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Tire dúvidas sobre a vacinação contra Covid-19 em Cuiabá

Da Redação - Wesley Santiago

20 Jan 2021 - 07:35

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Tire dúvidas sobre a vacinação contra Covid-19 em Cuiabá
Com a chegada das primeiras 8.027 doses da vacina contra a Covid-19 em Cuiabá, a prefeitura prepara para esta quarta-feira (20), a partir das 09h, o início da aplicação dos imunizantes nos profissionais da saúde que atuam na linha de frente. Porém, muitas dúvidas ainda pairam na cabeça da população. Sendo assim, Olhar Direto tira algumas interrogações que ainda possam restar dos moradores da Capital.
 
Quem será vacinado agora?
 
Neste primeiro momento de vacinação serão imunizados os trabalhadores da saúde que estão na linha de frente do atendimento a pacientes com Covid-19, em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), enfermarias e Pronto Atendimento de unidades públicas e privadas de saúde. Levou-se em conta a estratificação de risco devido à baixa quantidade de doses recebidas nesta primeira remessa e o alto risco de infecção pelo coronavírus a que esse grupo está exposto.
 
O que estas pessoas devem fazer?
 
Todos estes profissionais deverão fazer a atualização do cartão do SUS pelo aplicativo ConecteSUS ou nos postos de saúde. Os profissionais também deverão fazer o agendamento pelo link que em breve estará disponível no site da Prefeitura.
 
Como será a fiscalização?
 
A equipe que fará a recepção das pessoas agendadas terá uma lista com os nomes de todos os profissionais dos hospitais que fazem atendimento a pessoas com covid-19 para conferir se fazem parte do público alvo.
 
Somente médicos e enfermeiros serão vacinados?
 
Não, a vacinação vai envolver recepcionistas, maqueiros, pessoal de limpeza, entre outros, desde que trabalhem nestes setores específicos (UTI, enfermaria e pronto atendimento).
 
Qual vacina será aplicada agora?
 
A vacina que será utilizada para a imunização em Cuiabá nesta primeira fase será a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. É produzida com o vírus inativado e deve ser tomada em 2 doses, com intervalo de 14 a 28 dias.
 
Como funciona a eficácia desta vacina?
 
100% - Casos graves
 
No total, 13.060 voluntários participaram dos testes da CoronaVac, sendo que metade recebeu apenas placebo. Desde julho, 252 participantes do Ensaio Clínico contraíram a Covid-19, dos quais 167 havia recebido placebo e 85 fazia parte do grupo dos vacinados de fato.
 
No grupo experimental, que foi vacinado, não houve registro de pacientes com caso moderado a grave, que tenha necessitado de internação. Já no grupo controle, que recebeu placebo, foram registrado sete casos moderados a grave.
 
Logo, se não houve nenhum caso moderado a grave no grupo experimental, significa uma eficácia de 100% para evitar formas mais severas da Covid-19, internações e mortes pela doença.
 
78% - Casos leves
 
No caso das infecções leves, nas quais a pessoa apresentou poucos sintomas da Covid-19 e recebeu algum tipo de assistência médica, mas não precisou de internação, foram feitos 38 registros, sendo sete no grupo experimental e 31 no grupo controle. Significa dizer que para a prevenção de casos leves da Covid-19, quando a pessoa tem sintomas, mas sem necessidade de internação, a eficácia é de 78%.
 
50,38% - Risco de adoecer
 
Esse é o cálculo que envolve as 252 pessoas que contraíram a Covid-19 juntando os dois grupos (experimental e controle), independente da gravidade da doença. A proteção foi, então, calculada em 50,38%. A conclusão é que, quem toma a CoronaVac, tem 50,38% menos risco de adoecer pela Covid-19. E, aí, mesmo que apresente sintomas, a eficácia para evitar gravidade é de 100%.   
 
Onde funcionará a primeira fase?
 
Prevista para começar nesta quarta-feira (20), às 09 horas, a campanha “Vacina Cuiabá – sua vida em primeiro lugar”, de imunização contra a covid-19, irá funcionar no Centro de Eventos do Pantanal, das 7h às 22 horas, de domingo a domingo. Este polo central será o único local de vacinação durante a primeira fase da campanha, que abrange trabalhadores da saúde (grupo 1), pessoas acima de 80 anos, pessoas de 75 a 79 anos de idade, pessoas acima de 60 anos institucionalizados (que vivem em asilos ou abrigos), que compõem o grupo 2, em Cuiabá. 
 
E as próximas fases?
 
A ideia é que a vacinação seja estendida para polos regionais, na segunda fase, e as unidades básicas de saúde, na terceira fase, conforme a quantidade de doses que forem enviadas pelo Ministério da Saúde. "Quem vai definir a velocidade e a dinâmica dos polos de vacina será a quantidade de doses que forem disponibilizadas para Cuiabá", afirmou o prefeito Emanuel Pinheiro.
 
Qual será a equipe envolvida?
 
A logística da campanha de imunização da Covid-19 vai contar com 40 aplicadores da vacina, 20 auxiliares administrativos, 15 profissionais de apoio e acolhimento, oito enfermeiros supervisores, equipe de suporte avançado (ambulâncias), serviços de segurança, limpeza e transporte.

Quantas doses Cuiabá receberá neste primeiro momento?

Na primeira leva, Cuiabá recebeu 8.027 doses da vacina.  Deste número já foram subtraídas as doses de servidores do Estado, que serão aplicadas pelo próprio Governo, e da população indígena dos dois municípios. A outra metade deve ser entregue em duas semanas. A quantidade que chegou ao estado de Mato Grosso representa apenas 3,4% da população.
 
A vacina vai impedir que eu infecte meus familiares e amigos?

Nenhum estudo está acompanhando isso, portanto, não há resposta para essa pergunta. Analistas especulam que as vacinas não devem impedir que uma pessoa contaminada infecte outras, o que exigirá que sigamos usando máscara e evitando aglomerações até o Brasil alcançar a imunidade de rebanho.
 
Quais foram os efeitos adversos?

A CoronaVac é considerada uma vacina extremamente segura. Não houve registro de efeitos adversos graves, e apenas 0,3% dos vacinados tiveram reação alérgica. Dos efeitos leves, o mais comum foi dor no local da injeção, mas também foram registrados dor de cabeça, fadiga e dor muscular.
 
Quais serão os grupos prioritários?

Segundo o plano nacional de imunização do governo, as prioridades da campanha de vacinação são: 
  • trabalhadores da área de Saúde;
  • idosos (acima de 60 anos);
  • indígenas;
  • pessoas com comorbidades;
  • professores (do nível básico ao superior);
  • profissionais de forças de segurança e salvamento;
  • funcionários do sistema prisional;
  • comunidades tradicionais ribeirinhas;
  • quilombolas;
  • trabalhadores do transporte coletivo;
  • pessoas em situação de rua;
  • população privada de liberdade.
 
Por que a vacinação é importante?

Quanto mais gente se vacinar logo no início, mais fácil será tratar eventuais pessoas que ainda não receberam suas doses e precisarão, portanto, de atendimento médico.
 
As vacinas não garantem que o paciente não terá Covid-19 novamente, apenas diminuem a chance de infecção e também a gravidade da doença em relação às pessoas que não receberam. Por isso, mesmo os vacinados ainda poderão transmitir o coronavírus. O uso da máscara ainda será fundamental, assim como o isolamento.
 
"Nenhuma vacina é 100% eficaz. Você só consegue maior proteção quando a maior parte da população se vacina, porque quando tem muita gente vacinando, o vírus diminui a circulação e, então, acaba protegendo também quem não está vacinado. Por isso que não é 'toma quem quer'", disse Denise Garret, epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas.
 
Quanto tempo após tomar a vacina eu estarei imunizado contra a Covid-19?
 
Mesmo após as duas doses da vacina, nosso organismo não gera uma resposta imune imediata, explica o infectologista Jose Geraldo Leite Ribeiro, vice-presidente regional da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
 
“A proteção se dá um tempo após a aplicação da segunda dose, e esse tempo varia de acordo com cada vacina. Na maioria delas, a imunidade acontece a partir de dez ou vinte dias após a segunda dose”, afirma.
 
Posso ser infectado pelo coronavírus ao tomar a vacina?
 
Não, pois nenhuma vacina em testes contém o vírus vivo. “A vacina contra a Covid-19 é uma ‘vacina morta’, ou seja, são inativadas, não contém o vírus vivo. Portanto, é impossível você ser infectado ao se vacinar”, explica Ribeiro.

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