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Segunda-feira, 26 de julho de 2021

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No MS pessoas esperam por chance

Em caso de sobra, vacinas contra Covid-19 são guardadas em Cuiabá e perdem validade

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Em caso de sobra, vacinas contra Covid-19 são guardadas em Cuiabá e perdem validade
A sequência de imunizações trouxe à tona uma dúvida para a população cuiabana: o que acontece com as sobras da vacina ao fim do dia? Olhar Direto questionou a Prefeitura de Cuiabá sobre o fato e recebeu a resposta de que o caso é bastante raro, já que todo o sistema na cidade é feito por agendamento. Em Campo Grande (MS), algumas pessoas estão aguardando em uma fila de veículos, até o fim do dia, para tentar a sorte grande. Segundo a coordenadora da ação daquele Estado, a chance de acontecer é a mesma de ganhar na loteria.

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Em Cuiabá, a assessoria de imprensa da Prefeitura explicou que a perda técnica da cidade é de apenas 2%, bem abaixo do nível nacional, que é de 5%. O que sobra nos fracos, geralmente não dá nem para completar uma dose do imunizante.
 
O agendamento é outra arma utilizada pela prefeitura de Cuiabá para evitar o desperdício. No fim da tarde, quando a fila de pessoas está próxima do fim, é feita uma contagem, para que sejam abertos um ou dois frascos (que contém cinco ou dez doses) na medida certa dos que ainda faltam para serem vacinados.

A reportagem apresentou uma situação hipotética para a prefeitura: no caso de, no fim do dia, ficarem 13 pessoas para serem vacinadas, mas só haver a possibilidade de abrir os frascos com 15 doses (o mínimo possível para atender a demanda), qual seria o procedimento?

Segundo a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Valéria de Oliveira, se esta situação acontecer, a equipe conversa com as três últimas pessoas e pede que elas retornem no outro dia, explicando que o procedimento será feito para que não haja a perda de vacinas.

"Somente se essas pessoas não puderem retornar de forma alguma é que é aberto um frasco de cinco doses (neste caso) e o que sobrar entrará como perda técnica", pontua a coordenadora.
 
Ainda conforme a coordenadora quando acontece de sobrar líquido no frasco ao final do dia, entra como perda técnica. Ela pontuou ainda que todos os frascos abertos estão guardados, inclusive com o pouco que resta destes líquidos, que já não tem mais validade.
 
“Depois de aberto o frasco, a vacina deve ser utilizada em no máximo 6 horas, depois deste período, perde a validade”, pontuou a coordenadora.
 
Até o último domingo (11), Cuiabá havia aplicado 71.277 doses, sendo que 52.087 receberam a primeira e 19.190 a segunda. O Centro de Eventos do Pantanal por enquanto é o único sendo usado como ponto de imunização. Porém, o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) já adiantou que outros novos serão abertos nos próximos dias.

No fim de março, dois policiais militares receberam doses da vacina que sobraram, na cidade de Conquista D’Oeste (535km de Cuiabá). Na ocasião, houve uma recusa, de um idoso que não quis ser vacinado, e uma sobra de um que não estava em casa.

“A gente não tinha nenhuma pessoa a mais para vacinar, todos os funcionários tinham vacinado e os idosos também. Como temos parceria muito grande dos PMs e eles estavam na unidade, a gente tinha que aproveitar a vacina”, explicou.

Segundo a prefeita Maria Lucia (PL), os policiais foram escolhidos também com base em um documento da Associação Mato-Grossense de Municípios. Ela ainda afirmou que, se pudesse, vacinaria todos os policiais.
 
À espera de um milagre
 
Em Campo Grande (MS), algumas pessoas tem montado acampamento no drive-trhu do Parque Ayrton Senna, no bairro Aero Rancho, na tentativa de conseguir sobra do imunizante.
 
A verificação é feita após às 17h30, quando é encerrada a imunização do grupo alvo. A coordenadora do polo de vacinação montado no parque, Ionise Piazzi, compara que conseguir uma dose devido à sobra é equivalente à chance de ganhar na loteria.
 
Na quarta-feira, sobraram três doses. Na quinta, 20 pessoas ficaram na expectativa de sobra, mas todas as doses foram aplicadas no público-alvo. “É como ganhar na loteria. A nossa vontade é atender todo mundo. Mas precisamos fazer a triagem, confirmar no documento a idade exata ou se é realmente profissional da saúde”, afirma Ionise em entrevista ao Campo Grande News.

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