha patroa não aceita falta". 


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Com três filhas, de dois, sete e oito anos, Luzia Cardoso, 27 anos, não tem emprego e vive com o benefício do Governo Federal, o Bolsa Família. Anteriormente, ela morava no bairro Jardim Renascer, mas há um ano e sete meses ocupa uma casa no residencial. 
 
"Vim para cá tentar conseguir minha casa, mas tivemos a notícia que teríamos que sair. Eles tinham passado avisando, corremos atrás para suspender, mas ontem deram a decisão para sair. Estou esperando me buscar. Meu nome está na lista do aluguel social, mas estou só esperando, não me falaram nada", contou.

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"Muito triste, você tem família, seus filhos, saber que não tem um teto para colocar eles dentro. Às vezes não tem o que comer, e você tem que pagar aluguel. De onde você vai tirar? Eu vivo do Bolsa Família, se eu pagar aluguel, vou comer o que? O que vou dar para minhas filhas?", lamentou. Luzia possui uma filha com necessidades especiais e gasta aproximadamente R$ 600 com remédios. Ela também não tem parentes em Cuiabá. 
 
A cabeleireira Jenifer Cristina Gonçalvez, 18 anos, mora sozinha com o filho de três anos. Na última quinta-feira (31), foi demitida do emprego. "Todo mundo sabia que poderia acontecer, desde que entramos. Porém, é surpresa. Eu acabei de sair do serviço. Eu vou ficar na casa dos outros. Não fui contemplada com o aluguel. Consegui um lugar para deixar as coisas e outro para eu ficar. Tenho que conseguir outro serviço, não posso ficar na rua", relatou.

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Rubiana de França Cardoso, 29 aos, tem três filhos, sendo uma de dois anos, e os outros de sete e nove. Ela sustenta os filhos sozinha. Até ontem, terça-feira (5), ela trabalhava em uma empresa terceirizada de limpeza. "Meu patrão me dispensou porque achou que eu não estava querendo trabalhar. Ontem fui na manifestação, tirei foto, mandei para ele, mas com ele é 'faltou, acabou'", afirmou.

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Há um ano e cinco meses ela ocupa uma casa no Altos da Glória. Antes disso, morava no Altos da Serra, onde pagava R$ 500 de aluguel todo mês. Rubiana se diz triste com a situação. "Triste porque tem que sair da casa, ainda desempregada. Para onde que vai? Vou ficar na casa de parente até arrumar um serviço e voltar a morar de aluguel. Eu estou sem chão, não estou acreditando que vou sair daqui".
 
A ação de reintegração de posse foi impetrada pela empresa responsável pela construção, Lumen Construtora, na 2ª Vara Cível. Polícia Militar e representantes da construtora estão conduzindo a ação.

A Prefeitura de Cuiabá afirmou, por meio de nota, que o déficit habitacional é uma realidade nacional e atinge cerca de 50 mil pessoas em Cuiabá, sendo, portanto, impossível resolvê-lo apenas no âmbito municipal, apesar dos esforços.

Disse também que 20 famílias foram beneficiadas com o aluguel social. Este número foi determinado pelo magistrado com base em pesquisa socioeconômica, realizada por assistentes sociais do Município de Cuiabá e do Poder Judiciário. 

Veja nota na íntegra: 

Sobre o Residencial Jonas Pinheiro 3, a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária informa que: 
- A ação de Reintegração de Posse foi impetrada pela empresa responsável pela construção do residencial, Lumen Construtora, na 2ª Vara Cível do Poder Judiciário de Mato Grosso.
- Por isso, a reintegração, marcada para esta quarta-feira (06), será conduzida pela Polícia Militar (PM) e representantes da construtora impetrante. 
- Coube ao Município de Cuiabá acompanhar a ação com suporte técnico de assistentes sociais às famílias no local. 
- Também ficou determinado judicialmente que o Município de Cuiabá providencie aluguel social para 20 famílias que serão retiradas do local. Este número foi determinado pelo magistrado com base em pesquisa socioeconômica, realizada por assistentes sociais do Município de Cuiabá e do Poder Judiciário. 
- A Prefeitura de Cuiabá e a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária vêm trabalhando nos últimos dias para cumprir a determinação judicial. Na tarde desta terça-feira (05), o secretário de Habitação, Air Praeiro esteve em reunião com juiz titular da 2ª Vara Cível de Cuiabá, buscando a melhor saída para situação e bem-estar das famílias.
- Na ocasião, foi comunicado que, por determinação do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, o Município vai cumprir a determinação judicial e irá alugar 20 imóveis para alocar as famílias em vulnerabilidade social. 
- A Prefeitura reitera que todo o processo do Residencial Jonas Pinheiro 3 é realizado de acordo com as diretrizes do Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal, portanto de responsabilidade orçamentária Federal. 
- A Pasta recorda que o déficit habitacional é uma realidade nacional e atinge cerca de 50 mil pessoas em Cuiabá, sendo portanto, impossível resolvê-lo apenas no âmbito municipal, apesar dos esforços.

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