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Sábado, 05 de dezembro de 2020

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Câmara pede investigação contra ex-presidente da AMM por suposta ameaça e tentativa de extorsão

Da Redação - Max Aguiar

21 Out 2020 - 16:35

Foto: Reprodução

Câmara pede investigação contra ex-presidente da AMM por suposta ameaça e tentativa de extorsão
A Câmara de Vereadores de Alto Araguaia (distante 481 km de Cuiabá) repudiou e pediu providências da Polícia Civil da cidade por conta de supostas ameaças e mal comportamento do advogado Hélio Brandão, ex-presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), que teria intimidado e tentado fazer com que um empresário pagasse propina para poder ter a pauta de sua empresa aprovada no Legislativo Municipal. 

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O caso aconteceu na sessão de 28 de setembro. Segundo o comunicante, que pertence ao grupo Euca Energy, empresa que está se instalando em Alto Araguaiua, para produzir 2 milhões de toneladas por ano de celulose branqueada de eucalipto para exportação, ele foi ameaçado durante a sessão por ter se negado "sair para conversar" a pedido do advogado.

Hélio Brandão é ex-prefeito de Jangada e atualmente atua como advogado na cidade. A sessão estava acontecendo, para votar o projeto de interesse da empresa Euca Energy e do município, visto a necessidade de construir um alojamento para acomodar trabalhadores que vão atuar na construção da fábrica celulose na cidade.

Com isso, Hélio entrou na Câmara e chamou o comunicante para sair pois tinha que conversar sobre o projeto. A vítima disse que não iria, pois precisava acompanhar os trabalhos, visto que a sessão era de interesse de sua empresa. 

Nesse momento Hélio teria colocado o dedo em seu rosto e começado a proferir ameaças do tipo: "se você não vier negociar, você vai se arrepender para o resto da vida". "Que ele viria atrás de mim até no inferno" e que "se a conversa saísse dali, para algum veículo de imprensa ou redes sociais, o empresário iria se arrepender amargamente". 

Tudo foi registrado no boletim de ocorrências nº 2020/235153, na Delegacia de Polícia Civil de Alto Araguaia. Antes de proferir as ameaças, o acordo que Hélio queria fazer seria para aprovar o projeto, tendo em vista que ele teria cinco votos de vereadores, mas o empresário se negou porque havia falado mais cedo sobre o projeto com oito dos 11 parlamentares da cidade e explicado o quão necessário seria a aprovação do projeto.

A empresa de celulose deve gerar renda na cidade de Mato Grosso que faz divisa com o Goiás e causar aumento de emprego e aquecer a economia local. Pois o que seria aprovado era apenas o uso de uma área para alocação dos profissionais que iriam trabalhar na fábrica de celulose de madeira. 

Devido o acontecido dentro do Legislativo, a Câmara de Vereadores de Alto Araguaia repudiou o acontecido. 

Segundo o Poder Legislativo, o fato será levado a conhecimento de entidades como a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (FIEMT); Sindicato Rural; Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM); polícias Civil e Militar, além de autoridades políticas mato-grossenses.

Outro lado

O advogado acusado de toda situação dentro da Câmara, Hélio Brandão, falou com a reportagem do Olhar Direto e disse que a informação contida no documento policial não é verdadeira. 

Segundo ele não teve ameaças, muito menos pedido para pagamento de propina ou extorsão, tendo em vista que ele esteve presente na sessão como cidadão de Alto Araguaia, pessoa interessada no assunto e por ser plantador de euclipto. 

"A informação não responde com a verdade. Não fui lá para atuar politicamente, mas sim como cidadão interessado no assunto. Não ameacei ninguém, apenas acompanhei a sessão a pedido da presidência da Euca Energy", disse o advogado, que também já foi presidente da AMM. 

Apesar da esposa de Hélio ser candidata a prefeita do município, ele disse que o comércio local seria beneficado com vinda para a cidade de uma empresa com esse potencial. E avisa, que jamais fez proposta de suborno ou pagamento de propina. 

"Tanto é mentira isso, que o projeto foi aprovado com uninanimidade. O que estão falando sobre mim, afeta meu trabalho. Eu sobrevivo de ser advogado. Ai vão lá, fazem um b.o e anunciam que eu tentei fazer extorsão e ainda ameacei. Nunca fiz isso. Tenho conversas printadas com o dono da empresa, eu estava lá para evitar que o projeto fosse explorado politicamente. Para evitar que artefatos políticos fossem usados", explicou Hélio. 

Por último, Hélio disse que irá até a delegacia de polícia nesta quinta-feira para saber se o boletim de ocorrência já virou inquérito, pois ele precisa se pronunciar e explicar o mal entendido. "Vou até à Polícia hoje para saber como está essa situação. Sou sócio fundador de uma cooperativa, não precisava me expor desse jeito. Quem me acusou até agora não falou comigo. Eu não ameacei ninguém. Se a pessoa interpretou assim, errou. Pois, tenho minha carreira, minha vida pública e ela é limpa. O projeto passou com votação unânime, sinal que extorsão também é um assunto que não condiz com a verdade", concluiu. 

Atualiazada às 11h20 - dia 22/10/2020

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