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Quarta-feira, 02 de dezembro de 2020

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Filho de Gonzaguinha detona Abílio: “estar em sua companhia suja a música"

da Redação - Isabela Mercuri

28 Out 2020 - 17:18

Foto: Reprodução / Facebook

Daniel Gonzaga

Daniel Gonzaga

Daniel Gonzaga, filho de Gonzaguinha, publicou um vídeo de catorze minutos em seu Facebook, criticando o uso da música ‘Eu acredito na rapaziada’, de seu pai, na campanha eleitoral de Abílio Junior (PODE), para prefeito de Cuiabá, e cobrando um posicionamento do Podemos. Dentre outras coisas, Daniel afirma que a música de seu pai ‘não compactuava com a direita’, e fala diretamente com o candidato: 'Estar em sua companhia suja a música'. 

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“Acho fantástico que um partido que tenha essas premissas se utilize dessa forma de apropriação indébita no pleito eleitoral, que utilize uma música esquerdista. [Por]que foi nesse intuito que essa música foi feita, para falar de todos nós, meu pai tinha um viés obviamente de esquerda. Ele era aquele cara que no filme do Gonzaguinha e Gonzagão tinha uma bandeira do Che Guevara no quarto... é ele!”, afirmou.

Daniel coordena uma editora musical há 29 anos, é músico, produtor, dono de estúdio e selo e idealizador do site Biblioteca de Ritmos e, segundo ele, começou a ser cobrado por empresas que pagam para utilizar as músicas de seu pai. O músico reafirmou que entrará com uma ação contra o partido e o candidato, mas lamentou o uso mesmo assim. “A eleição é amanhã, e essa música está sendo utilizada em benefício daqueles que não merecem. Entrei em contato com o partido, estou com tudo printado, eles me deram o telefone do gabinete no senador Romário, isso é má fé! O telefone do partido não atende. Isso é má fé! Enquanto isso a eleição vai acontecendo, e vai acontecer. E esse cara, esse candidato, foi beneficiado por uma música que não foi construída para ele. Eles falam em mudar a administração, eles falam em mudar a cidade, em mudar a política, e eles não vão mudar nada. Quem muda é quem distribui respeito, é quem respeita a legislação vigente. Não se pode se apropriar”, lamenta.

Em outro trecho do vídeo, ele questiona o fato de um candidato de direita, bolsonarista, ter usado a música de seu pai. “Vocês não reclamam tanto de compositores esquerdistas, desse absurdo que é o comunismo mundial que está tomando conta da doutrina, da cabeça das pessoas? Como é que vocês pegam uma música e utilizam na campanha? É isso mesmo que vai acontecer?”, e ainda completa: “[Vocês] têm uma posição política que diz que eu devo comprar uma arma para defender minha propriedade. Eu faço o que, compro uma arma? Essa música é minha propriedade. Não quero arma, não quero violência, não quero idiotice. Minha única arma foi essa que meu pai me deu, minha família me deu, que são as palavras”. 

O filho de Gonzaguinha e neto de Luiz Gonzaga reafirmou que o candidato – que ele não citou o nome – pratica um crime contra o patrimônio, e que sua ação não será pelo dinheiro, mas sim pela postura. “Meu pai não compactuava com essas ideias, não escreveu essa música para você, não escreveu essa música para a direita. Eu acredito é na rapaziada que segue em frente e segura o rojão, então segure o seu rojão. Cadê a juventude, que não foge à raia a troco de nada, vai me deixar sozinho aqui? Você acha que esse tipo de pessoa vai construir a manhã desejada?”, finaliza.

Assista ao vídeo:



Outro lado

A assessoria de imprensa do candidato Abilio Junior enviou uma nota às 18h50:

A assessoria do candidato Abilio, da coligação "Cuiabá para pessoas", esclarece:

- a música "E vamos à luta" foi usada em um momento, sendo retirada da programação;

- desde então, a campanha tem utilizada uma paródia produzida por artistas locais;

- há decisão do STJ que assegura que paródia não viola direitos autorais em "jingles" de campanhas eleitorais;

- tão logo foi utilizada a canção em questão, a equipe de mídia da campanha procurou o Ecade para recolher eventuais taxas pelo uso e foram informados que a categoria "jingle" não é valorada pela entidade;

- imediatamente após esta informação deixaram de utilizar a canção na campanha, que foi substituída pela paródia já no segundo dia de exibição da propaganda eleitoral;

- houve várias tentativas de contato com a família por meio telefônico (21-22625449), bem como com a editora "Moleque", via redes sociais, mas os perfis constam bloqueados para mensagens.

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