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Quinta-feira, 01 de outubro de 2020

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Perito detalha momento do disparo, trajeto da bala e forma como Isabele caiu no banheiro

Da Redação - Max Aguiar

12 Ago 2020 - 15:45

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Perito detalha momento do disparo, trajeto da bala e forma como Isabele caiu no banheiro
A perícia realizada no local do fato onde a adolescente Isabele Guimarães Ramos, 14 anos, foi morta, aponta que o gatilho da pistola foi acionado e o projétil saiu na parte de trás da cabeça da vítima, causando traumatismo crânio encefálico. A adolescente, conforme o perito, teve morte instantânea e o sangue que respingou nos pés e no joelho dela caiu no momento que ela foi atingida, pois ela sentou e depois tombou para trás. 

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"Portanto, a posição que melhor se ajusta nesse caso, tanto à posição específica assumida pelo corpo após a queda quanto ao sentido da produção de manchas de sangue, é aquela com a vítima sobre os pés e com a face voltada para a parte posterior do banheiro (parede lateral esquerda) na área de abertura da porta. Nesse sentido a queda do cadáver deu-se composta por dois lances de movimento: abaixamento; e, em seguida, tombo para o dorso", detalha o perito.

No documento obtido pelo Olhar Direto, é informado que o perito do caso detalhou como foi feito o disparo. Novamente ressaltando que não aconteceu de forma acidental, mas sim em linha reta.

"O perito conclui que se trata de morte violenta causada pelo disparo de arma de fogo contra a região da face da vítima Isabele Guimarães Ramos, por terceiro, que resultou o óbito da vítima. O disparo foi executado mediante o acionamento regular do gatilho da pistola IMBEL (no HGA44564) com o atirador na porção esquerda do banheiro. No ato do disparo, o agente agressor posicionou-se frontalmente em relação à vítima, sustentou a arma a uma altura de 1,44m do piso com alinhamento horizontal e a uma distância entre 20 e 30 centímetros da face da vítima. O motivo e a finalidade da ação não foram determinados pela perícia", destaca o perito.

Cena do crime

Ao chegar no banheiro onde aconteceu a morte de Isabele, o perito descreveu como estava o corpo da adolescente. "O cadáver encontrava-se posicionado em decúbito dorsal (deitado de barriga para cima), com o tronco e os membros inferiores estendidos, com orientação levemente oblíqua. Os braços encontravam-se estendidos e alinhados à linha longitudinal do tronco. Sua cabeça encontrava-se apontada para a região lateral direita do banheiro (fundo do box) e mantinha-se apoiada sobre o piso por sua parte posterior". 

Isabele estava de blusa verde, short jeans, um colar metálico no pescoço e com uma bolsa. Ao lado do corpo também havia um cigarro eletrônico. 

A perfuração causada pela bala fez um buraco de 9 mm no nariz, mais voltado para a parte esquerda. 

Sobre o buraco de entrada e saída da bala, o perito informa que seria da mesma altura e o resultado do exame de necropsia também corrobora com a informação. 

"​A diferença de altura das lesões de entrada e de saída era praticamente nula. Ambas apresentavam 1,44 m de distância do solo, o que indica uma trajetória consideravelmente alinhada ao eixo horizontal do tronco do cadáver. Nesse sentido o exame necroscópico corrobora essa perspectiva ao informar que o trajeto no interior do crânio também ocorreu de forma alinhada", informa o perito.

Adolescente morreu na hora

Já o exame feito no Instituto Médico Legal (IML) aponta que o projétil de arma de fogo, identificado como PAF, atravessou a cabeça de isabele. Causando morte na hora. E no fim, o perito ressalta que o atirador estava de frente. 

"De acordo com o referido laudo “O trajeto do PAF: após a penetração pela ponta nasal à esquerda, atravessou o osso maxilar e em seguida penetrou o crânio pelo osso occipital (parte basilar anterior), dilacerando as estruturas do tronco encefálico, saindo da cabeça pelo osso occipital posteriormente, próximo ao forame magno.” Portanto, resta claro que esse trajeto condiciona uma posição do atirador próximo da vítima em orientação frontal", completa.

No fim, o laudo da Necropsia ainda informa que o impacto do tiro causou morte instantânea. "A hipótese da posição da vítima no momento do disparo deve ser consistente com uma queda instantânea. A esse respeito, o laudo de necropsia constata: Os achados intracranianos evidenciados no exame necroscópico da vítima demonstram que o óbito ocorreu por traumatismo crânioencefálico. O PAF, em seu trajeto, atingiu o tronco encefálico, estrutura nobre que dentre outros núcleos, contém o centro respiratório e conecta o encéfalo ao restante do corpo, tendo o óbito, neste caso, ocorrido de forma imediata", conclui o perito. 

O documento obtido pelo Olhar Direto já está em responsabilidade do delegado Wagner Bassi Jr, titular da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), que investiga o caso e já marcou para a próxima terça-feira (18) a reconstituição dos fatos.  

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