Olhar Direto

Sexta-feira, 10 de abril de 2020

Notícias / Cidades

Estudantes ocupam prédio do Nilo Póvoas e afirmam que sofreram ameaças

Da Redação - José Lucas Salvani

11 Fev 2020 - 17:05

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Estudantes ocupam prédio do Nilo Póvoas e afirmam que sofreram ameaças
Mais de 65 alunos da Escola Estadual Nilo Póvoas ocupam o prédio da unidade educacional desde a tarde deste segunda-feira (10) para protestar contra o fechamento. Em entrevista ao Olhar Direto, dois estudantes, que terão suas identidades preservadas, afirmaram que dois funcionários da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) fizeram ameaças contra eles com o intuito de coagí-los a sair da escola. Em uma das ameaças, a saída seria "recompensada" com uma reunião com a secretária de Educação, Marioneide Angélica Kliemaschewsk, no próximo dia 19. Até o momento, a Seduc não se posicionou oficialmente sobre o alegado pelo alunos.

Leia mais:
Alunos protestam em frente à Seduc contra fechamento da Nilo Póvoas e cogitam ocupação de prédio

As ameaças feitas aos alunos aconteceram no período da noite. Os dois funcionários teriam chegado quando a diretora ainda estava na unidade e começado a ameaçar, “em tom muito alto”, para que saíssem da unidade. O tom da ameaça, segundo os alunos, foi para coagí-los e intimidá-los a sair da escola. Eles tentaram gravar um vídeo do momento, mas os funcionários, ao perceberem que estavam sendo gravados, diminuíram o tom.

“Ontem, vieram dois homens, na parte da noite, dizendo ser da Secretaria de Educação, e começaram a ameaçar, em um tom muito alto. [Não temos nomes] porque eles se recusaram a se identificar. Tentaram tirar a gente na força, no grito. Pedimos para eles se retirarem porque estavam todos incomodados e eles foram embora. Dois homens, acompanhados da diretora”, conta sobre como aconteceu. “Era um tom muito alto e grosseiro”, acrescenta.

Esses mesmos funcionários retornaram posteriormente, ainda na noite de segunda-feira, e afirmaram que teriam uma proposta “direta” da Seduc de que eles conseguiriam colocar os alunos na agenda da secretária para um reunião no dia 19. A reunião só aconteceria caso os alunos saíssem imediatamente da unidade educacional. Os estudantes recusaram a proposta.

A ocupação da unidade só chegará ao fim quando o governador Mauro Mendes voltar atrás, segundo um dos alunos. O movimento é cogitado desde o protesto realizado no dia 24 de janeiro na sede da Seduc. Os alunos conseguiram uma reunião somente com a secretária adjunta, com quem já haviam conversado. De acordo com o professor, a secretária Rosa Maria apenas explicou o porquê da decisão de fechar a unidade escolar. Ao Olhar Direto, um dos alunos afirmou que foram apresentados dados de rendimento referentes a 2013 para justificar o fechamento da escola.

“O Nilo Póvoas está abrigando outra duas escolas, a Nova Esperança e o Barão de Melgaço. Estão olhando para o Nilo Póvoas, pegando os gastos das três escolhas juntas e botando somente nas costas do Nilo Póvoas, dizendo que não tem tantos alunos para ter tanto gasto. [Dizem] que não adianta manter uma escola para ficar gastando tanto com poucos alunos”, conta um dos estudantes.

A ocupação não é motivada tão somente pelo fechamento da unidade educacional, mas também pelos cortes que a educação sofre a nível estadual e nacional. “Não é só pelo Nilo Póvoas, mas também [para] se manifestar de maneira contrária aos cortes na Educação, que tem acontecido no governo estadual de Mauro Mendes, e também do projeto federal do governo Bolsonaro, que tem cada vez mais cortado [recursos] da educação”.

O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) está apoiando o movimento. A informação é de Gilmar Soares Ferreira, secretário de Comunicação do sindicato. Gilmar estava na unidade entregando produtos de limpeza no momento em que a reportagem esteve no local.
 

“O Governo não se preocupa [com] e não se responsabiliza pelas condições para oferecer um ensino médio de qualidade. É nesse sentido que nós, enquanto Sintep, não incentivamos a ocupação, mas apoiamos. Apoiamos porque é essa juventude que está aqui e é ela que precisa ser olhada. Isso é um grito de desespero para o Governo, dizendo ‘presta atenção em mim, eu preciso de formação’”, defende Gilmar Ferreira.

O Olhar Direto entrou em contato com a Seduc, referente às ameaças, e aguarda o posicionamento.

Centro de Referência em Educação Inclusiva

O fechamento da escola Nilo Póvoas foi anunciado no início de janeiro e o espaço está previsto para se tornar um Centro de Referência em Educação Inclusiva. Conforme a secretária, ele será utilizado para atender a todo tipo de inclusão, não somente dos alunos portadores de deficiência, como surdos, mudos e autistas, mas também os alunos que encontram-se sofrendo com bullying, depressão, violência doméstica, automutilação e uma série de fatores que acabam interferindo na aprendizagem e no desenvolvimento cognitivo.

“Pensando no processo histórico e nos 50 anos da unidade, ela será desativada enquanto escola, mas continuará sendo uma unidade educacional da rede estadual de ensino denominada Centro de Referência em Educação Inclusiva Professor Nilo Póvoas”, observou a secretária.

Marioneide acrescentou que a unidade será um espaço para monitoramento e formação de profissionais que trabalham com alunos inclusos; forncerá atendimento com uma equipe múltipla de profissionais; fará fortalecimento do Centro de Apoio e Suporte à Inclusão da Educação Especial (Casies) e do Centro Estadual de Atendimento e Apoio ao Deficiente Auditivo (Ceaada) Professora Arlete Pereira Migueletti; além de atendimento da classe hospitalar, dos projetos Escola Gestora de Paz e Mediação Escolar, entre outras ações.

Reordenamento da rede

A Secretaria de Estado de Educação explica que a desativação da escola Nilo Póvoas faz parte do processo de reordenamento da rede estadual, visando otimizar os recursos financeiros, potencializar os espaços, melhorar a estrutura física das unidades e a demanda do atendimento aos alunos. Segundo a secretária, Mato Grosso, assim como os demais Estados do país, está passando por uma transição demográfica. Isso significa que algumas escolas tiveram redução no número de alunos em idade escolar, na faixa etária atendida pela Seduc, que seriam os alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio.

“Nesta perspectiva, a Seduc tem realizado um estudo técnico por área de abrangência, tentando diagnosticar a realidade do município individualmente e no atendimento dado pelas redes de ensino estadual e municipais em regime de colaboração”, explicou.

Atualizada às 18:07.

11 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Olhar Direto. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Olhar Direto poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • OD DESCONHECE LIBERDADE DE EXPRESÃO???!!
    12 Fev 2020 às 12:30

    1º - OD está cerceando minha liberdade de expressão! 2º - Não são estudantes daquela escola, quem invadiu a escola foram os MILITANTES de esquerda, pessoas travestidas de estudantes profissionais que estão a MANDO DO PT, PCdoB, PÇOL e demais comunistas. Resumindo a escola foi invadida pela UNE!!

  • O PT DESTRUIU ESTA GERAÇÃO
    12 Fev 2020 às 11:36

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Klaus Soares
    12 Fev 2020 às 11:20

    Infelizmente os professores viraram parasitas e só fazem greve. Fecha essa escola inútil.

  • EU APOIO
    12 Fev 2020 às 10:09

    Todo apoio aos estudantes! vocês são o futuro e a esperança para nós reivindiquem seus direitos e que o Governo possa voltar atrás e não fechar a escola. #nilovive

  • Zeca
    12 Fev 2020 às 09:21

    Coo oferecer ensino de qualidade para quem não quer estudar? Só quer invadir? Ocupar? Não passar de ano? Não aprender? Tudo isso com apoio do SINTEP e dos professores? Alias, a classe que mais se desmoralizou nos últimos anos foi a de professores. E eles se fazem de vítimas do governo e da sociedade.

  • Cidadão que paga impostos
    12 Fev 2020 às 09:21

    A EE Nilo Povoas já deveria ter sido fechada há muitos anos. Uma escola ociosa e que não tem função de existir naquele local. Muita despesa para pouco aluno. Em relação à ocupação é fácil de resolver: o Estado deve pedir uma reintegração de posse imediata, tendo em vista que essa ocupação está prejudicando os alunos da EE Barão de Melgaço.

  • Carinha que mora logo ali
    12 Fev 2020 às 07:33

    A educação lá parece que nunca foi das melhores mesmo, à julgar pela escrita no cartaz. KKkk

  • Paula Petra
    11 Fev 2020 às 20:51

    Os parasitas têm que será eliminados. Terceirização saúde e educação.

  • Carlos
    11 Fev 2020 às 20:02

    Taca nesses desocupados, esquerdista manipulados.

  • Hilda Tenuta
    11 Fev 2020 às 19:19

    No jornal de uma emissora de TV mostrou uma entrevista de um desocupado da geração nem-nem (nem estuda ,nem trabalha) que ocupou a escola. A repórter perguntou qual série ele faz e respondeu que já se formara. Tradução: ocupação canalha orquestrada pelos sindicatos . TÊM que fechar mesmo esse elefante branco. Paulo Guedes está certo sobre servidores públicos : são parasitas.

Sitevip Internet