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Segunda-feira, 26 de outubro de 2020

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Policiais atuaram como seguranças de empresário e intimidaram testemunhas no Alphaville, diz médico

Da Redação - Wesley Santiago/Max Aguiar

04 Ago 2020 - 17:05

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Policiais atuaram como seguranças de empresário e intimidaram testemunhas no Alphaville, diz médico
O depoimento do médico Wilson Melo Novais aponta que dois policiais civis, que atuariam como seguranças do empresário Marcelo Cestari, pai da adolescente que matou a amiga, Isabele Guimarães Ramos, 14 anos, no condomínio de luxo Alphaville, em Cuiabá, no mês passado, intimidaram as pessoas que estavam no local, entraram na residência bem antes da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e um deles ainda teria ajudado a remover o corpo do local.

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Médico que atendeu Isabele percebeu pólvora no rosto da vítima e estranhou limpeza do local
 
O neurocirurgião contou que, após a saída do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o isolamento do local, dois homens chegaram a paisana em um Citroen C4 (descaracterizado, mas oficial) e entraram na residência.
 
O médico disse que os dois seriam policiais civis, mas que estariam atuando como seguranças do empresário, em função da postura intimidadora que se colocaram, tendo um deles ficado na frente da casa, com postura incompatível com o ocorrido, com os braços cruzados, olhando de forma arrogante e fumando cigarro eletrônico.
 
O outro policial teria sido mais discreto e chegou sem chamar tanta atenção. Ambos estiveram na cena do ocorrido bem antes da chegada da Politec e da DHPP (quase uma hora antes), segundo consta no depoimento.
 
No depoimento de um dos policiais militares que atenderam a ocorrência, também consta citação sobre os dois policiais civis. Eles se identificaram como amigos da família, sendo que um deles subiu no quarto do empresário, onde estava o delegado da DHPP, sua equipe e um perito. Ele diz não recordar se o advogado da família também estava.
 
O policial civil que subiu no local teria, inclusive, ajudado a remover ao corpo de Isabele do local para o carro do IML.
 
Ainda segundo este depoimento, o sargento Fernando Rafael, presidente da Confederação de Tiro de Mato Grosso foi outro a subir após conversar com alguns policiais. Consta que ele teria auxiliado Marcelo a apresentar registros das armas que possui.

O médico Wilson Guimarães Novas, que chegou logo após o disparo de arma de fogo, supostamente acidental, que matou Isabele, disse que percebeu resíduo de pólvora no rosto da vítima e estranhou a “limpeza do ambiente”. Conforme ele, em situações como esta, a cena deveria ter bastante sangue, já que a cabeça é uma região bastante vascularizada.

O caso
 
Segundo informações da Polícia Judiciária Civil, por volta das 22h30 Isabele já foi encontrada sem vida no banheiro da casa. A amiga informou à Polícia que efetuou o disparo acidentalmente contra a colega.
 
Isabele morreu com um tiro na cabeça (entrou na região da narina e saiu pela nuca), efetuado pela amiga ao manusear uma pistola PT 380, dentro do condomínio Alphaville I, no bairro Jardim Itália, em Cuiabá.
 
A amiga de Isabele disse que o disparo foi acidental, pois no primeiro momento a arma, que pertencia ao pai do namorado dela, caiu e ao tentar recoloca-la no case, ela disparou e matou Isabele na hora.

Indiciamento

A Polícia Judiciária Civil indiciou, por posse irregular de arma de fogo, o empresário Marcelo Cestari, pai da adolescente que matou, com um tiro – supostamente acidental – a amiga Isabele Guimarães Ramos, 14 anos, no condomínio de luxo Alphaville, em Cuiabá. O inquérito estava na 2ª Delegacia do Planalto (Carumbé) e foi coordenado pelo delegado Jefferson Dias Chaves.

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