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Em MT, ministro de Bolsonaro assume discurso populista e defende “mão do Estado”

Da Reportagem Local - Max Aguiar / Da Redação - Érika Oliveira

29 Ago 2020 - 14:12

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Em MT, ministro de Bolsonaro assume discurso populista e defende “mão do Estado”
Eleito com a promessa de um programa de liberalismo econômico, o Governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu lugar ao discurso populista nos últimos dias, não apenas na fala do chefe do Executivo – que esta semana desautorizou seu “posto Ipiranga”, o ministro da Economia Paulo Guedes -, mas também na locução de seu staff. Aparentemente alinhado ao que agora prega a gestão, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, defendeu nesta sexta-feira (28), em visita a Mato Grosso, que “a mão do Estado” seja utilizada para dirimir desigualdades no País.

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“Nós estamos entendendo que o Brasil é desigual e que o País tem dificuldades regionais que precisam ser enfrentadas e que precisa da mão do Estado para fazer com que os desiguais sejam tratados desigualmente. E é dessa forma que nós temos nos comportado. Temos que nos despir das bandeiras partidárias e descer dos palanques”, disse Marinho, durante entrega do Residencial Santa Bárbara, em Várzea Grande.

A surpresa surgiu esta semana, quando o presidente jogou um balde de água fria em sua equipe econômica e afirmou que as discussões sobre o programa Renda Brasil estariam suspensas até que sejam feitos ajustes no texto elaborado por Paulo Guedes.

As declarações de Bolsonaro geraram dúvidas até mesmo sobre a permanência do ministro no cargo e foram malvistas pelo mercado financeiro. Logo após as declarações, houve queda brusca no Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira.

Bolsonaro criticou especificamente a ideia de usar o dinheiro destinado ao abono salarial para financiar o Renda Brasil. "Não posso tirar de pobre para dar para paupérrimos, não podemos fazer isso aí. Como a questão do abono salarial, para quem tem até dois salários. Seria um 14º, não podemos tirar de 12 milhões de famílias para dar para o Bolsa Família, ou Renda Brasil, seja o que for o nome deste programa", afirmou o presidente, na ocasião.

Na prática, a decisão de Bolsonaro de rejeitar o programa concebido pelo Ministério da Economia é uma derrota para Guedes, pois anula praticamente todo o trabalho feito até então.

Segundo Marinho, que faz parte da comissão de ministros montada por Bolsonaro para elaborar uma nova proposta do Renda Brasil, as alternativas para implementação do programa serão reapresentadas nos próximos dias.

Enterrados os resquícios da agenda liberal que contribuiu para a eleição de Bolsonaro, a tendência é que daqui para frente o presidente se aproxime ainda mais dos partidos e de políticos que o ajudem a garantir a renovação de seu mandato em 2022.

A expansão dos gastos públicos em infraestrutura, defendida por Marinho, deverá ser o novo norte da política bolsonarista.

“O presidente é uma pessoa humilde, que fala o que pensa e muitas vezes é incompreendido por isso. Porque algumas pessoas acham que pra falar com a sociedade tem que falar bonito, não pode escorregar, mas a verdade é exemplificada. Aliás, o exemplo é o que nos interessa, e não a retórica”, concluiu o ministro do Desenvolvimento Regional, que já vem sendo chamado de “novo posta Ipiranga de Bolsonaro”.
 

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