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Segunda-feira, 01 de março de 2021

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“As pessoas pediam para que não as deixasse morrer”, diz primeira vacinada de MT sobre trabalho na linha de frente

Da Redação - Wesley Santiago

25 Jan 2021 - 15:21

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

“As pessoas pediam para que não as deixasse morrer”, diz primeira vacinada de MT sobre trabalho na linha de frente
“É um trauma que vou levar para o resto da vida”. O relato é da técnica de enfermagem do Hospital Metropolitano, Luiza Batista de Almeida Silva, de 43 anos, primeira pessoa a tomar a vacina contra o novo coronavírus em Mato Grosso. Segundo ela, houve diversos momentos desesperadores, como de pessoas pedindo para que ela e seus colegas não os deixassem morrer. Ela aproveitou também para contar como entrou na área da Saúde e disse que sua missão é “cuidar das pessoas”.

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“Sempre gostei do cuidar, me chamavam para ajudar quando alguém estava doente, para acompanhar no hospital. Mas sempre priorizava outras coisas. Quando teve o Pronatec, aproveitei a oportunidade e comecei a trabalhar como técnica de enfermagem. Entrei na UPA Norte e lá me apaixonei, foi quando comecei a fazer minha faculdade”, contou em entrevista ao Olhar Direto.
 
“Depois, fui chamada para entrar no Metropolitano, fiquei ainda mais apaixonada. Só desesperei quando chegou o vírus. Foi quando realmente pensei em desistir, me deu medo, pânico. É uma coisa horrível, como se passasse um filme de terror. Pelo fato de ser apaixonada pela enfermagem, eu decidi continuar. Essa paixão me deu forças para ajudar as pessoas que precisavam”, completou.
 
Luiza ainda pontua que trabalhar com a Covid-19 é um desespero e um trauma que levará para o resto da vida. “Você vê paciente pedindo pelo amor de Deus, que não consegue respirar. A gente já está com o oxigênio no último e você se sentir impotente com a pessoa dizendo que não é para deixá-la morrer”.
 
“É um trauma que vou levar para o resto da minha vida. Outra coisa desesperadora e doída era ter que colocar aqueles corpos dentro de um saco preto. É uma lição, uma experiência que achei que nunca ia passar. Só via essa questão de pandemia em livros, não achei que passaria por isto”, finalizou.

A técnica de enfermagem também lembrou os colegas que morreram durante o combate a Covid-19 e lamentou que eles não possam ter a mesma oportunidade que ela. Ao ver pessoas próximas perdendo a vida para o vírus, ela disse que se desesperou.
 
“Perdi pessoas de perto, não da minha família, mas amigos que estavam na linha de frente. Isso me deixou desesperada e me deixa triste. Tenho certeza que, se eles pudessem, iriam escolher tomar esta vacina, mas infelizmente não terão esta oportunidade”, disse a técnica de enfermagem, que mesmo trabalhando na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) não foi infectada pela Covid-19.

Vacinação
 
A primeira vacina contra o novo coronavírus (Covid-19) de Mato Grosso foi aplicada na noite desta segunda-feira (18) na técnica de enfermagem do Hospital Metropolitano, Luiza Batista de Almeida Silva, de 43 anos. Além dela, outras 9 pessoas foram imunizadas com a primeira dose.
 
O enfermeiro Joel Rodrigues da Silva, que trabalha na Santa Casa, é o primeiro homem a ser vacinado. Ele está na linha de frente desde o início, e chegou a ficar seis meses num apartamento, sozinho, isolado de sua família.
 
"É um monte de sensações, de alegria, de gratidão a Deus por ter permitido que a gente chegasse até aqui", contou. Segundo ele, foi avisado que seria vacinado somente hoje no final da tarde. O profissional também pediu a todos que não tenham medo que se vacinem.
 
Mato Grosso recebe 126.160 doses para atender o público alvo da primeira fase da campanha. Serão cerca de 60 mil pessoas vacinadas, com as duas doses, dentre elas indígenas. A distribuição para os municípios começa nesta terça-feira (19).

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