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Irmão de piloto que sobreviveu a queda de helicóptero se emociona com alta: “sentimos quando passa perto”

Da Redação - Wesley Santiago

23 Out 2020 - 14:28

Foto: Tchélo Figueiredo - SECOM/MT

Irmão de piloto que sobreviveu a queda de helicóptero se emociona com alta: “sentimos quando passa perto”
O desembargador do Rio de Janeiro, Rogério de Oliveira Souza, irmão de Renato de Oliveira de Souza, agente especial da Polícia Civil do Distrito Federal e piloto do helicóptero da Força Nacional que caiu no Pantanal mato-grossense, no dia 08 de outubro, se emocionou com a alta e transferência do irmão para aquele Estado na quarta-feira (21). Com a voz embargada e os olhos marejados, ele disse que as pessoas só sentem quando a situação chega perto. “Dificilmente você vê um sobrevivente em acidente deste tipo”.

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“Agora o Renato está na fase final desta aventura que, felizmente, teve um fim benéfico para todos. Ele estava ansioso ontem, basta dizer que estou aqui com ele há 15 dias e só ontem percebeu que eu estava roncando (risos). Ainda tem um problema urinário, mas está bem, sob controle. Acredito que daqui a dois ou três meses estará mais independente e conseguirá reabilitar a maioria de suas funções. Voltar para o trabalho demorará mais um tempo. Até porque psicologicamente, tem que trabalhar isso mais ainda”, explicou o desembargador.
 
Rogério fez questão de agradecer o apoio do Governo de Mato Grosso, da Força Nacional e dos companheiros que o irmão fez no Estado. “Sem isto, seria muito mais difícil... Eu até me emociono... A gente sente quando passa perto... Quando vemos uma pessoa querida em uma situação destas, é complicado. É uma alegria ver que no fim deu tudo certo”, disse emocionado.


 
“Dificilmente em um acidente de helicóptero você vê um sobrevivente. Felizmente o Renato deu os últimos comandos, e, na verdade, um salvou o outro naquela situação. Tivemos psicólogo, fisioterapeuta, as pessoas da área da aviação que o visitaram. Foi um trabalho em equipe”, completou o irmão do piloto.
 
Rogério ainda lembra de uma conversa que teve com o ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, quando ele esteve no Hospital Santa Rosa, visitando Renato, junto com o governador Mauro Mendes.
 
“Disse que o Brasil não pode esquecer os heróis enquanto eles estão vivos. O morto, você parabeniza, mas ele morreu. O vivo tem que ser reconhecido. Teve uma segunda chance, terá uma vida pela frente e vai deixar o exemplo. Fiz questão de realçar que o que falta no país é reconhecer as pessoas que não vemos no dia a dia. Quem está debaixo do fogo, rompendo galeria subterrânea, nos hospitais. Só quando conhecemos, é que vemos o valor que eles têm na nossa vida. Peço até desculpas pela emoção”, finalizou o desembargador, que esteve presente no voo de volta do irmão, que foi levado em uma UTI Aérea nesta quarta-feira para o Rio de Janeiro.

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Transferência

Olhar Direto acompanhou a transferência do policial, na manhã desta quarta-feira, no hangar do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). Sem poder gravar entrevistadas devido a sua função na Força Nacional, Renato disse em conversa informal com pessoas que o acompanhavam que nunca tinha passado por situação parecida e que veio com a missão de ajudar no Pantanal.
 
O agente ficará na casa de familiares, no Rio de Janeiro. Ele disse que ainda sente muitas dores por conta das fraturas que sofreu no acidente. A viagem na aeronave do Governo do Estado tem duração de três horas e meia, aproximadamente.

O médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Otávio Fernandes, que acompanha o policial em sua viagem até o Rio de Janeiro, disse que Renato teve uma fratura a nível de lombar. “Foi feita toda a cirurgia necessária. Agora está estável e continuará o tratamento em casa. O paciente não tem nenhuma grande comorbidade que possa dar problema no voo”.
 
“O transporte é de média complexidade. Tudo o que envolve uma UTI Aérea é assim. Estaremos eu, uma enfermeira, o piloto e o co-piloto fazendo o translado”, finalizou o médico.

Fraturas

Os sobreviventes do acidente aéreo no Pantanal mato-grossense, que envolveu a queda de um helicóptero da Força Nacional tiveram diversos ferimentos.

O piloto da aeronave, Renato de Oliveira de Souza, que é agente especial da Polícia Civil do Distrito Federal, teve fratura de face e na primeira lombar.

Já o copiloto, Luiz Fernando Berberick, que é inspetor da Polícia Civil do Rio de Janeiro, chegou ao hospital com choque hipovolêmico, fratura na tíbia, fíbula esquerda e no tornozelo direito. Ele passou por cirurgia e deve receber alta no sábado.

Já o segundo sargento da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Emerson Miranda, que também estava compondo a equipe, teve poucos ferimentos e nenhuma fratura. Ele irá embora de Mato Grosso por terra.

O acidente

Conforme o Olhar Direto apurou, um pantaneiro presenciou a queda e logo conseguiu buscar ajuda. O helicóptero da Força Nacional chegava ao local para ajudar no combate às chamas e fez o pouso forçado por volta das 15h, num ponto de difícil acesso que fica há pouco mais de 15km do Porto Jofre, local de grande visitação turística no Pantanal.
 
No local, conforme as fotos recebidas pelo Olhar Direto, é possível ver que a aeronave teve partes despedaçadas, a cauda quebrada e chegou a tombar. O motor ficou exposto no solo.
 
"Foi por Deus mesmo. Uma verdadeira ajuda Divina. O helicóptero despedaçou. Tá todo quebrado. Eu nunca vi isso aqui", disse o pantaneiro, conhecido como Nego e que trabalha na região há mais de 20 anos. Ele também ajudava a cuidar da área para evitar que o fogo atingisse a área da fazenda onde ele trabalha. Nego que chamou ajuda assim que percebeu a queda.
 
A queda será investigada pelo Serviços Regionais de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa VI), que é ligado ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).




 




 

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