Olhar Direto

Quarta-feira, 01 de abril de 2020

Notícias / Cidades

Secretaria de Saúde afirma que jovem vítima de feminicídio não sofreu morte cerebral

Da Redação - Max Aguiar

19 Fev 2020 - 12:02

Foto: Rogério Florentino Pereira/ OD

Secretaria de Saúde afirma que jovem vítima de feminicídio não sofreu morte cerebral
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) confirmou nesta quarta-feira (19), que a jovem Karina Souto, 29 anos, não teve morte cerebral. Segundo informações da Pasta, o motivo dela ter acordado do coma, após possível declaração de morte encefálica, não procede devido um protocolo internacional que foi seguido.

Leia mais:
Morre jovem que acordou após ter morte cerebral decretada

“Todos os pacientes em Mato Grosso que são diagnosticados com morte encefálica passam por uma análise criteriosa da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), por meio da Central Estadual de Transplantes, o que afasta qualquer possibilidade de que um paciente possa retornar à vida”, diz trecho da nota da Secretaria encaminhada nesta quarta-feira ao Olhar Direto.

A verificação de morte encefálica em Mato Grosso segue o estabelecido na Lei nº 9.434 de 1997, que determina que o diagnóstico de morte encefálica é de notificação compulsória, deve ser acompanhado e, sobretudo, validado pelo Estado.

A Central Estadual realiza esse serviço independentemente da doação de órgãos – isto é, após a notificação, a verificação do diagnóstico é feito em todo e qualquer caso.
Os critérios para esse diagnóstico são definidos pela Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 2.173, de 2017. De acordo com a coordenadora da Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso, Fabiana Molina, somente após cumprida e documentada todas essas etapas é que está confirmado o diagnóstico de morte encefálica.
 
“A Secretaria de Estado de Saúde atua no sentido de reforçar a seriedade na condução, nos registros e no controle do diagnóstico de morte encefálica, o que garante que todos tenham um diagnóstico de forma inequívoca, conforme estabelecido em Lei”, explica.
 
Veja os critérios para a confirmação do diagnóstico é obrigatório a realização mínima dos seguintes procedimentos:
 
- Dois exames clínicos que confirmem coma não perceptivo e ausência de função do tronco encefálico. Esses exames clínicos, cada um deles feito por um médico diferente, devem demonstrar de forma inequívoca a existência das seguintes condições: coma não perceptivo, ausência de reatividade supraespinhal manifestada pela ausência dos reflexos fotomotor, córneo-palpebral, oculocefálico, vestíbulo-calórico e de tosse;
 
- Teste de apneia que confirme ausência de movimentos respiratórios após estimulação máxima dos centros respiratórios. O teste deverá ser realizado uma única vez por um dos médicos responsáveis pelo exame clínico e deverá comprovar ausência de movimentos respiratórios na presença de hipercapnia (PaCO2 superior a 55mmHg);
 
- Exame complementar que comprove ausência de atividade encefálica. Este exame deve comprovar de forma inequívoca uma das condições: ausência de perfusão sanguínea encefálica, ausência de atividade metabólica encefálica ou ausência de atividade elétrica encefálica. A obtenção de confirmação documental dessas condições deverá ser feita por meio da realização de um dos seguintes exames: Angiografia Cerebral; Eletroencefalograma; Doppler Transcraniano e Cintilografia.

Versão do pai

A morte cerebral da jovem havia sido confirmada por um profissional do Hospital Municipal. No dia seguinte, uma enfermeira havia recebido a ordem médica para desligar os aparelhos, mas a jovem acordou segundos antes.

"Ela [enfermeira] ficou um tempo de pé, meditando, porque ela era nova, tinha uma vida pela frente, sabia da preocupação, e cantou um hino na mente", relatou o pai da vítima, José Rocha Cardoso, 56 anos, ao Olhar Direto.
 
Morte da jovem

A tentativa de feminicídio seguida de suicídio ocorreu no sábado (1º), no bairro Santa Mônica, em Nova Xavantina (a 660 km de Cuiabá). Segundo testemunhas, por volta de 12h45, um grupo de amigos conversava nos fundos de uma residência, quando Baltazar Augusto chegou e iniciou uma discussão com a ex-namorada.

Baltazar não aceitava o fim da relação de aproximadamente quatro anos e queria retomar o namoro. Ela não aceitou o pedido e devolveu um colar a Baltazar. Quando foi guardar o objeto no carro, o homem pegou uma arma e deu três tiros na vítima. Na sequência, deu um tiro na própria cabeça e morreu no local. 

Karina foi socorrida encaminhada para Barra do Garças em estado grave. No dia seguinte, teria a morte cerebral constatada e dois dias depois, reagiu. Uma enfermeira havia recebido a ordem médica para desligar os aparelhos, mas a jovem acordou segundos antes.

7 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Olhar Direto. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Olhar Direto poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • antonio da silva
    20 Fev 2020 às 08:11

    Chama o mesmo médico para avaliar ela.

  • Jose
    19 Fev 2020 às 17:04

    Vou cursar Medicina para entender o texto.

  • Crente não mente
    19 Fev 2020 às 15:35

    Preciso aprender esse hino, urgente. E montar um coral pra reforçar seu efeito.

  • Ricardo
    19 Fev 2020 às 14:19

    Morreu mas passa bem !?!?

  • Ricardo
    19 Fev 2020 às 14:18

    Morreu ou não ?

  • PAULO CESAR RAYER DE AQUINO
    19 Fev 2020 às 13:41

    TAMBÉM UM BANDO DE MEDICO COM BENS BLOQUEADO PELA JUSTIÇA SO PODERIA DA NISSO: ERRO DE DIAGNOSTIVO!

  • Zeca
    19 Fev 2020 às 13:19

    Aí está o resultado do que sempre comentei nas matérias a respeito desse caso.

Sitevip Internet