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Segunda-feira, 26 de outubro de 2020

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Adolescente que atirou em Isabele soube da morte na casa da vizinha: “Você tem que ser forte”, disse a mãe

Da Redação - Max Aguiar e Isabela Mercuri

10 Ago 2020 - 17:30

Foto: Reprodução

Adolescente que atirou em Isabele soube da morte na casa da vizinha: “Você tem que ser forte”, disse a mãe
A adolescente que atirou em Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, soube da morte da amiga quando estava na casa de uma vizinha, mãe do namorado de sua irmã, para quem foi pedir ajuda. Algum tempo após o tiro, sua mãe, Gaby Cestari, chegou e disse: “Filha, ela morreu, você tem que ser forte, ela está morta”. Cleunice Aparecida da Cruz, 44, vizinha da família Cestari, relatou o momento em seu depoimento, realizado no último dia 22 de julho de 2020. Ela também contou que encontrou roupas das meninas (a que atirou e sua irmã) em sua casa um dia após o ocorrido.

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O filho de Cleonice é namorado de uma das irmãs da adolescente que atirou. A mulher, que é empresária, contou em seu depoimento que no dia da morte de Isabele seu filho saiu de casa logo depois do almoço, e que ela só voltou a vê-lo às 17 horas, quando ele estava entrando na casa dos Cestari. Por volta das 18h, ela enviou uma mensagem perguntando se ele iria jantar em casa, e ele respondeu que não.

A mãe ainda contou que pediu para o filho voltar para casa por volta das 20h, mas que não se lembra que horas eram quando ele abriu a porta de seu quarto abruptamente, desesperado, e dizendo: “mãe, aconteceu um acidente, aconteceu um acidente, foi a Bel, mãe... as meninas estão aqui embaixo”.

A empresária desceu e encontrou três meninas no andar de baixo, apavoradas. Uma delas, então, relatou o ocorrido, dizendo: “é que lá em casa tem arma”. Logo depois, a adolescente responsável pelo tiro, que estava chorando muito, completou: “Não sei [como aconteceu], a maleta caiu”. Foi depois disso que Gaby, mãe das meninas, chegou e anunciou a morte de Isabele.

Cleonice contou, ainda, no depoimento, que encontrou as roupas em sua casa na segunda-feira (13). Eram uma blusa branca, uma saia longa e uma blusa preta. Ao perguntar para o filho de quem eram as roupas, ele disse que a blusa branca era da adolescente que atirou, e a blusa preta era da irmã dela (namorada do garoto). A mulher, então, guardou as roupas até dia 21 de julho, quando a Polícia as recolheu.

Questionada pelo delegado Francisco Kunze Junior sobre sua relação com a família Cestari, a empresária contou que os conhecia, mas que não eram íntimos: eles nunca haviam ido à sua casa, e nem ela à casa deles. Além disso, disse que sabia que a família era adepta do tiro esportivo, mas que imaginava que as armas ficassem nos clubes. Também comentou que “ouviu dizer” que já havia acontecido um acidente com pólvora na casa da família Cestari, mas que não tinha detalhes.

O depoimento aconteceu no dia 22 de julho, na Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, e acabou às 10h15 da manhã. No dia anterior, Cleonice havia entregue as roupas que encontrou em sua casa à Polícia.

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