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Mineradora com 32 trabalhadores que testaram positivo para Covid-19 teria escondido casos

Da Redação - Fabiana Mendes

26 Mai 2020 - 09:20

Foto: Reprodução

Mineradora com 32 trabalhadores que testaram positivo para Covid-19 teria escondido casos
A mineradora Nexa Resources, da multinacional brasileira Grupo Votorantim, teve 32 trabalhadores terceirizados que testaram positivo para o coronavírus. A empresa localizada no município de Aripuanã (a 704 quilômetros de Cuiabá) chegou a ficar quatro dias com os serviços parados para que fossem tomadas as medidas para segurança dos empregados sob multa de R$ 1 milhão. Conforme investigação, a mineradora teria escondido os casos da Secretaria Municipal de Saúde. 

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O maior empreendimento da Nexa no Brasil e da indústria mineral de Mato Grosso possui investimento direto de R$1,5 bilhão. O projeto prevê a exploração e beneficiamento de zinco, cobre e chumbo, na Serra do Expedito, a 25 km da cidade da cidade, e está em fase de implantação. A previsão de início das operações é 2021. Cerca de 1,5 mil pessoas trabalham no local.
 
A mina chegou a ter as atividades paradas para conter o avanço do novo coronavírus, mas depois teve os trabalhos liberados. Decisão publicada pelo juiz da Vara do Trabalho de Juína, Adriano Romero levou em consideração investigação do Ministério Público do Trabalho do Mato Grosso (MPT) que constatou diversos casos suspeitos na mineradora. O documento relata que maioria dos funcionários se encontrava alojada e reunida na atividade laboral, durante o dia, no trabalho, nas refeições, nos períodos de descanso, ou durante a noite, em seus alojamentos com diversas áreas comuns.
 
Eles também não podiam seguir as orientações de isolamento social nem mesmo em seus períodos de descanso, já que estavam alojados, que além da construção civil, que por si só já é uma atividade em que há aglomeração de pessoas, as minas já em atividade são subterrâneas, com inevitável proximidade entre trabalhadores em ambiente com ventilação limitada.
 
No dia 7 de abril, o Ministério Público tinha sido informado de 20 casos suspeitos, sendo que 14 estavam nas empresas terceirizadas Andrade Gutierrez Engenharia S/A, Votorantim Metais Zinco S/A e Construcap CCPS Engenharia e Comércio S/A. Na mesma semana, um homem com suspeita de contaminação foi entubado e encaminhado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no município de Sinop, a cerca de 650km de distância.

Na fala da secretaria de Planejamento, Marcia Thomazi, haviam casos suspeitos na Andrade Gutierrez que não tinham sido reportados. Já a Secretaria Municipal de Saúde dizia que as empresas não estariam reportando os possíveis casos de contaminação.
 
Uma enfermeira ainda disse que uma das terceirizadas (nome não revelado) informou que a Nexa havia repassado orientação para os empregados não seguirem para o hospital, caso sentissem sintomas relacionados com o coronavírus. 
 
Contudo, outra enfermeira pontuou que o fluxo de comunicação de casos suspeitos era importante, visto que o município dependia dessas informações para a atualização do cenário real da evolução do município frente à pandemia. 

Rodrigo Pasquali da Fonseca, gerente geral de Mineração Projeto Aripuanã (Nexa), reconheceu a falha no processo com a Andrade Gutierrez e disse que iria reforçar a realização dos devidos alinhamentos.
 
O gerente geral também alegou ter dito aos empregados para que não se dirigissem diretamente ao hospital, pois deveriam optar por canais eletrônicos de consulta, divulgados previamente pelas autoridades técnicas, reforçando que o objetivo era não lotar os hospitais.
 
No inquérito, Rodrigo também relatou que "não podia obrigar pessoas a ficarem em suas casas" e, por isso, a melhor ação era mantê-las trabalhando, o que evitaria a criação de um foco endêmico na cidade.
 
Conforme boletim da Prefeitura de Aripuanã divulgado no dia 22, o município possui 7 casos confirmados e um óbito, que não tem ligação com a Nexa. Há também 134 pessoas em isolamento social.

Mesmo que os trabalhadores da Nexa tenham resultado positivo em teste rápido, eles não entram nas estatísticas, pois é necessário exame realizado no Laboratório Central do Estado (Lacen), em Cuiabá.
 
A Nexa informou, por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa, que no dia 23 de maio, identificou por meio de testes rápidos, 32 casos em colaboradores da Construcap, empresa prestadora de serviços.

Todas as pessoas identificadas encontram-se, até o momento, assintomáticas e farão novos testes nos próximos dias. A nota diz também que a Construcap está tomando todas as providências para o isolamento e atendimento das pessoas, com o acompanhamento da Nexa.

A Nexa reforçou que vem testando periodicamente 100% das pessoas que atuam em seu projeto em Aripuanã, com o intuito de mapear pessoas assintomáticas e evitar contágio na região.

Embora diga que vem trabalhado fortemente para a prevenção do Covid-19 em seu empreendimento e na comunidade como um todo, com ampliação dos cuidados de saúde e higiene em sua unidade em construção, doação de testes rápidos para o município, disponibilização de UTI aérea e EPIs para profissionais da saúde pública, a assessoria não soube informar quando os trabalhadores serão submetidos ao exame PCR realizado por laboratório de referência reconhecido pelo Ministério da Saúde.

3 comentários

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  • Borges
    26 Mai 2020 às 20:22

    E gora quais as medidas vão ser adotadas em cima da NEXA, queria ver se fosse a marcenaria do Zé da esquina coitado tava ferrado multa de todo lado, mas é a NEXA , vamos se a balança tem peso igual.

  • Jorge Oyama
    26 Mai 2020 às 16:09

    Por isso defendo lockdown urgente com cadeia para quem desrespeitar. Empresários são gananciosos e pressionam trabalhadores.

  • Zé Big Stick
    26 Mai 2020 às 10:02

    Até onde sei, os governos também têm escondido os casos, não levando a conhecimento da população o nome, idade, endereço e as comorbidades dos infectados. Por que a empresa devia tornar público?

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