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Domingo, 08 de dezembro de 2019

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Com mais de 28 mil estudantes matriculados, a UFMT possui somente 4 mil pretos

Da Redação - José Lucas Salvani

20 Nov 2019 - 10:14

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Com mais de 28 mil estudantes matriculados, a UFMT possui somente 4 mil pretos
Com 28.481 estudantes matriculados na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), aproximadamente 4.072 são pretos quilombolas e não quilombolas, de acordo com a V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos (as) das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). A porcentagem dessa população representa 14,3% do total de estudantes na Universidade. Se somado aos pardos, o número chega em 59,5%, o que corresponde a aproximadamente 16.946 pessoas.

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A nível nacional, os negros ou pardos são a maioria no ensino superior em unidades públicas, com 50,3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir do estudo de Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, divulgado na última semana. Todavia, entre os entrevistados de 18 a 24 anos, 78,8% dos brancos estão cursando ou já concluíram o ensino superior, enquanto negros e pardos possuem uma taxa de 55,6%. 

Mestre em educação e também membra do Grupo de Pesquisa Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (NEPRE), Zizele Ferreira dos Santos, aponta que inúmeros pontos implicam nos dados apresentados pelos estudos, como, por exemplo, as políticas públicas de permanência.

“Para além disso, há questões complexas como: políticas de permanência que não são aplicadas, pelo contrário, o Estado brasileiro vem fazendo cortes há um bom tempo; a autodeclaração racial de pessoas que podem transitar entre um grupo e outro. Há, ainda, as fraudes sendo enfrentadas aos poucos”, aponta a pesquisadora.

O sistema de cotas também é uma importante ferramenta para a correção da desigualdade. “Quando chegarmos em um ponto em que, comprovadamente, alcançarmos tais objetivos, devemos seguir avançando, enquanto país, de outras formas. Hoje ainda é necessária esta política”, explica.

Apesar do índice 0,3% superior, essa população ainda é inferior em outros âmbitos educacionais também a nível nacional, como nas universidades privadas, onde os brancos ocupam 53,4%, enquanto os negros ou pardos 46,6%. Já a taxa de conclusão de ensino médio é 76,8% branca e 61,8% negra ou parda. 

“O não enfrentamento ao racismo estrutural, aquele institucionalizado. É preciso educar o Brasil e o brasileiro, em todos os espaços, para a aceitação da humanidade, ou seja, reconhecimento das diferenças individuais e coletivas. Se o Estado não assumir isso em todas as esferas, enfrentando tais desdobramentos discriminatórios no judiciário, legislativo e demais espaços, continuaremos a naturalizar uma educação racista. O racismo não resulta apenas de uma ação individual, ele opera nas relações entre grupos”.

População indígena e amarela

A V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos (as) das IFES também aponta um pequeno número de indígenas e pessoas amarelas na UFMT. Com porcentagem de 1,3% e 2,5%, há aproximadamente 370 indígenas e 712 pessoas amarelas na Universidade.

Rendimento mensal

A população negra ou parda tem um rendimento mensal 23,32% menor que a população branca em Mato Grosso. De acordo com o estudo de Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, do IBGE, o rendimento médio dos brancos é de R$ 2.667, enquanto de negros ou pardos, o valor é de R$ 2.045.

A diferença entre ocupações informais entre as populações é maior, atingindo a porcentagem de 26%. No trabalho informal, o rendimento dos brancos é de R$ 2.090, enquanto dos pretos ou pardos o número chega a R$ 1.540. Já para trabalhos formais, R$ 3.006 é o rendimento dos brancos e R$ 2.383 dos pretos e pardos, o que equivale a uma diferença de 20,73% entre os dois. Os números tomam como base o trabalho principal das pessoas.

Nacionalmente, a diferença total de rendimento mensal ultrapassa R$ 1 mil. Os brancos recebem R$ 2.796 e os negros ou pardos têm um rendimento de R$ 1.608. Quanto aos empregos formais, o brancos têm um rendimento de R$ 3282 e os negros e pardos R$ 2.082. Já em relação aos empregos informais, os brancos recebem R$ 1.814, enquanto os negros R$ 1050.

Dia da Consciência Negra

Nesta quarta-feira (20), é comemorado o Dia da Consciência Negra em todo o país. Em comemoração a data, o Coletivo Negro da UFMT promove o I Ciclo de Estudos de Música Afro-diaspórica, que terá sua segunda parte sendo realizada nesta segunda-feira (25). 

A programação teve início na última segunda-feira (11), com uma oficina de dança afrobrasileira com os ministrantes Lupita Amorim e Pedro Scarlett. Já no dia 2 de dezembro, Danielle Souziel e Zizele Ferreira irão comandar uma oficina de literatura dramática.

14 comentários

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  • VOTEM NOS CANDIDATOS DO PARTIDO NOVO
    21 Nov 2019 às 09:42

    Na boa..... QUE MATÉRIA SUPER FRACA. JORNAL, REVEJAM SEUS CONCEITOS ANTES DE PUBLICAR ALGO

  • Kleber Venâncio
    21 Nov 2019 às 09:21

    Se não fosse cotas criado pelo PT, não teria nem isso. Lula presidente de novo. Para alegria do povo.

  • DANDARA
    21 Nov 2019 às 09:21

    Vocês são contra cotas, mas não vejo ninguém questionando da lei de terras que existiu e que doava nossas terras para imigrantes, no qual facilitava o acesso à terras para europeu e foi negada a população ex-escrava que foi jogada de lado. Você é imigrante europeu já tem direito a uma terra... não seria isso uma cota? Façam me favor vão estudar a propia história, cotas é reparação histórica. Pra quem acha que é falacia é porque nunca estudo quem quiser dar uma consultada pesquisem sobre Lei de Terras de 1850. Eu hein. Cês aceitam dar o Brasil de mão beijada, nunca vi ngm questionando, mas não aceitam o progresso da nossa população que pra quem não sabem é de maioria preta, COTAS SIM! RACISTAS NÃO PASSARÃO!

  • Jurema Santiago
    21 Nov 2019 às 09:19

    Mi-mi-mi. Esse feriado de Zumbi é outro mi-mi-mi que trava economia.

  • Luís
    20 Nov 2019 às 18:09

    Se tiver cota, esta deve ser social. Pois existem brancos, negros, índios, gays pobres. Assim aqueles que não possuem condições de pagar um cursinho, seriam beneficiados. Sou negro e não concordo com progama de cotas para negros, indígenas, lgbts, etc... Isso é tática política para dividir mais e mais a sociedade. Deixando o caminho aberto para "pacificadores" e "salvadores da pátria".

  • MAIS UM CONTO VITIMISTA
    20 Nov 2019 às 16:50

    Pra se ver o tamanho da falácia petista. Vcs msm se desmentem. Segundo o PT e a "Patria educadora" o governo de esquerda foi um marco na inclusão de negros e pardos no ensino superior. ATÉ MESMO COM COTAS o número é baixo, quem está mentindo??! A UFMT, o PT ou o jornaleco???

  • Tobias
    20 Nov 2019 às 14:49

    O acesso a universidade pública deveria ser sempre através da competência e do conhecimento. Nunca através de cotas.

  • Cuiabano lime
    20 Nov 2019 às 13:20

    Lógico, todos os outros alunos são inscrições que fazem cursinho e vão bem colocados no enem, mais uma prova que a cota deve ser social e não racial...

  • Jaimão da Cohab nova
    20 Nov 2019 às 13:12

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  • Paolo
    20 Nov 2019 às 13:10

    Caraca tudo isso.

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