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Quinta-feira, 03 de dezembro de 2020

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Mãe preferia ter perdido filha desaparecida há quatro anos em acidente: “pelo menos sofria uma vez só”

Da Redação - José Lucas Salvani

18 Out 2020 - 08:01

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Mãe preferia ter perdido filha desaparecida há quatro anos em acidente: “pelo menos sofria uma vez só”
Há pouco mais de quatro anos, Mariane Cristina Santana de Almeida, com 27 anos na época, se despedia de seus pais para ir a uma igreja, em Cuiabá, e depois nunca mais voltou. Ana Domingas Santana, de 56 anos, revela que preferia ter perdido sua filha em 2014, quando ela sofreu um acidente de carro, do que ficar agoniada sem respostas sobre seu paradeiro. Os filhos de Mariane, hoje com 6 e 14 anos, respectivamente, acreditam que a mãe um dia irá voltar para casa.

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“[As crianças] estão bem. O menino nem toca no assunto porque às vezes não gosta. Ele acha que ela está viva por aí. A menina, que na época tinha 2 anos, lembra [de sua mãe], mas pouca coisa. Ela fala que sua mãe vai voltar. Deus dá força para a gente. Não é fácil. Tem dia que falo ‘oh, meu deus, porque não tirou minha filha naquele dia do acidente?’ Porque pelo menos sofria uma vez só”, desabafa em entrevista ao Olhar Direto.

O acidente ao qual Ana se refere aconteceu em 2014, dois anos antes do desaparecimento. Ela sofreu um acidente de carro e após ficar quatro meses internada, dos quais um foi em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), não ficou 100% recuperada. Na época, ela correu o risco de morrer.

Era um domingo de agosto de 2016 quando Mariane, que morava em frente a casa da mãe, no Parque Cuiabá, foi às 11h na peixaria onde sua mãe trabalha buscar almoço, mas acabou por passar a tarde no local porque alguns familiares chegaram.

Ela permaneceu no local até por volta das 18h, quando disse que iria para a igreja. Sua mãe alertou: “não vai hoje". Porém o domingo era o único dia disponível para ir por estar ocupada à noite estudando para concluir o ensino médio, pelo Programa Educação para Jovens e Adultos.

Seu padastro buscou ela e sua filha e as deixou em casa. Não demorou muito para que Mariana deixasse a menina, Alice, com sua mãe e padrasto, se despedindo para ir a igreja.

Ana chegou em casa por volta das 22h, cansada da jornada de trabalho. Quando foi tomar banho, um de seus filhos questionou sobre um carregador, que estava na casa de Mariane. Por terem a chave, entraram na residência, mas Mariane ainda não tinha chegado. Inicialmente, a mãe não se preocupou muito porque a filha tinha o costume de comer lanche após a ida a igreja. 

O desespero começou quando, no dia seguinte, não havia qualquer sinal de Mariane. Mãe e filha marcaram de levar as crianças no médico. Às 6h, Caíque, que estava na casa de sua avó, foi chamar sua mãe e voltou dizendo que ela ainda não havia retornado.

“Ai começou todo o nosso desespero. Procura aqui, liga no celular, liga o dia todo em um celular desligado. Aí meu filho falou: mãe, acho melhor você procurar a polícia para registrar um boletim de ocorrência”.

Há cerca de um ano antes do desaparecimento, ela tinha separado de seu marido. Na época, aliás, Mariane estava com depressão. “A doutora mandou eu levá-la em um psicólogo ou psiquiatra, mas só iriam atendê-la em outubro. Demorou. Não sei o que deu na cabeça dela. Ela tinha separado do marido”.

O caso não tem atualizações há anos. As únicas informações sobre o caso é que Mariane teria entrado em um carro branco para ir embora da igreja. Imagens do circuito de segurança de um estabelecimento próximo ao local, porém, não mostram qualquer indício de que Mariane realmente pegou a suposta carona.

Sua mãe acredita que a filha nunca sequer foi para a igreja: “tem gente que falou que viu, mas para mim ela não foi na igreja”.

Quem tiver informações sobre o paradeiro de Mariane, basta entrar em contato com (65) 99982-7766 ou (65) 99231-9468. “Eu tenho esperança e fé, porque é isso que me deixa viver. Minha mãe fala que às vezes ela não está mais viva, que vou sofrer mais se eu ficar com muita esperança. Eu acho que ela está viva”. 

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