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Segunda-feira, 26 de outubro de 2020

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Fotógrafa denuncia perseguição, assédio e reclama de atendimento em delegacia

Da Redação - Fabiana Mendes

06 Ago 2020 - 09:05

Foto: Reprodução / Instagram

Fotógrafa denuncia perseguição, assédio e reclama de atendimento em delegacia
A fotógrafa Eduarda Kopietz, de 21 anos, usou as redes sociais para denunciar a perseguição que sofre desde os 13, de um homem de aproximadamente 60 anos, que vive na cidade de Denise (a 210 quilômetros de Cuiabá).

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O suspeito estaria perseguindo a jovem nas redes sociais desde que ela era adolescente. Desde então, ao menos dez perfis do homem já foram bloqueadas em redes sociais como Facebook, Instagram e Twitter.

A iniciativa de denunciar aconteceu recentemente, quando a fotógrafa estava na academia. Ela recebeu a notificação no celular de um perfil que estaria lhe seguindo no Twitter. Ao perceber que se tratava do homem, que já estava bloqueado em outros perfis, ela procurou a Delegacia de Polícia da cidade de Nova Olímpia, onde reside. 

No entanto, não teria recebido o atendimento adequado. “Eu fui correndo para Delegacia. Chegando lá, conversei com uma mulher. Ela me orientou a voltar para casa e colher o máximo de provas possíveis de que ele é um perseguidor”, disse a jovem ao Olhar Direto, que mostrou vários perfis bloqueados do homem. 

“Mesmo na Delegacia mostrando a quantidade de contas bloqueadas dele e de outras meninas que me mandaram, o delegado falou que se eu não quero ser incomodada em rede social, tenho que excluir”, afirma. “Isso me deixou aflita. Porque o lugar que eu fui procurar segurança, eu não fui ouvida como pensei que seria. Minha voz não foi escutada”, acrescenta.

Eduarda então foi para casa e fez um compilado de possíveis provas que irão ser anexadas no inquérito que investiga o caso.  Ela também denunciou o episódio nas redes sociais e descobriu que o homem também perseguiu dezenas de mulheres da região.

“Não estamos sozinhas, todas nós sofremos, todas somos taxadas de louca. Vamos nos unir e colocar esse tipo de gente na cadeia. A gente não pode viver fugindo o tempo todo, se escondendo”, contou.

Ao saber da divulgação do caso, o suspeito teria ido até a casa vítima, que atualmente está escondida e com medo. “Estou desesperada, sentindo muito medo. Espero que a justiça seja feita. Eu tive que sair da minha casa porque estou morrendo de medo”, desabafou. 

A investigação 

A Polícia Civil informou que as investigações que apuram a situação estão em andamento em inquérito instaurado na Delegacia de Nova Olímpia. As investigações apuram a denúncia da vítima que relatou ser assediada através das redes sociais pelo suspeito há cerca de oito anos.

O inquérito policial foi instaurado no dia 15 de junho e  a conduta do suspeito foi tipificada conforme o artigo 215 A do Código Penal, que trata sobre o crime de importunação sexual: Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro.

O delegado responsável pelo caso, Adil Pinheiro de Paula, explicou que as investigações que envolvem crime cometidos pela internet apresentam um agravante, pois a rede social permite que o suspeito oculte a sua verdadeira identidade, dificultando a identificação da pessoa que comete a infração.

Conforme ele, uma equipe está trabalhando na identificação do suspeito, reunindo provas que indicam a autoria dos fatos. O inquérito está na fase final e deve ser encaminhado ao Poder Judiciário no prazo de 10 dias.

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