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Presidente do Imune defende destaque para cor da pele de 1º vacinada e diz que termo ‘preta’ não é pejorativo

Da Redação - José Lucas Salvani

20 Jan 2021 - 16:20

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Presidente do Imune defende destaque para cor da pele de 1º vacinada e diz que termo ‘preta’ não é pejorativo
Presidente do Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune-MT), Antonieta Luisa Costa, de 53 anos, afirmou em entrevista ao Olhar Direto que os veículos de comunicação realmente precisam reforçar que as primeiras vacinadas contra o novo coronavírus, tanto no Brasil quando em Mato Grosso, são negras. Nos últimos dias, muitas pessoas têm questionado os portais de notícia que destacaram que Luiza Batista Silva, de 43 anos, a primeira imunizada em MT, é negra. O debate dividiu opiniões nas redes sociais. 

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“Tem que dizer que é negra sim. Nos temos um país majoritariamente de negros, onde as mulheres negras são as maiores vítimas da discriminação, do feminicídio, das violências diversas. São as que estão à frente. A maioria está à frente nessa luta. Temos um grande número de mulheres negras que trabalham na enfermagem”, explica ao Olhar Direto.

“Não é a nomenclatura que determina descriminação. O que determina discriminação racial são os adjetivos colocados para a pessoa negra: preta safada, negro safado, sabe? Isso sim é discriminação. A maneira de falar. A palavra negro no pejorativo”, explica. “Eu sou negra de pele preta. Em nenhum momento, você vai estar me discriminando porque sou negra sim. Sou preta sim, entendeu? Acontece o ato de racismo é quando você usa a palavra negra ou preto no sentido pejorativo ou que denote inferida”. 

Mulher negra, Luiza Silva, foi a primeira vacinada em Mato Grosso. Ela é técnica de enfermagem há cerca de cinco anos, tem dois filhos e atua na linha de frente do combate ao novo coronavírus. Ela é moradora do bairro CPA, em Cuiabá.

A técnica de enfermagem faz parte da população que tem sido mais atingida pelo novo coronavírus. Dados do Painel de Covid-19, da Secretaria de Estado de Saúde Mato Grosso (SES-MT), apontam que 54,56% dos infectados entre o início da pandemia, em abril, até o final de dezembro, são autodeclarados negros ou pardos. A porcentagem de brancos é 25,5%, enquanto a população amarela é de 2,43% e os indígenas compõem 1,33%. Cerca de 10% não responderam.

No município de Cuiabá, a situação é mais preocupante quanto ao número de óbitos de pessoas negras ou pardas. Segundo o Informe Epidemiológico, divulgado nesta quarta-feira (20), 77,9% fazem parte dessa população, enquanto 20,9% são pessoas brancas.

Primeiros vacinados em MT

A primeira vacina contra o novo coronavírus (Covid-19) de Mato Grosso foi aplicada na noite da última segunda-feira (18) na técnica de enfermagem do Hospital Metropolitano, Luiza Batista de Almeida Silva, de 43 anos. Além dela, outras 9 pessoas foram imunizadas com a primeira dose.

O enfermeiro Joel Rodrigues da Silva, que trabalha na Santa Casa, é o primeiro homem a ser vacinado. Ele está na linha de frente desde o início, e chegou a ficar seis meses num apartamento, sozinho, isolado de sua família.

"É um monte de sensações, de alegria, de gratidão a Deus por ter permitido que a gente chegasse até aqui", contou. Segundo ele, foi avisado que seria vacinado somente hoje no final da tarde. O profissional também pediu a todos que não tenham medo que se vacinem.

Mato Grosso recebe 126.160 doses para atender o público alvo da primeira fase da campanha. Serão cerca de 60 mil pessoas vacinadas, com as duas doses, dentre elas indígenas. A distribuição para os municípios começa nesta terça-feira (19).

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