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Ex-juíza Selma Arruda chora ao falar de cassação e diz que foi injustiçada

Da Redação - Vinicius Mendes

21 Dez 2019 - 16:15

Foto: Assessoria

Ex-juíza Selma Arruda chora ao falar de cassação e diz que foi injustiçada
A ex-juíza, e senadora cassada, Selma Arruda (Podemos) afirmou que foi injustiçada ao ser cassada e reforçou a fala de que sua cassação foi um recado para membros do Poder Judiciário, para que não entrem para a política. Selma se emocionou ao contar da conversa que teve com os filhos sobre a cassação e insiste que não fez nada de errado em sua campanha.
 
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A senadora cassada foi entrevistada pelo jornalista Guilherme Amado para a Revista Época. A conversa foi publicada neste sábado (21). Selma relembrou os bons momentos que teve no Senado e os amigos que fez, sendo o senador Álvaro Dias um dos que mais exalta.
 
A ex-juíza também falou sobre seu processo de cassação. Citou novamente que a celeridade em seu caso foi incomum e que houve pressão política. Ela finalizou reforçando que sua cassação foi um recado aos membros do Poder Judiciário.
 
Leia a entrevista na íntegra:
 
Época - O que a senhora sentiu ao ser cassada?
 
Selma Arruda - Eu acompanhei aqueles votos absurdos de casa. Recebi o resultado do julgamento com respeito, mas com indignação. Ficou muito nítido que o voto do relator (ministro Og Fernandes) tinha muitos equívocos e induziu os outros. O ministro Fachin foi o único que efetivamente analisou o processo. Pela índole do Fachin, que não é garantista nem absolve à toa, me senti com a alma lavada.
 
Época - A senhora foi injustiçada?
 
Selma Arruda - Absolutamente injustiçada. Eu, que trabalhei com a Justiça tanto tempo, fico ainda mais decepcionada em saber quanto a Justiça ainda é falha. Não analisa as provas, não se preocupa em cuidar dos casos. E meu caso não era qualquer um. Era o caso de uma senadora da República. Poderia ter sido analisado com mais parcimônia. Mas esse processo andou na velocidade da luz. Me parece que a análise ali não era o critério. O critério era fazer a coisa mais rápido.
 
Época - Por que a senhora diz isso?
 
Selma Arruda - Não me conformo com a celeridade desse processo. O parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República) veio em sete horas, um absurdo. O caso foi julgado em quatro meses no estado. É um recorde. Não quero postergar, não, mas acho que as pessoas deveriam ter mais critério. Analisar provas. Uma coisa feita com muita pressa nunca vai ser perfeita.
 
Época - A senhora foi ajudada por Sergio Moro e Alvaro Dias.
 
Selma Arruda - O ministro Moro eu não sei se ajudou. Alvaro Dias com certeza foi um grande batalhador nessa história. Ele até pediu para seus advogados analisarem o processo e ouviu deles que a causa era justa. Por isso ele abraçou a causa com tanto amor.

 
Época - Jair Bolsonaro, que a senhora tanto exaltou na campanha, falou algo?
 
Selma Arruda - Não. Ele foi absolutamente omisso.
 
Época - Flávio Bolsonaro havia prometido apoio quando vocês eram colegas de PSL no Senado. Isso aconteceu?
 
Selma Arruda - Flávio com certeza não ajudou.
 
Época - Valeu a pena deixar a magistratura e ser cassada um ano depois?
 
Selma Arruda - Tudo vale a pena. Não teria me perdoado se não tivesse tentado, eu não morreria em paz. Falei para meus filhos: (silêncio) "Vocês não precisam se envergonhar da sua mãe. A sua mãe não fez nada" (choro). E eles confiam.
 
Época - A senhora imaginava que seria destituída do cargo?
 
Selma Arruda - Era esperado, mas não sabia que seria tão perseguida de um jeito tão açodado. Brasília é muito suscetível a influências políticas. Não tenho vergonha de ter sido cassada. Já superei essa questão. O jogo é bruto. Comigo, sempre foi. Eu sempre metia a mão nessa coisa e sabia dos bastidores. Os processos mostram as tripas do poder.
 
Época - O que a senhora fará agora?
 
Selma Arruda - Estou inelegível por oito anos. Não me vejo mais na política, pelo menos não na linha de frente. Quero continuar trabalhando para o Podemos e ajudando os senadores do grupo Muda Senado. Vou continuar nos bastidores. Eles não ganharam a guerra. Só a batalha.
 
Época - A senhora seguirá despachando de Brasília?
 
Selma Arruda - Sim. Minha meta é fortalecer o partido. O Alvaro Dias tem tudo para ser o presidente do Brasil. O Brasil vai acordar e perceber que nenhum dos dois extremos é bom. Nem direita, nem esquerda. E o Podemos pode surgir nesse cenário de caos como um partido ponderado. Não consegui conviver com a extrema-direita.
 
Época - O melhor e o pior momento em um ano como senadora?
 
Selma Arruda - O melhor momento foi no começo, quando em uma bela manhã o senador Oriovisto (Guimarães) resolveu convidar alguns colegas para um café da manhã. Ninguém entendeu nada. Eram 12 convidados. O (Eduardo) Girão até falou que era o número de apóstolos de Cristo. Ali, desabafamos nossas angústias com o que vivíamos no Senado. E decidimos criar o grupo Muda Senado. Foi uma esperança. O pior momento foi o da cassação.
 
Época - A senhora diz que foi retaliada pela atuação como magistrada, que mandou prender um ex-governador. Procuradores e juízes também podem ser prejudicados se entrarem na política?
 
Selma Arruda - Sim. Foi um recado. Quem bate de frente contra a corrupção não é bem-vindo na política. Mas mesmo assim acho que tem de enfiar o pé na porta. Quanto mais você espera, mais o outro lado se une.
 

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