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Sábado, 26 de setembro de 2020

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Conselho de Corretores de Imóveis e empresa são investigados pela PF por venda de diploma

Da Redação - Max Aguiar

01 Jul 2020 - 16:44

Foto: Reprodução

Conselho de Corretores de Imóveis e empresa são investigados pela PF por venda de diploma
A superintendencia da Polícia Federal em Mato Grosso está investigando fraudes dentro do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-MT), por supostamente vender diplomas e autorização de trabalho para pessoas que nunca passaram pelo curso e que sequer possuem ensino médio completo. 

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Os policiais começaram a investigação após um depoimento colhido em março de 2019. Desde então o Creci está na mira dos agentes que ainda apuram uma segunda suposta fraude: 90% dos diplomas de nível médio que chegam até o Conselho, para que novos corretores ingressem no mercado de trabalho, seriam de uma empresa apontada como tendo ligação com o ex-secretário de Educação de Cuiabá, Alex Vieira Passos. Em contato com a reportagem, no entanto, Alex explicou que não é mais sócio desde 2010. Reforçou também que não tem nada a ver com o Creci.

Segundo informações prestadas pela denunciante aos policiais federais, o Conselho estaria fazendo o registro retroativo do diploma, o que faz a declarante acreditar que isso seja feito mediante diploma falso. "Isso não é comum, mas vem sendo feito com muita frequência", diz a depoente. 

"No momento que os fiscais do Creci fazem a fiscalização do exercício irregular da profissão, ao autuar o trabalhador, na mesma hora eles oferecem a venda do diploma e da carteira de corretor no valor de R$ 10 mil". 

Na verdade, quem compra nem faz o curso e nem paga o valor real. Pois segundo ela, o curso chega a ser de seis ou oito meses e o valor da carteira, ao final das aulas é de R$ 1.600 e para ser corretor o candidato precisa ter nível médio. No entanto eles pagariam R$ 10 mil pelo registro e pelo diploma, sem possuírem esse nível de escolaridade. 

Nesse momento que entraria em cena a empresa Ceteps, que é uma rede de escolas técnicas especializadas em cursos à distância, que teria ligações com Creci-MT. A suspeita é de que para facilitar a entrada e inscrição de novos corretores, a escola de ensino à distância é indicada e em troca libera com mais facilidade o diploma de corretor. Segundo a declarante, a maioria dos diplomas de corretores vem da Ceteps. "Apesar de ter mais de dez escolas aptas a fornecer diplomas, cerca de 90% são da Ceteps", comentou. 

Ainda segundo o depoimento, que o Olhar Direto teve acesso com exclusividade, um dos fiscais, que recebe um salário de R$ 3 mil mensais do Creci, tem vida desproporcional aos ganhos mensaia. Esse fiscal seria um dos responsáveis por oferecer facilidades em troca de R$ 10 mil. 

Essa declarante ainda diz que houve uma denúncia dessas possíveis facilitações dentro do Creci e isso fez com que o Conselho Federal tomasse atitudes e ela foi retirada do cargo e colocada para trabalhar no setor jurídico. Isso para lhe dar mais segurança dentro da instituição, pois antes ela fazia parte do setor administrativo e sabia como aconteciam as irregulares homologações de novos corretores. 

Depois que o caso passou a ser investigado pelo Conselho Federal e posteriormente pela Polícia Federal, a declarante, antes de ser retirada do cargo administrativo, teve que tirar férias. Um dia antes, os dois fiscais que eram responsáveis por fazer as cobranças exorbitantes e fraudes documentais pararam de falar com ela. 

Ainda na Polícia Federal ela disse que uma mulher, que seria a advogada do Creci-MT, tirou a carteirinha de corretora sem precisar fazer o curso. Tudo com aval de Benedito. 

No fim, a declarante confirmou que as irregularidades dentro do Creci-MT acontecem há muitos anos e com isso outros funcionários poderiam confirmar tal tese. Inclusive, ela deixou algumas mensagens de WhatsApp para poder confirmar que algumas conversas eram tratadas em grupos e outras no particular, pedindo aval de documentação e informações sobre andamento da confecção de diplomas e carteirinhas. 

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a empresa Ceteps, mas até o final da reportagem o proprietário não tinha emitido sua nota explicativa, nem seus advogados. 

Os advogados do ex-secretário de Educação de Cuiabá Alex Vieira Passos disseram que a Ceteps não têm mais ligação alguma com a família. 

Através de sua assessoria, o Creci-MT, 19ª Região, manifestou  que a denúncia foi formulada por Claudeci Roque Contreira, que é um dissidente da diretoria. Inclusive, ele seria o responsável por assinar os diplomas, pois na época ele era diretor secretário e por conta disso já foi punido.

Ainda segundo a assessoria, a investigação já foi esclarecida para a Polícia Federal e para a auditoria do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis também não teria encontrado. 

A reportagem também tentou falar com outros envolvidos na declaração, mas por ninguém quis se manifestar sobre o assunto. 

Por enquanto, a Polícia Federal prefere não comentar a investigação, tendo em vista que outras pessoas serão ouvidas e mais provas serão colhidas antes de ser tomadas qualquer atitude jurídica. 

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